sábado, 10 de maio de 2008

TEMPO DE VÉSPERAS!

DOMINGO DE PENTECOSTES Ano A (11/Maio)
'Ouvimo-los proclamar nas nossas línguas

as maravilhas de Deus.' Act 2, 11


Metade da Humanidade


Mais do que uma vez, ao ensinar a uma criança o sinal da cruz, escutamo-la, entre o espanto e o sorriso, dizer enquanto faz o gesto: 'Em nome do Pai, e do Filho e... da mãe'! É verdade, custa muito a uma criança esta trindade onde a mãe não está, e se fala de Alguém a quem se chama Espírito! Tanto mais que irá descobrindo nessa presença maternal feita de cuidado e desafio muitos dos dinamismos próprios do Espírito Santo. Para lá do feminino em Deus, há também neste Pentecostes espaço para um olhar inesperado, uma surpresa que interpela?


A espantosa fotografia de Augusto Brázio de uma 'mulher de 19 anos cujo terceiro filho acaba de nascer em casa' (Lisboa, Fevereiro de 2007), que ganhou o prémio de fotojornalismo de 2008, entra-nos pelos olhos e pelo coração dentro. O gesto frágil e sublime da vida que se acolhe naqueles braços não faz esquecer a realidade de pobreza e dependência que as desigualdades sociais vão criando, especialmente em bairros pobres das grandes cidades. Também nas imagens da fome e escassez de alimentos que vão correndo o mundo, já repararam como as mulheres, com filhos ou não, são as que mais aparecem a pedir um pouco de alimento? No viver de cada dia passa tantas vezes por elas este cuidado essencial e primeiro de dar de comer! E quando não há, quando uns esbanjam o que podia servir para tantos, como fica dorido o seu coração? Leio, como se recebesse um murro no estômago, um estudo das Nações Unidas citado por Matilde Sousa Franco: 'As mulheres são metade da Humanidade, realizam dois terços do trabalho, ganham dez por cento das receitas e têm um por cento dos bens' (Correio da Manhã). Quantos passos ainda tem o Espírito Santo de nos 'obrigar' a dar, quantos preconceitos e mentalidades a mudar, para que homem e mulher tenham uma mesma dignidade e um igual acesso aos bens do mundo?


Celebrar o Espírito Santo é celebrar a vida. O que ela já é, mas ainda mais, o que ela pode e quer vir a ser. Sem Ele instalamo-nos em leis e burocracias, justificamos a inércia e os privilégios só para alguns, declaramos como perfeito aquilo que ainda está a caminho. Com Ele recuperamos a alma e sorrimos mesmo nas dificuldades, gostamos dos outros e abrimo-nos ao diálogo, damos as mãos à surpresa e ao risco. Sem o Espírito Santo complicamos e ganhamos úlceras, com Ele apreciamos o que é novo e anunciamos o que é belo. Que pede o Espírito Santo ao mundo e à Igreja para esta 'metade da humanidade' que é a mulher? Como nos ouvimos e juntos crescemos a proclamar as maravilhas de Deus?


P. Vítor Gonçalves

4 comentários:

besbertocharrua disse...

ca fiquei maravilhade co seu scrito e a nha maria atão ném quêra saber...sunbelime...
um abrace munte de pentecostes

Carmo Cruz disse...

Raul do Sorriso Imenso, deixa-me começar por partilhar contigo uma alegraia: o Existente Instante escreveu-me! Ainda não lhe respondi, mas foi um presente tão bonito logo ao chegar aqui!
Já comentei esta reflexão do Padre Vítor com a Fátima. Gosto muito, tocam-me o coração estes Padres que misturam a Igreja e a Vida, porque pobre Ihreja a que não puder ser vivida. A mensagem é belíssima, o momento oportuno, o dia da Celebração de Pentecostes, a data certa.
Hoje estou cansada, a viagem é longa. Mas quero que saibam que estou bem e que a vossa companhia me conforta. Um beijo da Carmo
Diz ao tê cumpadre que ê gustê munte do comentare dele. Subelime, claro! Carmo

Raul Martins disse...

Olá Carmo!
Não tendo a certeza de que o seu mail está a funcionar, aproveito este meio de comunicação. Fico feliz por saber que chegou bem a Angola. Como também fico feliz pelos "sinais" de vida o E.I. Ele também passou por aqui ontem, depois de muito tempo em silêncio. Isto de aparecermos aos amigos é um direito e não um dever, não é Carmo? Mas ainda bem que ele "voltou" cheio de energia que bem precisamos dele.
E que tudo continue a correr bem por aí.

Um sorriso do tamanho da distância que agora nos separa.

Anónimo disse...

ó menina carmo ca fica sabende ca nha tia perferida tamém éra carmo e queu gostáva munte dir cunsigo mas tô velho e na tenho poces ca faça munte boa viage e volte depreça.a nha maria reza por si e camanda-lhe um cumprimente eu tamém e pó raúl .
besbertocharrua