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domingo, 29 de agosto de 2010

UM CHÁ? FAÇA O FAVOR!


Ando mais na onda do facebook.

Agora, só de quando em vez, quando alguma saudade aperta o coração, lá vou saltando de blog em blog daqueles amigos que nos tocaram mais, por este ou por aquele motivo, e dou um “vista de olhos”- Acredito que o "visitar" os amigos é um direito e não um dever.

Foi o que aconteceu hoje. Andei por aí a vaguear um bocadinho e fui parar ao blogue do Fernando Vasconcelos, o " Diz que não gosta de música clássica ?" onde, depois de ir lendo os postes, deparei com este em que o Fernando me distingue com um "convite" para um chá que agradeço desde já.

Vou continuar a “cadeia”, não só como forma de agradecimento pela distinção, mas porque acredito que “um mundo melhor” passa por aquecer o coração dos outros e aquecer, com os outros, o meu. E para mim o chá é símbolo disso mesmo. E não dizem que é à mesa, e muitas vezes “recheada” de coisas boas para o paladar, que se resolvem muitos conflitos? Conhecem aquele provérbio da "pátria" do chá que diz "Espero que da próxima vez, em vez de lutarmos, possamos tomar chá juntos"?


Então, vamos lá cumprir as regras do jogo:




1. Referir quem ofereceu o selo:

O blogue do Fernando Vasconcelos: " Diz que não gosta de música clássica ?"

2. Qual o teu chá preferido

Chá Verde

3. Quantas colheres de açúcar costumas usar?

Uma, pequenina.

4. Passar o selo a seis pessoas



A SOMBRA DO VENTO

BALANCED SCORECAR

MEMÓRIAS SOLTAS...

SLETRAS



P.S.: Tranquilos... na liberdade de quebrar ou manter a "cadeia".
Com um sorriso.abraço.beijo.aternuração.

sábado, 26 de dezembro de 2009

POR CAUSA DE UM DESAFIO DE NATAL!

O desafio começou algures. Foi andando por várias "casas". Procurei seguir o rasto das respostas que foram sendo dadas. Perdi o rasto de algumas e por isso não as li todas, nem tal seria possível. Foram muitas as que me encheram as medidas mas uma houve que, pelo menos para mim, pela sua originalidade, força, ou talvez porque com ela me identifiquei bastante, tem o meu aplauso maior e a coloco aqui para que fique no meu "cantinho". Do Existente Instante, aqui fica:


No Natal e Fora dele...



Vou sabendo aceitar a visitação silenciosa da ternura. Instala-se.Nada diz. Acabo por a perceber perfeitamente. Eu já...

Rejeito a frágil folha rosto de lágrima percorrida. O meu olhar não tem pressa. Eu não...


Que este rumor interior de beleza comovida regressa sempre ao lugar de partida. Eu sei...


Como barco em horizonte distante, acenar recolhido até que. Eu quero...


Continuar a entregar-me despudoradamente ao Instante que Existe no passado - presente, nesta força imorredoira de merecer-me de Vida merecida. Eu sonho...

ADENDA: 12:55: Há um outro poste-resposta de Paulo Lopes a este desafio que não queria deixar de aqui referir, ainda que em adenda, pela sua beleza, pelas fotos (acréscimo ao desafio a meu pedido) e por algumas reflexões (algumas polémicas) nele contidas.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

A CAMINHO DO NATAL! (IV): DESAFIO

DESAFIO:
UM POUCO DO MEU NATAL
EM 5 REVELAÇÕES...




A Isabel do SLETRAS, desafiada pela "Teresa de Longe", também me lançou o desafio que consiste em revelar um pouco de nós, em época natalícia, completando as frases que foram propostas. Aqui ficam as minhas respostas e, seguindo as regras, no fim,apresento os CINCO blogues a que bato a porta para responderem ao desafio.

As minhas respostas:


1. Eu já... vivi um Natal longe da Família. O Natal de 83. Loja (Granada - Espanha). Longe do aconchego e mimos natalícios da família. Foi diferente. Tradições e sabores diferentes. E a lágrima não deixou de aparecer no canto do olho


2. Eu nunca... deixarei de me encantar com a magia do Natal que, para mim, começa a 8 de Dezembro com o montar do Presépio e da Árvore de Natal com a ajuda de todos cá em casa.


3. Eu sei... que Natal não é só em Dezembro, é sempre que quisermos; é sempre que um gesto nosso, uma palavra, uma atitude, se transforma numa mão que ajuda ou torna mais feliz quem vem ao nosso encontro.


4. Eu quero... neste Natal, lembrar-me e falar com familiares e amigos com quem ultimamente tenho andado um pouco distante.

5. Eu sonho... que os homens serão capazes de lutar e construir, com todas as suas forças e empenho, um MUNDO MELHOR.


Bato à porta dos seguintes blogues para também os desafiar a falarem um pouco do Natal. Os blogues são:


A PHOTO A DAY

(desafio o PL a acrescentar uma foto a cada resposta)

ANABELA MAGALHÃES

MEMÓRIA SOLTAS DE PROF

PIRUETAS DE AVÓ

Os blogues escolhidos são convidados a desafiarem outros 5 blogues para o desafio.

ADENDA a 13-12-2009: Fujo ao estabelecido e desafio outro blogue:

A SOMBRA DO VENTO

sábado, 6 de setembro de 2008

E ASSIM SE DESVENDOU O MISTÉRIO!

Atenta, a Renard deu o mote, a Teresa complementou depois de cair na armadilha e, como disse a Anabela, "assim se desvendou o mistério". Aqui fica, pois, a Conceição a apontar para a réplica que se encontra em Paris numa das ilhas do Sena...

... E desde Paris manda um beijinho para todos:

quinta-feira, 3 de julho de 2008

PARA A MINHA "PIPOCA"

Na brincadeira, começamos a chamar "pipoca" ao rebento mais novo cá da casa. "Pipoca" para aqui, "Pipoca" para acolá... E ficou "Pipoca". Hoje, ao ver este texto no "Terrear" do JMA, não sabem a felicidade com que fiquei e abençoei a bendita hora em que lhe começamos a atirar com tal "piropo". Vão perceber porquê.

Com a devida vénia ao JMA

A PIPOCA


Por Rubem Alves


A culinária me fascina. De vez em quando eu até me atrevo a cozinhar. Mas o fato é que sou mais competente com as palavras do que com as panelas.

Por isso tenho mais escrito sobre comidas que cozinhado. Dedico-me a algo que poderia ter o nome de "culinária literária". Já escrevi sobre as mais variadas entidades do mundo da cozinha: cebolas, ora-pro-nobis, picadinho de carne com tomate feijão e arroz, bacalhoada, suflês, sopas, churrascos.

Cheguei mesmo a dedicar metade de um livro poético-filosófico a uma meditação sobre o filme A Festa de Babette que é uma celebração da comida como ritual de feitiçaria. Sabedor das minhas limitações e competências, nunca escrevi como chef. Escrevi como filósofo, poeta, psicanalista e teólogo — porque a culinária estimula todas essas funções do pensamento.

As comidas, para mim, são entidades oníricas.

Provocam a minha capacidade de sonhar. Nunca imaginei, entretanto, que chegaria um dia em que a pipoca iria me fazer sonhar. Pois foi precisamente isso que aconteceu.

A pipoca, milho mirrado, grãos redondos e duros, me pareceu uma simples molecagem, brincadeira deliciosa, sem dimensões metafísicas ou psicanalíticas. Entretanto, dias atrás, conversando com uma paciente, ela mencionou a pipoca. E algo inesperado na minha mente aconteceu. Minhas idéias começaram a estourar como pipoca. Percebi, então, a relação metafórica entre a pipoca e o ato de pensar. Um bom pensamento nasce como uma pipoca que estoura, de forma inesperada e imprevisível.

A pipoca se revelou a mim, então, como um extraordinário objeto poético. Poético porque, ao pensar nelas, as pipocas, meu pensamento se pôs a dar estouros e pulos como aqueles das pipocas dentro de uma panela. Lembrei-me do sentido religioso da pipoca. A pipoca tem sentido religioso? Pois tem.

Para os cristãos, religiosos são o pão e o vinho, que simbolizam o corpo e o sangue de Cristo, a mistura de vida e alegria (porque vida, só vida, sem alegria, não é vida...). Pão e vinho devem ser bebidos juntos. Vida e alegria devem existir juntas.

Lembrei-me, então, de lição que aprendi com a Mãe Stella, sábia poderosa do Candomblé baiano: que a pipoca é a comida sagrada do Candomblé...

A pipoca é um milho mirrado, subdesenvolvido.

Fosse eu agricultor ignorante, e se no meio dos meus milhos graúdos aparecessem aquelas espigas nanicas, eu ficaria bravo e trataria de me livrar delas. Pois o fato é que, sob o ponto de vista de tamanho, os milhos da pipoca não podem competir com os milhos normais. Não sei como isso aconteceu, mas o fato é que houve alguém que teve a idéia de debulhar as espigas e colocá-las numa panela sobre o fogo, esperando que assim os grãos amolecessem e pudessem ser comidos.

Havendo fracassado a experiência com água, tentou a gordura. O que aconteceu, ninguém jamais poderia ter imaginado.

Repentinamente os grãos começaram a estourar, saltavam da panela com uma enorme barulheira. Mas o extraordinário era o que acontecia com eles: os grãos duros quebra-dentes se transformavam em flores brancas e macias que até as crianças podiam comer. O estouro das pipocas se transformou, então, de uma simples operação culinária, em uma festa, brincadeira, molecagem, para os risos de todos, especialmente as crianças. É muito divertido ver o estouro das pipocas!

E o que é que isso tem a ver com o Candomblé? É que a transformação do milho duro em pipoca macia é símbolo da grande transformação porque devem passar os homens para que eles venham a ser o que devem ser. O milho da pipoca não é o que deve ser. Ele deve ser aquilo que acontece depois do estouro. O milho da pipoca somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios para comer, pelo poder do fogo podemos, repentinamente, nos transformar em outra coisa — voltar a ser crianças! Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo.

Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca, para sempre.

Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e dureza assombrosa. Só que elas não percebem. Acham que o seu jeito de ser é o melhor jeito de ser.

Mas, de repente, vem o fogo. O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos. Dor. Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, ficar doente, perder um emprego, ficar pobre. Pode ser fogo de dentro. Pânico, medo, ansiedade, depressão — sofrimentos cujas causas ignoramos.Há sempre o recurso aos remédios. Apagar o fogo. Sem fogo o sofrimento diminui. E com isso a possibilidade da grande transformação.

Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro ficando cada vez mais quente, pense que sua hora chegou: vai morrer. De dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar destino diferente. Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada. A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo, a grande transformação acontece: PUF!! — e ela aparece como outra coisa, completamente diferente, que ela mesma nunca havia sonhado. É a lagarta rastejante e feia que surge do casulo como borboleta voante.

Na simbologia cristã o milagre do milho de pipoca está representado pela morte e ressurreição de Cristo: a ressurreição é o estouro do milho de pipoca. É preciso deixar de ser de um jeito para ser de outro.

"Morre e transforma-te!" — dizia Goethe.

Em Minas, todo mundo sabe o que é piruá. Falando sobre os piruás com os paulistas, descobri que eles ignoram o que seja. Alguns, inclusive, acharam que era gozação minha, que piruá é palavra inexistente. Cheguei a ser forçado a me valer do Aurélio para confirmar o meu conhecimento da língua. Piruá é o milho de pipoca que se recusa a estourar.

Meu amigo William, extraordinário professor pesquisador da Unicamp, especializou-se em milhos, e desvendou cientificamente o assombro do estouro da pipoca. Com certeza ele tem uma explicação científica para os piruás. Mas, no mundo da poesia, as explicações científicas não valem.

Por exemplo: em Minas "piruá" é o nome que se dá às mulheres que não conseguiram casar. Minha prima, passada dos quarenta, lamentava: "Fiquei piruá!" Mas acho que o poder metafórico dos piruás é maior.

Piruás são aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem.

Ignoram o dito de Jesus: "Quem preservar a sua vida perdê-la-á". A sua presunção e o seu medo são a dura casca do milho que não estoura. O destino delas é triste. Vão ficar duras a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca macia. Não vão dar alegria para ninguém. Terminado o estouro alegre da pipoca, no fundo a panela ficam os piruás que não servem para nada. Seu destino é o lixo.

Quanto às pipocas que estouraram, são adultos que voltaram a ser crianças e que sabem que a vida é uma grande brincadeira..."Nunca imaginei que chegaria um dia em que a pipoca iria me fazer sonhar. Pois foi precisamente isso que aconteceu".


O texto acima foi extraído do jornal "Correio Popular", de Campinas (SP), onde o escritor mantém coluna bissemanal.

domingo, 6 de abril de 2008

PONTES...



Hoje, mais do que nunca, precisamos de pontes que façam tornar mais curto o abismo entre o mundo real e o mundo apregoado.
O abismo que separa a paz apregoada em todos os sentidos da rosa dos ventos e a paz real; a justiça apregoada em todos os areópagos e a justiça efectiva; “a vida prometida da vida sofrida”.
E o apregoado está ai: Direitos do homem e da criança; justiça social, democracia, luta contra a pobreza... E a realidade é, infelizmente, outra: a paz no fio da navalha; a justiça na corda bomba; a ética, quando nos interessa...

E ficamos, no nosso anonimato, quase sem nada poder fazer. É verdade que o que podemos fazer é pouco. Mas pouco ou muito, temos que ir encurtando essa distância com pontes com todos aqueles que estão ao nosso lado, que vivem connosco, que trabalham connosco, que caminham connosco... É o desafio que coloco aqui, a mim próprio e aos que se sentirem desafiados, para esta semana que está a entrar. Temos que ir construindo uma aguarela todos os dias.