sexta-feira, 5 de novembro de 2010

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

DA COMPAIXÃO!

Acabei de "roubar" do Terrear este magnífico texto de Rosa Montero:

- Continuas a escrever o teu livro de palavras?

A pergunta de Nyneve surpreende-me. Endireito-me e olho para ela. A minha amiga, que também está a trabalhar na horta, descansa apoiada na enxada.

- Sim. Porquê?

- Porque te queria oferecer uma palavra. A melhor de todas.

- Ah, sim? Qual é?

- Compaixão. Que, como sabes, é a capacidade de nos colocarmos na pele do próximo e de com ele sentir o que ele sente.

- Sim, agrada-me. Mas por que me dizes que é a melhor?

- Porque é a única das grandes palavras em nome da qual não ferimos, na torturamos, não prendemos e não matamos…. Pelo contrário, evita tudo isso. Há outras palavras muito belas: amor, liberdade, honra, justiça… Mas todas elas, todas, podem ser manipuladas, podem ser utilizadas como armas de arremesso e causar vítimas. Por amor ao seu Deus, os cruzados acendem piras, e por um amor aberrante, os amantes ciumentos matam as suas amadas. Os nobres maltratam e abusam barbaramente dos seus servos em nome de uma hipotética honra; a liberdade de uns pode significar prisão e morte para outros e, quanto à justiça, todos julgam tê-la do seu lado, mesmo os tiranos mais cruéis. Só a compaixão impede estes excessos; é uma ideia que não pode impor-se aos outros a ferro e fogo, porque nos obriga a fazer justamente o contrário. Obriga-nos a aproximamo-nos dos outros, a sentir o que sentem e a compreendê-los… Lembra-te desta palavra, minha Leola. E, quando te lembrares, pensa também um pouco em mim.



Rosa Montero (2006)
História do Rei Transparente
Porto:ASA (pp. 409-410)

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

POR UM MUNDO MELHOR!


A Procuradoria Portuguesa das Missões Claretianas é uma Plataforma de Animação Missionária e de Ajuda ao Financiamento de Projectos de Evangelização e de Solidariedade, da responsabilidade dos Missionários Claretianos em Portugal.

sábado, 16 de outubro de 2010

É URGENTE REPENSAR A EDUCAÇÃO, HOJE!

Na linha do nosso Agostinho da Silva:
“...a criança vai dirigir-se à Escola, não porque tem de fazer um exame para obedecer a uma lei geral do país – escolaridade obrigatória. (...) ela irá à escola (...) para aprender aquilo que corresponde à sua vocação íntima (...).
É por esse caminho que se vai ter que ir e... toda a gente ...está interessada no desenvolvimento psicológico, no desenvolvimento dos homens, para eles cumprirem aquilo para que têm vocação que é serem artistas e criadores."

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

TEMPO DE VÉSPERAS!

A beleza e o poder da "arte" em falar mais "alto" do que mil e um discursos.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

PORQUE HOJE É, TAMBÉM, O DIA MUNDIAL DO PROFESSOR!

O Diogo Oliveira enviou-me um mail dando-me os parabéns porque hoje é o Dia Mundial do Professor. Já nem me lembrava. Mas ainda bem que somos lembrados pelos alunos. Anexou-me o texto que agora vos deixo. É um elogio, sem dúvida, pelo nosso trabalho mas não pode, também, deixar de ser uma reflexão sobre o como tem sido a nossa praxis. Obrigado Diogo por te lembrares de nós e pelo texto bonito que enviaste. Aqui fica (não vem referenciado o autor):

Ser professor é...


Ser professor é professar a FÉ
e a certeza de que tudo terá valido a pena se o aluno se sente feliz
pelo que aprendeu
e pelo que ensinou...

Ser professor é consumir horas e horas
pensando em cada detalhe
daquela aula que, mesmo ocorrendo todos os dias, a cada dia é única e original...


Ser professor é entrar cansado numa sala de aula
e, diante da reação da turma,
transformar o cansaço numa aventura maravilhosa de ensinar e aprender...

Ser professor é importar-se com o outro
numa dimensão de quem cultiva uma planta muito rara
que necessita de atenção, amor e cuidado.

Ser professor
é ter a capacidade de "sair de cena, sem sair do espetáculo".
Ser professor é apontar caminhos,
mas deixar que o aluno caminhe com seus próprios pés...

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

YOU CAN SHINE!

YOU CAN SHINE: Um "comercial" que, parece, já tem uns dois ou três anos mas que só hoje vi pela primeira vez. De uma beleza e profundidade marcantes.

domingo, 12 de setembro de 2010

CARTA A UM PROFESSOR



Via JMF, uma carta que, algures, foi atribuída a Lincoln mas que não colhe unanimidade, por parte dos especialistas, sobre a veracidade da sua autoria. No entanto, é uma belíssima carta e que merece ser partilhada no início de um novo ano lectivo. Aqui fica:

"Caro professor, ele terá de aprender que nem todos os homens são justos, nem todos são verdadeiros, mas por favor diga-lhe que, por cada vilão há um herói, que por cada egoísta, há também um líder dedicado, ensine-lhe por favor que por cada inimigo haverá também um amigo, ensine-lhe que mais vale uma moeda ganha que uma moeda encontrada, ensine-o a perder mas também a saber gozar da vitória, afaste-o da inveja e dê-lhe a conhecer a alegria profunda do sorriso silencioso, faça-o maravilhar-se com os livros, mas deixe-o também perder-se com os pássaros do céu, as flores do campo, os montes e os vales.

Nas brincadeiras com os amigos, explique-lhe que a derrota honrosa vale mais que a vitória vergonhosa, ensine-o a acreditar em si, mesmo se sozinho contra todos. Ensine-o a ser gentil com os gentis e duro com os duros, ensine-o a nunca entrar no comboio simplesmente porque os outros também entraram.

Ensine-o a ouvir a todos, mas, na hora da verdade, a decidir sozinho, ensine-o a rir quando esta triste e explique-lhe que por vezes os homens também choram. Ensine-o a ignorar as multidões que reclamam sangue e a lutar só contra todos, se ele achar que tem razão.

Trate-o bem, mas não o mime, pois só o teste do fogo faz o verdadeiro aço, deixe-o ter a coragem de ser impaciente e a paciência de ser corajoso.

Transmita-lhe uma fé sublime no Criador e fé também em si, pois só assim poderá ter fé nos homens.

Eu sei que estou a pedir muito, mas veja que pode fazer, caro professor."

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

QUANTO VALES?


Uma frase do padre João Roberto Marques, antigo director do Colégio dos Carvalhos, à entrada da porta da sala do 6ºC que, no meu tempo de aluno, era a porta da entrada da Biblioteca. Uma quadra simples, bem ao estilo do poeta Aleixo, mas com uma profunda mensagem.

domingo, 29 de agosto de 2010

UM CHÁ? FAÇA O FAVOR!


Ando mais na onda do facebook.

Agora, só de quando em vez, quando alguma saudade aperta o coração, lá vou saltando de blog em blog daqueles amigos que nos tocaram mais, por este ou por aquele motivo, e dou um “vista de olhos”- Acredito que o "visitar" os amigos é um direito e não um dever.

Foi o que aconteceu hoje. Andei por aí a vaguear um bocadinho e fui parar ao blogue do Fernando Vasconcelos, o " Diz que não gosta de música clássica ?" onde, depois de ir lendo os postes, deparei com este em que o Fernando me distingue com um "convite" para um chá que agradeço desde já.

Vou continuar a “cadeia”, não só como forma de agradecimento pela distinção, mas porque acredito que “um mundo melhor” passa por aquecer o coração dos outros e aquecer, com os outros, o meu. E para mim o chá é símbolo disso mesmo. E não dizem que é à mesa, e muitas vezes “recheada” de coisas boas para o paladar, que se resolvem muitos conflitos? Conhecem aquele provérbio da "pátria" do chá que diz "Espero que da próxima vez, em vez de lutarmos, possamos tomar chá juntos"?


Então, vamos lá cumprir as regras do jogo:




1. Referir quem ofereceu o selo:

O blogue do Fernando Vasconcelos: " Diz que não gosta de música clássica ?"

2. Qual o teu chá preferido

Chá Verde

3. Quantas colheres de açúcar costumas usar?

Uma, pequenina.

4. Passar o selo a seis pessoas



A SOMBRA DO VENTO

BALANCED SCORECAR

MEMÓRIAS SOLTAS...

SLETRAS



P.S.: Tranquilos... na liberdade de quebrar ou manter a "cadeia".
Com um sorriso.abraço.beijo.aternuração.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

RECORDANDO MADRE TERESA DE CALCUTÁ

Faria hoje 100 anos se fosse viva. Uma das mulheres mais fantásticas que este mundo teve o privilégio de saborear a sua bondade e a sua extrema dedicação pelos "mais pobres entre os pobres". Deixo-vos um dos textos mais belos que ela escreveu.

A VIDA

A Vida é uma oportunidade: aproveita-a

A Vida é beleza: admira-a

A Vida é um dom: aprecia-o

A Vida é um sonho: realiza-o

A Vida é um desafio: aceita-o

A Vida é um dever: assume-o

A Vida é um jogo: joga-o

A Vida é cara: preserva-a

A Vida é um tesouro: conserva-o

A Vida é amor: saboreia-o

A Vida é mistério: aprofunda-o

A Vida é uma promessa: cumpre-a

A Vida é tristeza: ultrapassa-a

A Vida é uma canção: canta-a

A Vida é uma luta: trava-a

A Vida é uma tragédia: enfrenta-a

A Vida é uma aventura: ousa-a

A Vida é sorte: merece-a

A Vida é preciosa: não a destruas

A Vida é VIDA: luta por ela!



Madre Teresa de Calcutá

terça-feira, 3 de agosto de 2010

POR UM MUNDO MELHOR!

Uma belíssima canção de C.V. com umas boas dezenas de anos. Tempo de recordar a eterna "luta" pelo bem estar e pelos direitos dos Índios... A questão do Rio madeira... A Amazónia... Temas sempre apaixonantes.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

NA HORA DA PARTIDA, O MEU APLAUSO!

Sim, o meu aplauso!
O meu aplauso pela alegria que foi espalhando pelos cantos e recantos e pela esperança que foi semeando depois da experiência dolorosa da sua doença. Com ele vai um pouco de nós; connosco fica um pouco do António.

sábado, 24 de julho de 2010

A AUTORIDADE SEGUNDO SAVATER: PROPÕE-SE E IMPÕE-SE!


A AUTORIDADE PROPÕE-SE E IMPÕE-SE.


A palavra «autoridade» remete etimologicamente para o verbo latino augeo, que significa, entre outras coisas, fazer crescer. O paradoxo de toda a formação é o facto de o eu responsável se forjar a partir de escolhas induzidas, pelas quais o sujeito ainda não se responsabiliza. A aprendizagem do auto-controlo inicia-se com as ordens e indicações da mãe, que a criança mais tarde interioriza numa estrutura psíquica dual que a torna ao mesmo tempo um emissor e um receptor de ordens: quer dizer, a criança aprende a comandar-se a si própria, obedecendo aos outros.


Em todas as latitudes, as crianças crescem como a hera trepa pela parede, com o auxílio dos adultos que lhes oferecem ao mesmo tempo apoio e resistência. À falta desta tutela, nem sempre complacente, é possível que acabem por tornar-se disformes até à monstruosidade.

E a autoridade sobre elas exercida deverá caracterizar-se pela continuidade – primeiro, na família, depois, na escola: se a um período de abandono caprichoso se seguir uma brusca interrupção autoritária, será fácil que o resultado venha a revelar-se um desastre. Decerto, a autoridade dos maiores propõe-se aos menores como uma colaboração que lhes é necessária; mas, em certas ocasiões, terá também de se lhes impor. E é disparatado aplicar estritamente desde o infantário o princípio democrático segundo o qual tudo deve ser decidido entre iguais, porque as crianças não são iguais aos seus professores no que se refere aos conteúdos educativos.



(Fernando Savater)

terça-feira, 13 de julho de 2010

Pelo Tâmega, por Amarante, pela Anabela!


Uma forma de me unir às causas da Anabela do Tâmega, para que aquela região não fique de "pernas para o ar" como mostra a foto em cima que também é da Anabela. Força!


«A Barragem de Fridão no rio Tâmega é a maior ameaça ao desenvolvimento sustentável da região nas suas vertentes ambiental, social, económica e à segurança da cidade de Amarante."


A QUERCUS - Associação Nacional de Conservação da Natureza e a Associação Cívica Pró-Tâmega têm o grato prazer de o convidar a tomar parte no Jantar «SALVAR O TÂMEGA!», a ter lugar pelas 20H00 do dia 16 de Julho de 2010 (sexta-feira) no Salão de Banquetes do edifício TOP, na cidade de Amarante.

Este evento tem como objectivos dar conhecimento das iniciativas cívicas levadas a efeito com vista a salvar o Tâmega e à angariação de fundos para apresentação de um recurso judicial de impugnação da Declaração de Impacte Ambiental (DIA) da Barragem de Fridão.
A morada é: Rua Agostinho Gonçalves de Abreu - Edíficio TOP - Amarante.

As coordenadas para GPS são: 41 . 17 . 09 . N // 8 . 05 . 18 . W

As inscrições deverão ser feitas para o e-mail:

O jantar terá um custo por refeição de 15 € dos quais 5 € reverterão a favor da causae o pagamento poderá ser feito com transferência para o NIB 0035 0906 0007 8058530 83 - Caixa Geral de Depósitos (QUERCUS -Núcleo de Vila Real e Viseu)

Para efeito de marcação de presença neste encontro, os contactos preferenciais disponíveis são:
João Branco (964534761) - QUERCUS - Vila Real

Eng.º Luís van Zeller (914791651) - Pró-Tâmega - Amarante

Fernando Gomes 961873539 - Junta de Freguesia - Mondim de Basto

segunda-feira, 28 de junho de 2010

IN ILLO TEMPORE!


Em 1932, uma Comissão de Pais portugueses, numa reunião em Paris, escreveu sobre os seus filhos: “são capazes de esforços mentais intensos, mas curtos, são rebeldes ao esforço lento, à tenacidade, à persistência e à continuidade, são espíritos de grande vivacidade, propensos às sínteses rápidas, fulgurantes, mas são incapazes das análises pacientes, meticulosas e profundas; são cérebros de grande elasticidade mas sem firmeza, são inteligências abertas a todas as curiosidades, mas só atraídas com entusiasmo pela novidade e pelo inédito, são vontades facilmente vencidas e tornadas inertes pela monotonia das ocupações mentais”.

Mais vírgula, menos vírgula, digam lá se o retrato não é actual?

domingo, 27 de junho de 2010

LIVRO "VITAE"!


O meu Anjo escreverá
Letras a ouro
Em pano bordadas.

Outras a negro
Em linhas trocadas
Escritas á pressa e sem rigor
Para que não as possas entender
No meu livro da vida, Senhor!

quarta-feira, 23 de junho de 2010

O MEU APLAUSO!

Hoje, estava a cantarolar "Águia Pequena", quando me falaram do Rafael Diego, um menino "diferente", como me disse a Ana, e que aqui vos deixo a cantar a canção que eu cantarolava. Comovi-me a ver este pequenino vídeo. Que todos os "Rafinhas" nunca se cansem de se lançar na conquista dos seus sonhos e de voar bem alto, como a águias! Que nunca se cansem "de abrir as asas e voar" e construir os seus projectos de vida.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

NÃO GOSTE DO "AMOR"!


Goste de alguém que te ame, alguém que te espere,
Alguém que te compreenda mesmo nos momentos de loucura;
De alguém que te ajude, que te guie,
Que seja seu apoio, tua esperança, teu tudo.

Não goste do amor
Goste de alguém que não te traia,
Que seja fiel, que sonhe contigo,
Que só pense em você, que só pense no teu rosto,
Na tua delicadeza, no teu espírito.
E não no teu corpo, nem em teus bens.

Não goste do amor
Goste de alguém que te espere até o final,
De alguém que sofra junto contigo,
Que ria junto a ti, que enxugue suas lágrimas,
Que te abrigues quando necessário, que fique feliz com tuas alegrias
E que te dê forças depois de um fracasso.
Não goste do amor

Goste de alguém que volte pra conversar com você depois das brigas,
Depois do desencontro.
De alguém que caminhe junto a ti,
Que seja companheiro, que respeite tuas fantasias, tuas ilusões.

Goste de alguém que te ame.
Não goste apenas do amor.
Goste de alguém que sinta o mesmo sentimento por você!



Luis Fernando Veríssimo

domingo, 20 de junho de 2010

NA "ROTA" DO IRMÃO FRANCISCO!


Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz.


Onde houver ódio, que eu leve o amor,
Onde houver ofensa , que eu leve o perdão,
Onde houver discórdia, que eu leve a união,
Onde houver dúvida, que eu leve a fé,
Onde houver erro, que eu leve a verdade,
Onde houver desespero, que eu leve a esperança,
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria,
Onde houver trevas, que eu leve a luz.


Ó Mestre, fazei que eu procure mais
consolar que ser consolado;
compreender que ser compreendido,
amar, que ser amado.
Pois é dando que se recebe
é perdoando que se é perdoado
e é morrendo que se vive para a vida eterna...



Francisco de Assis

sexta-feira, 18 de junho de 2010

DA GRATIDÃO!!


Hoje, num postal de despedida: "Servir de exemplo não é a melhor forma de ensinar, é a única maneira de o fazer!" Obrigado pelo que me tem ensinado e por ser um exemplo para mim. Com amizade. C.P.
Que ensine alguma coisa, talvez! Que seja exemplo, tenho dúvidas. Mas que sabe bem ler estas coisas, disso não duvido. Obrigado, C.P.!

quarta-feira, 16 de junho de 2010

PARTILHA!


Há amigos que Deus nos colocou no caminho como que ao acaso (se é que os há!) e que depois se tornam essenciais na nossa vida. Ccz é um deles. Há já um tempo que não nos encontramos. Ultimamente só temos conversado por telefone ou por mail. Esta semana trocámos algumas notas por mail. Não resisti, com a sua autorização, a partilhar convosco parte do mesmo:

A propósito de ""Ainda que eu tenha o dom da profecia e conheça todos os mistérios e toda a ciência; ainda que possua a fé em plenitude, a ponto de transportar montanhas, se não tiver amor, nada sou." (1Co 13,2)" (Esta citação acompanha como rodapé os meus mail's - nota minha, Raul)

Se eu fosse colocado numa ilha deserta e só pudesse levar 3 trechos da Bíblia como companhia, não tinha dúvidas em escolher:


A parábola dos talentos - recorda-me o meu dever de trabalhar para a comunidade;
A parábola do filho pródigo - recorda-me o Amor do Pai (reconhece o filho ao longe e vai a correr para o abraçar e receber);
O capítulo 13 da primeira carta de S. Paulo aos Coríntios porque o Amor está acima de tudo. Porque já me ajudou bastante, porque já foi o meu conselho, porque já foi a minha bússola e... porque no último dia em que vi o meu pai, estava ele contrariado porque era uma pessoa pacata que não gostava do palco, ao final do dia, na igreja da aldeia onde nasceu, numa cerimónia para celebrar os seus 40 anos de casamento, leu este trecho tão bonito, tão verdadeiro e tão carregado de mensagem."

quarta-feira, 9 de junho de 2010

DA FELICIDADE E DOS SONHOS!


"Cada um tem de mim exactamente o que cativou, e cada um é responsável pelo que cativou. Não suporto a falsidade e a mentira, a verdade pode magoar, mas é sempre mais digna. O importante é lutar com determinação, abraçar a vida e viver com paixão. Perder com classe e vencer com ousadia, pois o triunfo pertence a quem mais se atreve e a vida é muito, para ser insignificante. Eu faço e abuso da felicidade e não desisto dos meus sonhos. O mundo está nas mãos daqueles que tem coragem de sonhar e correr o risco de viver seus sonhos." Charlie Chaplin

terça-feira, 1 de junho de 2010

EM JEITO DE PRECE!


Ao sabor do "Cristo Franciscano" como gosta de dizer o Arlindo (não sei se será uma heresia!), agradeço o dia vivido ontem, cheio de abraços-sorrisos-beijos-aternurações da família e dos amigos. Espero que a Marga não se zangue por lhe ter "roubado" a foto.

Obrigado bom Deus pela alegria dos anos vividos.
Obrigado pela minha família e os meus filhos.
Obrigado pela minha "alma gémea"
que me acompanha e me atura
e me comprende
e me ama!

OBRIGADO PELO DOM DA VIDA!


E


“Muito obrigado a Ti, Deus Oleiro,
porque modelaste a amizade
e a cozeste com a palma das tuas mãos.

Muito obrigado porque puseste ao meu lado

A presença afável do amigo
.....
Com os meus amigos vens Tu
Transformado em vagabundo, em sonhador,
Em homem ferido
....
Muito obrigado, Deus do beijo e da carta;
Do abraço e da presença;
Do segredo e da confiança”




Autor desconhecido,
citado por Atilano Alaiz

quarta-feira, 19 de maio de 2010

JESUS: O ENCONTRO DO CÉU COM O MUNDO!

Um belíssimo poema de Fernando Pessoa, "poema do menino Jesus" na voz de Maria Bethania.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

E O PRÉMIO VAI...


Este prémio atravessou o Atlântico e já deve ter percorrido muitos "cantinhos" deste país "à beira mar plantado"! Ao meu "cantinho" chegou via ANABELA MAGALHÃES a quem já agradeci o gesto.
Para cumprir as regras tenho agora que nomear outros dez blogues, que eu considero serem merecedores de tal prémio, apenas porque me fazem feliz (E não é o que de há mais importante nesta vida? Sermos felizes e tornar os outros felizes?).
São eles:

sábado, 1 de maio de 2010

PARA TODAS AS MÃES


ÊXTASE

- Não vês o céu, como está lindo?
- Vejo.

- Não vês o sol, como ele brilha?
- Vejo.


- Não vês os campos, tão floridos?
- Vejo.


- Mas para onde é que estás a olhar?
- Para ti, Mãe.



Lopes Morgado
in Mulher Mãe

domingo, 18 de abril de 2010

COM BENJAMIM ZANDER!

Benjamim Zander fala sobre música e liderança. IMPERDÍVEL!

quinta-feira, 8 de abril de 2010

HISTÓRIAS DE VIDA!

Histórias de vida! "Pedra a pedra, construindo um novo dia!..." Um bom vídeo para mostrar aos nossos jovens e educá-los contra a inércia que hoje é doença comum entre eles.

terça-feira, 6 de abril de 2010

NA PENA DE PEDRO CASALDÁLIGA!


Hoje, um post do E.I. fez-me recordar um poema, o que aqui vos deixo, de um grande HOMEM, D. Pedro Casaldáliga. Tem actualmente 82 anos. Convido-vos a conhecê-lo na sua página da web, onde poderão ler os seus escritos, poemas, entrevistas... As suas cartas abertas...

Um homem de uma verticalidade e coerência extraordinárias. Aqui fica o poema:

Epílogos abiertos

I
-Leyendo a Tiago de Melo

El río de la vida que va al mar.
La garza en la ribera, a toda hora.
Y terco, el corazón, para cantar
"la dolorida brasa de la aurora".

II
-Profecía extrema, ratificada-

Yo moriré de pie como los árboles.
(Me matarán de pie).
El sol, como un testigo mayor, pondrá su lacre
sobre mi cuerpo doblemente ungido,
y los ríos y el mar
se harán camino de todos mis deseos,
mientras la selva amada sacudirá sus cúpulas, de júbilo.

Yo diré a mis palabras: no mentía gritándoos.
Dios dirá a mis amigos: "Certifico
que vivió con vosotros esperando este día".


De golpe, con la muerte,
se hará verdad mi vida.
¡Por fin habré amado!

III

Y llegaré, de noche
con el gozoso espanto
de ver,
por fin,
que anduve,
día a día,
sobre la misma palma de Tu mano.


ADENDA: Filme que nos ajuda a conhecer um pouco Casaldáliga a partir do seu anel, como insígnia episcopal, de tucum, que se tornou símbolo da espiritualidade dos adeptos da Teologia da Libertação.


sexta-feira, 19 de março de 2010

FILHO PRÓDIGO!


Ao meu amigo M.P., com um abraço.


"Dois amigos, pai e filho, caminhando. Mas quem prestar atenção verá que entre eles vai surgindo um mundo. Da mansidão de olhar que não pede e nem manda vai acontecendo uma mágica... O mundo fica um lugar amigo. Às vezes jardim, onde tudo nos fala de beleza. À vezes lar, acolhedor e tranqüilo". (Rubem Alves)
O pai olhou o filho que se ausentava de mochila às costas. Uma lágrima correu-lhe por entre as ténues rugas da cara fria e rosada pelo vento que se fazia sentir. Ele sabia que mais tarde ou mais cedo aquele filho, o mais novo, iria partir para a Cidade da Avenida da Liberdade. Já nada o encantava na Cidade onde vivera até aquele dia: A Cidade da Rua da Liberdade - onde não há avenidas e a Rua da Liberdade é das ruas mais estreitas. Já em gerações anteriores acontecera o mesmo. Houve sempre alguém que partiu para a Cidade da Avenida da Liberdade. Poucos regressaram de lá. O último dos que partiram e voltaram, é aquele que agora vê o seu filho partir – e sabia tudo o que era aquela Cidade e aquela Avenida.

A Avenida da Liberdade atraía as pessoas por alguns dos seus encantos: Não há limites de velocidade; cada um conduz ao seu belo prazer, como quer e lhe apetece; não há sinais de trânsito nem polícias a controlar os excessos de velocidade nem a passar multas. Os problemas surgiam quando aconteciam acidentes e, infelizmente, havia muitos. Instalava-se o “caos”: Quem paga, quem assume, quem foi o maior culpado ou o maior lesado. Depois dos acidentes é que começam as grandes complicações na Avenida da Liberdade. Com o tempo, os que lá transitavam percebiam que, apesar do excelente campo visual e da adrenalina que se instava, nunca satisfazia plenamente alguém. O vício de percorrer aquela Avenida entranhava-se de tal maneira nas pessoas que muito dificilmente alguém conseguia de lá sair.

A Rua da Liberdade não é tão vistosa nem tão atraente: o trânsito é difícil e exige a máxima atenção dos que nela transitam. Há muitos sinais e alguns semáforos. Raramente se encontra um sinal vermelho que dure muito tempo e o que mais funciona é o verde. O amarelo vai lembrando que, na Rua da Liberdade, todo o cuidado é pouco. Não é um trajecto simpático e por isso muitos se lançavam na aventura de ir à procura da Avenida da Liberdade.

Depois da partida do seu filho, todos os dias, antes do sol-pôr, sentava-se na pedra que delimitava a fronteira entre as duas cidades e olhava o horizonte com a esperança de ver surgir uma silhueta que revelasse o regresso do seu filho. Foi naquela pedra que compôs algumas das suas canções ao som da guitarra que ele mesmo construíra. Muitos escutavam as suas canções e sabiam-nas de cor para ensinarem aos seus filhos e aos seus amigos.



Volta meu filho que partiste
Volta, sim, para o teu regaço
Espera-te, em casa, quem te ama
Pronto com um beijo e um abraço!



Era uma das suas preferidas. Estava a cantá-la, com mais amor que nunca, quando um amigo o interrompeu:

- Continuas a cantar pelo teu filho?
- Canto por ele e por mim. Tenho esperança no seu regresso. Eu também parti e voltei.
- Mas tu eras diferente. Eu conheço-te bem. Sempre brincámos juntos em pequenos e crescemos na mesma rua. És bem mais forte e corajoso que o teu filho. Não acredito que ele volte. Vai-lhe acontecer o mesmo que a muitos outros que vimos partir.
- Ninguém conhece o meu filho melhor do que eu. Eu sei o que ele vale.
- Porque não lhe chamaste a atenção dos perigos que a Avenida da Liberdade abarca?
- Não me alertaram a mim? Ouvi os conselhos que me deram? Tive que aprender eu próprio. O meu filho, também, parece-me, está a percorrer o mesmo caminho que o levará a encontrar as suas razões de viver.
- Mas devias ter-lhe contado a tua experiência. Tu próprio nos ensinaste que a única coisa que vale a pena ensinar aos outros é aquilo que lhes vai permitir ganhar tempo na aprendizagem do que é a vida. Mas tu próprio não fizeste isso ao teu filho!
Continuo a acreditar naquilo que te ensinei, porém, aquilo que podemos ensinar a uns e vai ajudá-los, pode não servir para outros. Alguns precisam de aprender por si próprios.
- És sempre imprevisível nas tuas respostas - depois destas palavras, o amigo despediu-se e foi-se embora.

O pai continuou de olhos fixos no horizonte e reparou que alguém descia o caminho em direcção da entrada da Cidade da Rua da Liberdade. O seu coração bateu forte e ele sentiu dentro de si que era o seu filho que estava de regresso. Quando tiveram a certeza quem eram, correram um para o outro e abraçaram-se.

- Eu sabia que tu regressavas! – disse o pai emocionado.
- E eu sabia que estarias à minha espera! – e apertou o pai num longo abraço. Depois, olharam-se durante alguns minutos envoltos em silêncio – mais precioso que muitas palavras – e soltaram lágrimas de felicidade.
- Desculpa meu pai o caminho que levei.
- É preferível continuarmos em silêncio. – Disse o pai enternecido. – Regressemos a casa.
- Mas pai, soube que tu também andaste por aqueles lados. Porque não me chamaste a atenção dos perigos que lá havia?
- Tu é que não estiveste atento ao que te fui ensinando e cheguei à conclusão que tinhas que aprender por ti próprio.
- Perdoa-me pai.
- Tens é que pedir perdão a ti próprio. O tempo que desperdiçaste era teu, não era meu. O caminho que percorreste era teu e de mais ninguém – foi dizendo o pai, sob o olhar atento do filho. – E sempre me ouviste dizer que na vida, de certa forma, não há erros; muitos dos acontecimentos em que participamos, por mais desagradáveis que sejam, são necessários para aprendermos o que precisamos de aprender. Errar, se assim quiseres, é aprender. O importante é lutarmos para não cometermos os mesmos “erros”.
- Não ficaste desiludido com a minha atitude?
- Fiquei triste na noite em que partiste e chorei toda a noite, mas desiludido? Nunca! Depois deixei de chorar e pensei e rezei por ti. Compreendi que tinhas que viver a tua vida até mudares e, apenas tu, só tu, o poderias fazer. Enquanto não arranjasses espaço na tua vida para alguém tão importante como tu próprio, viverias sempre sozinho, revoltado, insatisfeito, perdido. – Recuperou o folgo, com a ternura e a serenidade de sempre, continuou: - Não poderias ser um estranho de ti mesmo. A grande luta que tinhas que travar tinha que ser dentro de ti. Espero que tenhas encontrado o teu caminho e te tenhas encontrado a ti próprio e contigo. Espero que tenhas ganho a “batalha” mais importante da tua vida. – Esboçando um sorriso, ao mesmo tempo que acariciava o rosto do filho, concluiu: - Quando nasceste eu sabia que irias travar uma grande “batalha”. Por isso o nome que te dei.
- Não percebo!
- O teu nome, meu filho, significa “batalha”. Honra o teu nome e torna-te um grande “guerreiro”.
- Lembro-me de falares muitas vezes sobre isso do “guerreiro”.
- E foi falando sobre o “guerreiro” que eu te fui alertando para alguns “perigos” e te fui orientado para o caminho que eu achava correcto mas deste-me pouca atenção. – disse, franzindo o sobrolho. – Tinhas que encontrar o teu caminho pelos teus próprios meios.
- Quando andava pela “Avenida” da “Liberdade” vieram-me à memória muitas das coisas que me ensinaste. Só ali é que percebi muito do que me dizias.
- E foram essas “memórias” que te deram a força suficiente para regressares. Regressemos a casa. A tua mãe e os teus irmãos ficarão contentes por te reverem.

Os olhos do pai brilhavam de felicidade no caminho que levava a casa e o seu coração segredava: “Este meu filho andava perdido e encontrou-se; andava na escuridão e encontrou a Luz…” Colocando a mão no ombro do filho, disse-lhe: Há sempre uma estrela a guiar-nos!

sexta-feira, 12 de março de 2010

DA TOLERÂNCIA!


«Sendo que eu sou imperfeito e necessito de tolerância, e da bondade dos outros, também hei-de tolerar os defeitos do mundo, até que possa encontrar o segredo que me permita remediá-lo.» Gandhi

«A primeira lei da natureza é a tolerância, já que temos todos uma porção de erros e de fraquezas.»
Voltaire

«Tolerância não significa aceitar o que se tolera.» Mahatma Gandhi

«Concede ao teu espírito o hábito da dúvida, e ao teu coração o da tolerância.» Arthur Schnitzler

«Discordo daquilo que dizes, mas defenderei até à morte o teu direito de o dizeres.» Voltaire

«Tolerância significa desculpar os defeitos dos outros, e não reparar nos erros.» Arthur Schnitzler

«Tolerância é paciência concentrada.» Thomas Carlyle

«A Tolerância é a caridade da inteligência.» Jules Lemaître

«Uma opinião equivocada pode ser tolerada onde a razão é livre de combatê-la.» Thomas Jefferson

«Toda a Tolerância se torna, com o tempo, num direito adquirido.» Georges Clemenceau

«A responsabilidade da Tolerância está com os que têm a visão mais ampla.» George Eliot

«A lei de ouro do comportamento é a Tolerância mútua, já que nunca pensaremos todos da mesma maneira, já que nunca veremos senão uma parte da verdade e sob ângulos diversos.» Mahatma Gandhi

«Nenhuma qualidade é mais intolerável do que a intolerância.» Giacomo Leopardi

«A prática da tolerância ajuda-nos a controlar a mente temerosa e irada.» Textos Budistas

«A Tolerância é a melhor das religiões.» Victor Hugo

«A verdadeira semente da violência é a pobreza e a intolerância. Do que mais precisamos é de bom senso e de sentido de responsabilidade.» António Nóvoa

«A intolerância fecha os caminhos da compreensão, ao mesmo tempo que os da sensibilidade, caminhos aos quais só têm acesso as almas que sabem da sua semelhança com as demais.» Pecotche-Raumsol

«Tolerem a minha intolerância.» Jules Renard

«Na Terra há lugar para todos.» Schiller

domingo, 7 de março de 2010

TEMPO DE REFLEXÃO!

Ontem, um dos participantes no Festival da Canção:

"Se a tua luz não te ilumina,
não apagues a minha..."

Lembrei-me do jovem da Leandro da Luciano Cordeiro que cedeu a sua vida ao leito do rio para afagar as suas mágoas. Triste mundo este! E também me lembrei de uma belíssima reflexão sobre o que aconteceu ao Luciano, na pena do Arlindo:

"Não tenhamos medo nas palavras: os alunos agressores são COBARDES e é preciso soletrar-lhes isso naqueles rostos de armar "tarzan de urinol!" PUNI-LOS EXEMPLARMENTE e dar um sinal à comunidade educativa que Educar é pôr regras e ter a coragem e a imediaticidade de actuação. " Uma reflexão a ler, na íntergra, aqui.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

VELHOS TEMPOS?


Velhos tempos? Espero bem que não. Mas perturba-me as notícias que têm vindo a público que pessoas e instituições há, que, parece, estão a sofrer alguma espécie de censura. Que se preserve e se lute para que o bom nome das pessoas não seja "enxovalhado", de acordo. Que se tente amordaçar o direito de expressão, não posso aceitar de maneira nenhuma e protesto. E, a talhe de foice, lembro Voltaire:
"Discordo daquilo que dizes,
mas defenderei até à morte
o teu direito de o dizeres".

sábado, 13 de fevereiro de 2010

CONVERSAS DE ESPLANADA!


Há uns dias atrás, no café ao lado: Aqui del rei que esta juventude está perdida. Não sabe o que quer da vida! Gente adulta desiludida com os jovens. Não estarão, também, os jovens desiludidos connosco? Na hora do balanço, as culpas, acredito, estarão nos dois lados da barricada. Eu digo: É preciso confiar neles, escutá-los e conquistá-los para depois exigirmos, também, compromissos de futuro para eles e para o mundo. É que o esforço por um mundo melhor que hoje em dia nos é pedido e porque tal é urgente, tem que ser de todos, para todos e com todos. Ninguém pode ficar de fora!

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

RECADO DE FERNANDO NOBRE


Apesar de ter já uns dias o mail que me foi enviado por um amigo, tendo em conta a pertinência das palavras de Fernando Norte, Presidente da AMI, relativamente ao posicionamento do governo português e do patronato que defendem a manutenção, em Portugal, do salário mínimo nos montantes actuais, não queria deixar de as registar aqui, ou melhor, transcrever para aqui o mail que recebi:


O presidente da AMI, Fernando Nobre, criticou ontem a posição das associações patronais que se têm manifestado contra aumentos no salário mínimo nacional. Na sua intervenção no III Congresso Nacional de Economistas, Nobre considerou "completamente intolerável" que exista quem viva "com pensões de 300 ou menos euros por mês", e questionou toda a plateia se "acham que algum de nós viveria com 450 euros por mês?"


Numa intervenção que arrancou aplausos aos vários economistas presentes, Fernando Nobre disse que não podia tolerar "que exista quem viva com 450 euros por mês", apontando que se sente envergonhado com "as nossas reformas".


"Os números dizem 18% de pobres... Não me venham com isso. Não entram nestes números quem recebe os subsídios de inserção, complementos de reforça e outros. Garanto que em Portugal temos uma pobreza estruturada acima dos 40%, é outra coisa que me envergonha..." disse ainda.


"Quando oiço o patronato a dizer que o salário mínimo não pode subir.... algum de nós viveria com 450 euros por mês? Há que redistribuir, diminuir as diferenças. Há 100 jovens licenciados a sair do país por mês, enfrentamos uma nova onda emigratória que é tabu falar. Muitos jovens perderam a esperança e estão à procura de novos horizontes... e com razão", salientou Fernando Nobre.


O presidente da AMI, visivelmente emocionado com o apelo que tenta lançar aos economistas presentes no Funchal, pediu mesmo que "pensem mais do que dois minutos em tudo isto". Para Fernando Nobre "não é justo que alguém chegue à sua empresa e duplique o seu próprio salário ao mesmo tempo que faz uma redução de pessoal. Nada mais vai ficar na mesma", criticou, garantindo que a sociedade "não vai aceitar que tudo fique na mesma".


No final da sua intervenção, Fernando Nobre apontou baterias a uma pequena parte da plateia, composta por jovens estudantes, citando para isso Sophia de Mello Breyner. "Nada é mais triste que um ser humano mais acomodado", citou, virando-se depois para os jovens e desafiando-os: "Não se deixem acomodar. Sejam críticos, exigentes. A vossa geração será a primeira com menos do que os vossos pais".


Fernando Nobre ainda atacou todos aqueles que "acumulam reformas que podem chegar aos 20 mil euros quando outros vivem com pensões de 130, 150 ou 200 euros... Não é um Estado viável! Sejamos mais humanos, inteligentes e sensíveis".

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

NOTAS SOLTAS COM D. HÉLDER CÂMARA!


Nunca mais esquecerei essa figura franzina, de sorriso largo e olhar sereno - vejam a foto que acompanha o texto -, que conheci num encontro de Jovens na Igreja de Cedofeita no Porto, no início da década de 80 do século passado (que estranho!). Pouco mais de um metro e cinquenta, "bonzinho e feiinho como o E.T." ( na altura fazia furor o filme), como ele próprio se definia, encantou a plateia e as três horas que alí passámos parecia que tinham sido apenas uns minutinhos.
Hoje, partilho convosco, neste espaço, três "notas" poema-refleção-partilha-inquietações de um dos seus livros: O Deserto é Fértil:



SE DISCORDAS DE MIM, TU ME ENRIQUECES!

Se és sincero
e buscas a verdade
e tentas encontrá-la como podes,
ganharei
tendo a honestidade
e a modéstia
de completar com o teu
meu pensamento,
de corrigir enganos,
de aprofundar a visão...



LIÇÕES QUE NÃO NOS DEVEM ESCAPAR!

Diante de um colar
- belo como um sonho-
admirei, sobretudo,
o fio que unia as pedras
e se imolava anónimo
para que todas fossem um...


AFINADOR

Admiro e quase invejo
não tanto
teu ouvido privilegiado
que capta
cada nota,
e sente em cada uma
o mais leve desajuste
o menor passo em falso...

Admiro e quase invejo
a fineza com que levas
notas dissonantes
a de novo
se harmonizarem...



D. Hélder Câmara in O DESERTO É FÉRTIL

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

DOS SINAIS QUE NOS VÃO SURGINDO PELO CAMINHO!


Um rapaz que ia muito mal na escola. As suas notas e o seu comportamento eram uma decepção para os seus pais que sonhavam vê-lo formado e bem sucedido. Um belo dia, o bom pai propôs-lhe um acordo: Meu filho, se mudares o comportamento, se te dedicares aos estudos e conseguires entrar para a Faculdade de Medicina, dar-te-ei um carro de presente. Por causa do carro, o rapaz mudou da água para o vinho. Passou a estudar como nunca e a ter um comportamento exemplar. O pai estava feliz, mas tinha uma preocupação: Sabia que a mudança do rapaz não era fruto de uma conversão sincera, mas apenas do interesse em obter o automóvel. Isso era mau! O rapaz seguia os estudos e aguardava o resultado de seus esforços. Assim, o grande dia chegou! Entrou para o curso de Medicina.

Como havia prometido, o pai convidou a família e os amigos para uma festa de comemoração. O rapaz tinha a certeza que o pai lhe daria o automóvel, na festa. Quando pediu a palavra, o pai elogiou o resultado obtido pelo filho e entregou-lhe um presente. Crendo que ali estavam as chaves do carro, o rapaz abriu emocionado o pacote. Para sua surpresa, o presente era uma BÍBLIA. O rapaz ficou visivelmente decepcionado e nada disse. A partir daquele dia, o silêncio e a distância separaram pai e filho. O jovem sentia-se traído e, agora, lutava para ser independente. Deixou a casa dos pais e foi morar para próximo da Faculdade. Raramente mandava notícias à família. O tempo passou. Formou-se. Conseguiu um emprego num bom hospital e esqueceu-se completamente do pai.

Todas as tentativas do pai para reatar os laços foram em vão. Até que um dia o velho, muito triste com a situação, adoeceu e não resistiu. Faleceu. No enterro a mãe entregou ao filho, indiferente, a BÍBLIA que tinha sido o último presente do pai e que havia sido deixada para trás.

De volta à sua casa, o rapaz, que nunca “perdoara” o pai, quando colocou o livro numa estante, notou que havia um envelope dentro dele. Ao abri-lo, encontrou uma carta e um cheque. A carta dizia: "Meu querido filho, sei o quanto desejas ter um carro. Eu prometi e aqui está o cheque para que escolhas aquele que mais te agradar. No entanto, fiz questão de te dar um presente ainda melhor: a BÍBLIA SAGRADA. Nela aprenderás o Amor a Deus e a fazer o bem, não pelo prazer da recompensa, mas pela gratidão e pelo dever de consciência". Corroído de remorsos, o filho caiu em profundo pranto.

Como é triste a vida dos que não sabem ler os sinais que vão surgindo pelo caminho!


(Autor desconhecido)

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

BOM DIAAAAAA!!!!!!!


Ora então
bom dia minha gente
sadia

Aqui vai o meu bom dia enorme
polvilhado em toda a dimensão
da hora verdadeira em que nós somos gente
com toda a força de todos os caminhos
Bom dia por aí
cheio da beleza de tarefas de alegria
e senso positivo
rigorosamente positivo
tal como este instante de sol que nos abraça
neste bom dia apanágio
neste gesto sempre eterno
corre corre envolve tudo
no tudo deste bom dia

Bom dia irmã Salomé
pai João avó Rosária
sorrisos para vocês
Bom dia rios e pássaros
cidades e matagais
mussocos e estradas de mar
Bom dia rostos e rostos
palavras gestos e actos
minha sonata de vida
em cada gota de pão

Bom dia mãe Isabel
mãe do meu reino do mar
benção do meu procurar
dos meus sons e dos meus muros
Bom dia senhor doutor
Dona Chica carro grande
servente para o jardim
com uma flor diferente
para cada sol de manhã

Bom dia meninos de escola
bata branca suja d'óleo
pés descalços na lagoa
correndo minutos e horas
num Dinguir de aventuras
de cajús e tambarinos

Bom dia na palma da mão
na tela dos largos fantasmas
altas casas avessos cheios
fomes frios e sedes
gente toda minha gente
bom dia para vocês
em labaredas de rosas
campos e campos de asfalto
bandeiras astros e cantos
dedos frutos labirintos
medalhas e símbolos abertos
chuvas e feras e bruxos
logarítmos e átomos
sonos portas e estatutos
esquinas vontades e mitos
Oh terra da minha gente
ao suor desta manhã
aqui está o meu abraço
que eu grito no canto enorme
do calor do nosso sol
aberto de par em par
ao meu bom dia constante

Aqui estou eu homem todo
num gesto de amor total
em cada rosto que passa
cheio de pressa em chegar
sem geito de poder ir
Eu homem músculos barro
palavras e movimento
sangue nervos e vontade
no encontro comum dos sons
da manhã desta cidade
repetindo por aí fora
o meu bom dia de gente.

João Abel - Bom Dia

João Abel Martins das Neves, poeta angolano.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

HAITI

«Muita gente pequena,
fazendo pequenas coisas,
em muitos lugares pequenos,
pode mudar o mundo»


(Provérbio africano)

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

DO CONHECIMENTO E DA IGNORÂNCIA!


"Creio que vale a pena tentar conhecer mais sobre o universo, ainda que tudo o que conseguimos trazer à luz do dia nessa tentativa mais não seja do que o reconhecimento de quão pouco sabemos. Seria desejável que por vezes nos lembrássemos que é precisamente no pouco que sabemos que somos diferentes, já que somos todos ...iguais na nossa ilimitada ignorância."

Karl Popper
in "Em busca de um mundo melhor" (p. 59).


Por isso precisamos do Outro para nos aproximarmos da Verdade, nesta atitude humilde de que sabemos pouco e só na partilha e caminhando com os outros poderemos ir mais além.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

CANÇÕES DO MEU BAÚ!

Para o Padre Rui Marto que andava à procura desta canção.

sábado, 23 de janeiro de 2010

A LIBERDADE (e a diferença) TEM DE PASSAR POR AQUI!


Hoje comecei a “teclar” algumas linhas, não porque tivesse algo de especial para dizer, mas apenas para um “desabafo” - e era esse o título que queria dar a este post, mas, por acaso, um brevíssimo comentário, algures, do JMA, “ a liberdade (e a diferença) tem de passar por aqui!”, fez-me trocá-lo por este.


E tudo isto porque ontem, fazendo horas para ir buscar o meu filho ao treino de andebol, depois de ter estado em amena cavaqueira com um amigo de longa data, apareceu-me o V.D. que, sem demora, disparou: “Nem parece teu… Estavas a conversar com aquele sujeito? Ainda nas últimas eleições apoiou o J.T. (lista concorrente à que eu integrava) e disse…”


Não querendo perder tempo com tamanha barbaridade e insanidade mental, disse-lhe que me desculpasse mas que eram horas de ir buscar o meu filho. E aquilo ficou-me a remoer as entranhas. Já há uns dias atrás outro companheiro aqui do burgo me tinha alertado sobre um outro amigo: “Sabes que ele é Testemunha de Jeová? Anda muitas vezes pela minha rua. É preciso ter cá uma lata!” E lembrei-me de Torga: “O que é pena é que neste areal da vida, onde cada um segue o seu caminho, não haja nem tolerância nem humildade para respeitar o norte que o vizinho escolheu.”


Poia a chuva quando cai, cai no meu quintal e no quintal do meu vizinho; o sol que brilha no meu quintal, brilha no do vizinho também; podemos beber, cada qual do seu lado, do riacho que divide o meu quintal do quintal do meu vizinho, mas bebemos a mesma água. Eu acredito em Deus e que Deus é amor e de mãos abertas. Nós é que muitas vezes fechamos a mão querendo esconder Deus nela, só para nós, quietinho, bem ao nosso jeito. Mas “Deus é aberto, nós é que o fechamos”, como gosta de dizer o padre Zézinho.


E respeito, respeito muito, quem pensa diferente, quem tem as suas crenças, as suas convicções e luta por elas.


Nesta vida, temos que aceitar o caminho que cada um pretende seguir, seja no campo religioso ou político, pessoal e profissional... desde que não coloquem em causa valores e direitos do Outro. “ A liberdade (e a diferença) tem de passar por aqui”: tolerância e humildade para “respeitar o Norte” que cada um escolheu.


ADENDA: 24.01.2010: A talhe de foice, do cantinho da Marga:


"Como é vazia a existência dos que se intrometem nos assuntos alheios imiscuindo-se na vida dos outros!
Invadem a privacidade alheia com o único propósito de preencherem um pouco a sua, destituída de interesse"


Almudena de Arteaga
in "A Princesa de Éboli"

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

O MEU APLAUSO!

Um bom momento de teatro pelos nossos alunos do Clube de Teatro do Secundário, liderados pelos professores Maria Rui e Pedro Gil. "Encontros e Desencontros no Elevador", levou-nos a episódios do dia-a-dia representados de uma forma muito divertida, com textos idealizados pelos alunos e que nos fizeram rir uma boa horinha e que ninguém deixou de seguir com entusiasmo. Alguns alunos foram uma verdadeira revelação. Para todos eles o meu aplauso!



quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

DA AMIZADE! (II)

Não conhecia esta "dedicatória" de Fernando Pessoa. Deixou-ma a Margarida em comentário mais abaixo. Partilho convosco:


DEDICATÓRIA AOS AMIGOS



"Um dia a maioria de nós irá separar-se.
Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, das descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos que partilhamos. Saudades até dos momentos de lágrimas, da angústia, das vésperas dos finais de semana, dos finais de ano, enfim... do companheirismo vivido.
Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre.
Hoje não tenho mais tanta certeza disso.
Em breve cada um vai para seu lado,
seja pelo destino ou por algum desentendimento,
segue a sua vida.
Talvez continuemos a nos encontrar, quem sabe... nas cartas que trocaremos.
Podemos falar ao telefone e dizer algumas tolices...

Até que os dias vão passar, meses...anos... até este contacto se tornar cada vez mais raro.
Vamo-nos perder no tempo....

Um dia os nossos filhos vão ver as nossas fotografias e perguntarão: "Quem são aquelas pessoas?" Diremos...que eram nossos amigos e...... isso vai doer tanto!

"Foram meus amigos, foi com eles que vivi tantos bons anos da minha vida!"

A saudade vai apertar bem dentro do peito.
Vai dar vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente...... Quando o nosso grupo estiver incompleto... reunir-nos-emos para um último adeus de um amigo.
E, entre lágrimas abraçar-nos-emos. Então faremos promessas de nos encontrar mais vezes desde aquele dia em diante.
Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vida, isolada do passado.
E perder-nos-emos no tempo..... Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não deixes que a vida te passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades.... Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!"


Fernando Pessoa

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

PORQUE HOJE FARIA ANOS!

"É urgente o amor", foi o primeiro poema que aprendi de Eugénio de Andrade que, se ainda fosse vivo, faria - segredou-me o JMA-, hoje, 87 anos. É urgente o amor e a poesia nas nossas vidas!

É urgente o amor


É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

DA AMIZADE!

Em comentário a uma "NOTA" no meu "cantinho" do Facebook, o Junior Teixeira fez uma pequena mas bonita reflexão que gostaria aqui de partilhar:


Amigo é como lufada de ar fresco em tempos de calor; protecção quando chove , degrau quando precisar.


Considero amigo todos os que escrevem por si , para si e para uma humanidade! Temos nas palavras um testemunho, uma prova que realmente existimos! E um amigo é alguém que deixa a sua escrita nas nossas vidas, que assume a preocupação e o risco de ir contra a corrente, se nos estivermos a afastar! Deixa o seu testemunho...


Somos coesos quando encontrámos pessoas a quem podemos apelidar com a maior satisfação , com o maior agrado , amigo!

Porque tal como diz o texto:
"Com os meus amigos vens Tu ...
Transformado em vagabundo, em sonhador,
Em homem ferido."

Tenho fé que cada pessoa que se depara no nosso caminho , tem uma palavra, uma pista , para avançarmos, para partirmos para uma descoberta.. Nem sempre boa , está certo , mas se assim fosse , onde estaria posta à prova a nossa inteligência, a nossa astúcia ? Onde estaria à prova , a verdadeira escolha da distinção entre o que é mau e o que é bom ? - No que toca a amigos, claro!
E só falando e interagindo com amigos verdadeiros é que crescemos, quer como pessoas , quer como amigos. Só assim somos capazes de verdadeiramente Ser!

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

DA ESCOLA E DOS SEUS TESOUROS!

Mais uma vez vou na onda do JMA e partilho connvosco comentário que lhe deixei por causa de mais um belíssimo texto de Santos Guerra, " O Tesouro de Penabranca", que ele colocou no seu/nosso "Terrear". Aqui fica:


Como aquela história Bíblica

do vendedor de pérolas

que vende tudo

porque acredita que descobriu a mais preciosa de todas elas.


E com isto uns belíssimos parágrafos do Alquimista de Paulo Coelho:

"Andaram em silêncio mais dois dias.
(…)
- Porque temos de escutar o nosso coração? – Perguntou o rapaz quando acamparam naquele dia.
- Porque, onde ele estiver, é onde estará o teu tesouro.
- O meu coração está agitado – disse o rapaz.
(…)
«Mesmo que eu reclame um pouco – dizia o seu coração – é porque sou um coração de homem, e os corações dos homens são assim. Têm medo de realizar os maiores sonhos, porque acham que não merecem alcançá-los, ou não poder consegui-los…»
(…)
«Cada momento de busca é um momento de encontro», disse o rapaz ao seu coração. «Enquanto procurei o meu tesouro, todos os dias foram luminosos, porque eu sabia que cada hora fazia parte do sonho de o encontrar. Enquanto procurei este meu tesouro, descobri no caminho coisas que jamais teria sonhado encontrar, se não tivesse tido a coragem de tentar coisas impossíveis aos pastores.»
(…)
Disse que todo o homem feliz era um homem que trazia Deus dentro de si. E que a felicidade podia ser encontrada num simples grão de areia do deserto, como o Alquimista tinha dito. Porque um grão de areia é um momento da Criação, e o Universo demorou milhares de milhões de anos para criá-lo.
«Cada homem na face da Terra tem um tesouro que está esperando por ele». Disse o seu coração. «Nós, os corações, costumamos falar pouco destes tesouros, porque os homens já não querem mais encontrá-los. Só falamos dele às crianças. Depois deixamos que a vida encaminhe cada um em direcção ao seu destino. Mas, infelizmente, poucos seguem o caminho que lhes está traçado, e que é o caminho da Lenda Pessoal e da felicidade».
(…)
«Então nós, os corações, vamos falando cada vez mais baixo, mas não nos calamos nunca».
(…)
O rapaz lembrou-se de um velho provérbio da sua terra. Dizia que a hora mais escura é a que vem precisamente antes do sol nascer."



In, O Alquimista (pp. 190-195), Pergaminho, 1998



Que saibamos escutar o Coração da Escola, para que ela encontre o “caminho da Lenda Pessoal e da felicidade.” Cada Escola tem o seu projecto-lenda-caminho-tesouro-grão.de.areia-sonho e temos que tentar coisas impossíveis com os alunos. E os professores, no momento em que estamos, “não nos calamos nunca” mas no que é essencial: Escutar o coração da escola; o coração da sala de aula; o coração do recreio. É lá que fazemos falta. A hora não é fácil, sem dúvida, mas “a hora mais escura é a que vem precisamente antes do sol nascer.”

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

DA ESTRATÉGIA!

“Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”
(de uma canção brasileira)


Tenho estado a ler um livro de um amigo, daqueles amigos com quem temos o prazer de trabalhar (ainda que no nosso caso seja pontualmente) mas, sobretudo, de conversar sobre coisas paralelas ao nosso trabalho: a vida, a amizade, o mundo que nos rodeia, as inquietações, a família, Deus, Religião… Daqueles amigos que são amigos. Com quem o café que tomamos tem outro sabor. Não vou deter-me sobre o livro, “Balanced Scorecard, concentrar uma organização no que é essencial”, que podem ficar a conhecer aqui. Apenas quero partilhar convosco alguns parágrafos do mesmo e que dão corpo ao título deste post:

“Pensar em estratégia é pensar para lá da espuma dos dias, para lá da imensidade dos pequenos detalhes e pensar no que é realmente determinante. Pensar em estratégia é pensar em fazer as coisas certas, as coisas que têm de ser feitas (…) Representa cortar as amarras com o desconhecido (…) Sem uma estratégia, uma organização não passa de uma amálgama de indivíduos, cada um seguindo o seu caminho independente, cheios de boas intenções, decerto, mas não fazendo o que interessa para o sucesso do todo (…)
(…)
Estratégia é o caminho que uma organização decide percorrer para evoluir de onde está para onde quer estar no futuro, vai ao encontro do futuro que desenhou, que perspectivou, que quer… não espera que o futuro a surpreenda.” (p 45)
(…)
“Estratégia, além de caminho, é também forma, é também molde, porque acaba por moldar as organizações, tal como o oleiro molda o barro; serve não só para direccionar a atenção das pessoas que trabalham na organização mas também para dar razão de ser à organização, quer para os seus colaboradores, quer para quem está de fora. A estratégia molda a organização, disciplina a organização.” (p 47)
(…)
“A estratégia permite que a organização concentre os seus recursos e explore as suas oportunidades e as suas capacidades e conhecimentos ao máximo. As estratégias reflectem os resultados da aprendizagem organizacional, os padrões que se formam em torno das iniciativas que resultaram melhor. Ajudam a assegurar que são e serão aproveitadas e exploradas por inteiro.” (p 48)


Carlos Pereira da Cruz
in Balanced Scorecard, concentrar uma organização no que é essencial
Vida Económica, 2006