sábado, 28 de novembro de 2009

ONTEM, HOJE... AMANHÃ? ESPERO QUE NÃO!

Na linha do post anterior que nos remetia para um texto de PL, fica aqui o "nosso" Eça num texto de 1871, por indicação da minha Émy (minha alma gémea). Qualquer parecença com a realidade actual será pura ficção?! Pura coincidência?! Ou não!!!


"Estamos perdidos há muito tempo...

O país perdeu a inteligência e a consciência moral.
Os costumes estão dissolvidos, as consciências em debandada.
Os caracteres corrompidos.
A prática da vida tem por una direcção a conveniência.
Não há princípio que não seja desmentido.
Não há instituição que não seja escarnecida.
Ninguém se respeita.
Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos.
Ninguém crê na honestidade dos homens públicos.
Alguns agiotas felizes exploram.
A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia.
O povo está na miséria.
Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente.
O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo.
A certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências.
Diz-se por toda a parte: "O país está perdido!"
Algum opositor do actual governo?...
NÃO!"

Eça de Queirós in "As Farpas"

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

NA ROTA DOS BLOGUES AMIGOS!

Convido-vos a dar um salto ao espaço do PL e ler uma excelente reflexão, ao sabor de Zeca Afonso: VAMPIROS!

O PROFESSOR, JOGADOR DE PÓKER!



Um bom jogador de póker jamais se queixa; procura jogar as suas cartadas da melhor maneira. A eficácia do professor também assenta num adequado manejar das cartadas que estão ao seu alcance com o intuito de gerir da melhor forma a situação que lhe cabe viver. Algumas das armas são:


ASSERTIVIDADE: Capacidade de fazer-se respeitar e de respeitar os outros, sem cometer nem tolerar abusos;


COMUNICAÇÃO: Capacidade para transmitir e captar mensagens, incluindo a observação e a escuta, assim como a facilidade para causar impacto com as mensagens emitidas;


EMPATIA: Capacidade para conectar emocionalmente com os alunos, ou seja, “cair em graça”;


GESTÃO PROACTIVA E CRIATIVA DOS CONFLITOS: Capacidade para converter os problemas em oportunidades para ensinar e aprender, de gerir variáveis que convertam desvantagens em vantagens;


INFLUÊNCIA: Poder para conseguir mudanças, hábitos e atitudes dos alunos;


NEGOCIAÇÃO: Capacidade de colaborar com os alunos no intuito de chegar a acordos vantajosos para ambas as partes;


AUTOCONTROLO: Capacidade de inibir impulsos que gerem prejuízos posteriores;
AUTO-ESTIMA: Valorização de si mesmo;


AUTO-MOTIVAÇÃO: Capacidade para se auto-propor novas metas e esforçar-se o quanto necessário seja para alcançá-las;


RESILIÊNCIA: Capacidade para superar adversidades, saindo reforçado das mesmas;


OPTIMISMO: A esperança custa tanto como a desesperança. Perante qualquer problema, ao lado lamúrias paralisantes, há sempre uma acção mobilizadora, uma acção, ainda que pequena, que nos possibilita acercar-nos dos nossos objectivos e nos afasta do desânimo: perante os problemas, soluções e não preocupações.



In, Padres y Maestros, Outubro, 2009, PP. 14

SE ERRAS, CORRIGE! SE ACERTAS, MELHORA!


Ninguém tem duvidas que a procura constante da melhoria é geradora do nosso bem estar e do nosso crescimento, tanto a nível pessoal (vida familiar, projectos de vida, amizade…) como a nível profissional.


A Revista “Padres y Maestros” do mês de Outubro e que ontem me chegou à caixa de correio, lança-nos um desafio:


Descobre alguma falha que tenhas cometido recentemente e aponta uma medida correctiva que evite a repetição do mesmo no futuro. Descobre, também, um “acerto” e faz o propósito de consolidá-lo e, na medida do possível, levá-lo à perfeição.


Erro:______________________
Medida correctiva: ____________
“Acerto”: ___________________
Melhoria Possível _____________


Um caminho possível de melhoria do que somos, pois, “não há caminho, o caminho faz-se caminhando.”

terça-feira, 24 de novembro de 2009

A CAMINHO DO NATAL! (I)

Daqui a um mês, neste mesmo dia, estamos na azáfama última para a Ceia de Natal. Ainda falta muito tempo. Mas as ruas, as montras, as lojas... Já começaram a mostrar o encanto do Natal. Ontem, o Nuno Pereira, do 5º ano, fez o seu primeiro "post" texto no seu blogue. Deu-me a notícia há umas horitas. Um texto pequenino mas pleno de significado. Roubei-lhe o texto:


Um sonho de Natal

Era uma vez um menino chamado Manuel.
Numa noite muito fria o Manuel teve um sonho.
Sonhou que o mundo estava muito melhor porque as pessoas eram todas amigas e não havia muros entre vizinhos.
O menino percebeu que era muito melhor viver assim.
Quando ele acordou, exclamou: - Estava a ser tão bom!!!!!!
Quem me dera que o mundo fosse como o meu sonho.

TUDO O QUE EU SEI!

Esta manhã, mais uma vez...
(...)
Eu vou chorar e sorrir e pensar,
que eu nada sei,
do amanhã...
Tudo o que eu sei se resume em saber:
Que o Pai me ama,
Que Ele me chama,
´
P´ra me fazer feliz.

José Fernandes de Oliveira

domingo, 22 de novembro de 2009

TEMPO DE REFLEXÃO!

(...)
- Ando à procura de amigos. O que é que "significa “cativar”?
- É uma coisa que toda a gente se esqueceu - disse a raposa. - Quer dizer que se está ligado a alguém, que se criaram laços com alguém.
- Laços?
- Sim, laços - disse a raposa. - Ora vê: por enquanto, para mim, tu não és senão um rapazinho perfeitamente igual a outros cem mil rapazinhos. E eu não preciso de ti. E tu também não precisas de mim. Por enquanto, para ti, eu não sou senão uma raposa igual a outras cem mil raposas. Mas, se tu me cativares, passamos a precisar um do outro.
(…)
- Vou-te contar o tal segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos... - O essencial é invisível para os olhos - repetiu o principezinho, para nunca mais se esquecer. -Foi o tempo que tu perdeste com a tua rosa que tornou a tua rosa tão importante. - Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... - repetiu o principezinho, para nunca mais esquecer.

"O Principezinho" de Antoine de Saint-Exupéry.

E já que o momento de reflexão é retirado do "Principezinho", deixo aqui um vídeo que a IC encontrou no YOUTUBE e que partilhou no seu cantinho, como sugestão de prenda de Natal.

MISS EDUCAÇÃO!

Em poste um pouco mais abaixo, ficou aqui registado o "parto" de "Folhas Dispersas" do meu bom amigo Meireles. Li e reli alguns dos poemas do livro para que um deles tivesse a honra de ser o primeiro a saltar para este espaço. A escolha estava a ser difícil mas lá me decidi por MISS EDUCAÇÃO, pela sua actualidade apesar de escrito em 1952. Realço aqui um verso que bem podia ser uma mensagem a levar a todos quantos parecem ser doutos quando neste país se fala, se discute e se legisla sobre educação:

"Não vai a ferro e fogo; nem se concebe
Que a queiram infiltrar sem ser por bem"

Digam lá se não tenho razão. E aqui fica o poema completo:


MISS EDUCAÇÃO

Quem não a vê?... Singela como a flor;
- Tão moderna ela é, e tão antiga! -
Porte sereno e firme, olhar que obriga.
Conhece-a já, senhor educador?...

Tímida, só se prende ou se detém
Pelo amor do que a dá ao que a recebe.
Não vai a ferro e fogo; nem concebe
Que a queiram infiltrar sem ser por bem.


Mercenários?... Ai, Miss Educação:
Permite-me sofrer... chorar contigo,
P'los que te entregam por fugaz quinhão.

Aquele educador que já não peca
Na máxima: "ou cumpres ou castigo"
Prove-mo, e gritarei ao mundo: "Eureka!"


António de Levi Meireles,
in "Folhas Dispersas", pg. 40