quarta-feira, 16 de julho de 2008

VIAGEM À HOLANDA!

Quando este texto me chegou por mail, via André Sousa, colega e amigo e que alguns já conhecem por ter aparecido por aqui uma que outra vez, pelo título, no momento, não dei grande importância. Pensei que seria alguma proposta de férias dele ou coisa do género. Algumas horas depois , quando o li, senti que o tinha de partilhar aqui. O texto é de Emily Knisley, que é frequentemente solicitada a descrever a experiência de dar à luz uma criança com deficiência - uma tentativa de ajudar pessoas que não têm com quem compartilhar essa experiência única, ajudá-las a entendê-la e imaginar como é vivenciá-la. Aqui fica:

Ter um bebé é como planear uma fabulosa viagem de férias - para a ITÁLIA! Você compra montes de guias e faz planos maravilhosos! O Coliseu. O David de Miguel Ângelo. As gôndolas em Veneza. Você pode até aprender algumas frases simples em italiano. É tudo muito excitante. Após meses de antecipação, finalmente chega o grande dia! Você arruma as suas malas e embarca. Algumas horas depois você aterra. O comissário de bordo chega e diz:


- "BEM-VINDO À HOLANDA!"

"Holanda!?! "diz você". O que quer dizer com Holanda!?!? Eu escolhi Itália ! Eu devia ter chegado a Itália. Toda minha vida sonhei em conhecer Itália."

Mas houve uma mudança de plano de voo. Eles aterraram na Holanda e é lá que você deve ficar. A coisa mais importante é que eles não te levaram a um lugar horrível, desagradável, cheio de pestilência, fome e doença. É apenas um lugar diferente. Logo, você deve sair e comprar novos guias. Deve aprender uma nova linguagem. E você irá encontrar todo um novo grupo de pessoas que nunca encontrou antes.


É apenas um lugar diferente. É mais baixo e menos ensolarado que a Itália. Mas, após alguns minutos, você pode respirar fundo e olhar ao redor... E começar a notar que a Holanda tem moinhos de vento, tulipas e até Rembrants e Van Goghs.


Mas, todos os que você conhece estão ocupados, indo e vindo da Itália... e estão sempre comentando o tempo maravilhoso em que passaram lá. E por toda a sua vida, você dirá : "Sim, era lá que eu deveria estar. Era tudo o que eu havia planeado."

E a dor que isso causa nunca, nunca irá embora... porque a perda desse sonho é uma perda extremamente significativa.


Porém... se você passar a sua vida toda remoendo o facto de não haver chegado a Itália, nunca estará livre para apreciar as coisas belas e muito especiais... sobre a Holanda.

Emily Perl Knisley

9 comentários:

Joana disse...

muito bonito =')

BC disse...

Também gostei muito, e é bem certo,
essa comparação está muito bem feita.
Agora lembrei-me de uma coisa mas nem a vou comentar, fica no role da coincidências!!!!
Abraço Raul

Émy disse...

Este texto de Emily Perl é muito bonito e é uma forma muito interessante de nos fazer entender o que uma mãe sente quando o seu filho é diferente dos outros meninos.
É uma excelente lição de vida e de amor, que nos ensina que acima de tudo devemos amar os nossos filhos como eles são e não como esperavamos que eles fossem!

"Porém... se você passar a sua vida toda remoendo o facto de não haver chegado a Itália, nunca estará livre para apreciar as coisas belas e muito especiais... sobre a Holanda."
Emily Perl Knisley

Maria do Carmo Cruz disse...

Comovi-me. Não por ter o "coração mole", como dizem os brasileiros. Comoveu-me a enorme coragem desta Mãe e a extraordinária verdade que ela diz com tanta simplicidade, e que a Émy citou no seu comentário. E que inteligentemente alargou a todos os filhos, porque cada Filho é ele e não o que nós queríamos ou sonhávamos. Muitas vezes, graças a Deus, o nosso sonho e o nosso Filho são o mesmo. Não por coincidência nem acaso. Por encontro. E é isso que precisamos fazer: encontrar os nossos Filhos e amá-los como eles são, ajudando, empando, se necessário, como muito Amor, podando, polindo, para que possa crecer o mais direito possível, no seu coração.
Obrigada, Raul. Avó Pirueta

(empando, do verbo empar. Tem a ver com videiras...)

Anabela Magalhães disse...

Amei ler. Já tive alunos com distrofia muscular, surdez, paralizia cerebral e outras coisas que tais.
Contribuiram para o meu enriquecimento pessoal, interior. Para mim, que nunca tinha lidado de perto com a deficiência, foi tempo de lidar com a diferença e pensar que pode acontecer a qualquer um de nós.
Contribuiram para o meu enriquecimento pessoal, interior.
Tenho até a sensação de achar que depois destas experiências me tornei melhor pessoa e, consequentemente, melhor professora.
Obrigada pela partilha, Raul.
Bjs

conceição coelho disse...

Querido Raul,

O texto que publicaste é excepcional!!!

Concordo em absoluto com o que Emily Perl escreveu pois, ter um bebé, tal como é referido, é como escolher visitar Itália e ir parar à Holanda...Lindo país!!!...onde a terra foi conquistada ao mar, as tulipas dão cor à vida dos seus habitantes e dos seus visitantes...

Acrescento,no entanto, que com dois bebés, quase seguidos,o melhor é não "programar" nada, antes orientar as escolhas deixando que eles nos vão dando "dicas"...

Orientei dois bebés...rapidamente passaram a crianças...depois adolescentes...mais depressa ainda viraram jovens e agora são adultos jovens que continuam a querer a minha presença.

Oriento-os cada vez mais esporadicamente pois, ao longo de anos, forneci-lhes as ferramentas da melhor qualidade para que fossem esculpindo a sua personalidade e traçando o seu próprio rumo.

André, tens um bebé!
Desfruta-o ao máximo porque os anos passam a correr.

Um abraço para todos os bebés que nos fazem querer escolher Itália e acabar na Holanda.

Carpe Diem

gaivota disse...

holanda país de sonho!
até que gosto de itália, florença, especialmente, mas na holanda tenho parte da minha vida, do meu coração, e o país é bem bonito!
carpe diem!

jeny disse...

que foto fofa e linda....

Anónimo disse...

adorei
se alguem tiver ..me manda por email
meeazinha_k3@hotmail.com
grata! ;*