quinta-feira, 17 de julho de 2008

O CANTINHO DO PADRE MÁRIO


Uma mulher de coração

Hoje, vamos iniciar uma nova personagem espiritual da nossa Igreja, S. Teresa de Ávila, ou S. Teresa de Jesus; são os dois nomes pelos quais conhecemos esta santa, nascida a 28 de Março de 1515, em Ávila.


Ao longo das semanas, iremos passear pelos escritos e vida desta mulher que, num tempo em que não era permitido à mulher sair de casa ou, neste caso, do convento, ela se manifestou com um grande empreendorismo e fecunda no apostolado, fundando inúmeros conventos e reformando a sua Ordem.


S. Teresa de Ávila é também Santa e Doutora da Igreja.


Vamos olhar para esta mulher a partir da sua dimensão cristológica, ou seja, a partir da sua visão e experiência pessoal de estar com Cristo e de amar a Cristo.


A pessoa de Cristo é o elemento central, o motor e o dinamizador de toda a sua espiritualidade: oração/contemplação/ser e acção/agir.


Jesus é o seu tudo. É caminho, verdade e vida, configuração/conformação, Mestre, via.
Ele é o único protagonista nos escritos de Teresa.


S. Teresa foi muito pródiga a escrever e podemos encontrar um compêndio das suas obras em português, bem como livros separados. Os mais famosos que são o Livro da Vida; Caminho de Perfeição; As Moradas; As Fundações; etc.


O Livro da Vida é escrito por ela mesma e é uma autobiografia essencialmente introspectiva, narrando a sua profunda experiência religiosa, a partir das experiências místicas que iniciaram por volta de 1555-1560. Nessa altura tinha entre 40 e 45 anos.


S. Teresa é uma mestra da vida espiritual e da experiência mística de Deus. Contemporânea e coagente com S. João da Cruz, ambos são o expoente da doutrina e experiência mística da Igreja.


Começando pelo Livro da Vida, ela diz que escreve como lhe mandaram e deram licença acerca da oração e das mercês (graças) que o Senhor lhe tem feito, sabendo-se, no entanto, muito pecador e indigna de tal.


Neste livro da vida, podemos ir descobrindo como foi nascendo no seu íntimo o desejo de Deus e como ela foi respondendo a partir de pequenas coisas, quase insignificantes da vida quotidiana, a esta sede de Deus. Notando-se, desde a sua meninice, uma forte tendência para vida interior, para a intimidade e o silêncio do ser, que conduz para Deus, para a Plenitude.

6 comentários:

conceição coelho disse...

QAté há poucos anos, ser mulher era ter uma condição inferior: nas classes sociais mais pobres eram máquinas de trabalho e geradoras de filhos; nas classes mais ricas eram meros adornos à mercê das vontades dos maridos (...).

Ainda bem que ,ao longo dos tempos, houve quem quisesse ou pudesse marcar a diferença.

Apesar de muitas terem sido ignoradas pela História, outras deixaram o seu nome nela gravado: Joana D'Arc, Madame Curie, Inês de Castro, (...), Santa Teresa de Ávila...

Padre Mário, obrigada por nos dar a conhecer melhor não só a vida, mas também o pensamento destas santas (mulheres).

Boa semana para todos ou, se já for o caso, boas férias.

Até à próxima quinta!

Maria do Carmo Cruz disse...

Padre Mário, fique a saber que lhe senti a falta logo de manhã! Pois vamos agora falar de Santa Teresa de Ávila. Depois de ler o que tão bem partilha connosco fiquei com vontade de comprar o livro sobre a sua vida, escrito por ela própria. Logo que possa vou dar um salto à Livraria Tellos, e ver se o consigo. Porque sinto que estas palavras suas, que transcrevo, me vão ajudar muito:
"Neste Livro da Vida, podemos ir descobrindo como foi nascendo no seu íntimo o desejo de Deus e como ela foi respondendo a partir de pequenas coisas, quase insignificantes da vida quotidiana, a esta sede de Deus."
Como sabe, as pequenas coisas, muitas vezes, é que são as mais difíceis. E terei em Santa Teresa, estou certa, uma boa Professora.
Um abraço cordial e grato da Carmo

pmj disse...

Cara amiga,

Não sei se sabia? mas ontem, 16 de Julho, foi o dia da Nossa Senhora do Carmo. Se fosse espanhola, o dia de ontem, seria o seu dia de anos, porque era o seu santo.

Tanto Santa Teresa do Menino Jesus como Santa Teresa de Ávila são Carmelitas, ou seja, ambas são da Ordem do Carmo.

Como vê foi apanhada pelo nome.

E mais não digo...

Deixo-o para a sua perspicácia...

Ciao,dal cuore!

Raul Martins disse...

E no seguimento do que escreveu em comentário o Padre Mário, acrescento que foi a 16 de Julho, de 1849 que foi fundada a Congregação dos Missionários Claretianos à qual pertence o Pe. Mário.
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Ó Carmo, coincidências, ou não, como gostas de dizer...
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E que quiser conhecer melhor os Claretianos pode ir ao site deles, aqui:http://www.mcm.pt/

BC disse...

Obrigada pela sua partilha padre Mário é sempre bom conhecer coisas novas, e mesmo que não o sejam, acabamos sempre por refectir e pensar nessas pessoas que marcaram
e foram sábias,e foram especiais!!!
Abraço
Isabel

Maria do Carmo Cruz disse...

Bem, Padre Mário e Raul, é verdade que não acredito em coincidências; portanto, tenho que aprender a ler estes sinais. E, sim senhor, sei que o dia 16 de Julho é o dia de Nossa Senhora do Carmo. Tenho uma imagem de Nª Senhora do Carmo e gosto de a ver como a uma pessoa de família... Que abuso da minha parte! Mas S. Francisco de Assis é mesmo o meu padroeiro. Se vos contasse a epopeia que foi levar uma imagem, em cerâmica, do meu tamanho, de S. Francisco, daqui até Moçambique, não acreditariam! Foi para a nossa igreja de Mumemo, pois eu trabalho lá, em Moçambique, com as Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição. Mas tenho que ler o Livro da Vida de Santa Teresa, agora. Um abraço.