quarta-feira, 25 de junho de 2008

À DESCOBERTA DE KARL POPPER! (II)

" Abram os olhos
e vejam como é belo o mundo,
e como temos sorte,
nós,
os que estamos vivos!”



Ainda não comecei a ler “ Em busca de um mundo melhor”. Recebi um sms a dizer que o livro chegou à livraria. É só ir lá buscá-lo. Enquanto isso continuo com a leitura da sua Autobiografia. Nas suas páginas finais, aparecem dois pós-escritos de que aqui deixo pequeníssimos pedaços e que sinto que são como que um intróito para o referido livro (só tu, caro Ccz, me podes adiantar alguma coisa ou, então, deixas que eu o descubra por mim mesmo):


“Foi-me pedido pelos editores deste livro que escrevesse um curto pós-escrito, e foi posta a questão de saber se ainda penso como pensava quando escrevi originalmente o livro em 1969 e quando disse (na página 176) que sou o filósofo mais feliz que conheci.
A questão refere-se ao meu optimismo, à minha crença em que vivemos num mundo maravilhoso. Esta minha crença não fez mais do que reforçar-se com o tempo. Sei muito bem que há muita coisa errada na nossa sociedade ocidental. Mas ainda não tenho dúvidas de que ela é a melhor que alguma vez existiu.”
(pg. 273).
...
“Apesar de tudo isto, a propaganda de que vivemos num mundo horrível tem tido sucesso.
Abram os olhos e vejam como é belo o mundo, e como temos sorte, nós, os que estamos vivos!” (pg. 275).
...
“Tentemos agora viver em paz e desfrutar das nossas responsabilidades. “(pg. 277).

4 comentários:

RENARD disse...

Olá Raul:

Gosto de Karl Popper embora nunca tenha lido uma obra dele por inteiro. Li excertos para trabalhos da faculdade. Ponho-te/vos uma questão:
a frase "Sei muito bem que há muita coisa errada na nossa sociedade ocidental. Mas ainda não tenho dúvidas de que ela é a melhor que alguma vez existiu.” não é assim a tender para o etnocêntrica? Que tem o mundo ocidental melhor que o oriental??? Hum?

Saudações tribais!!!

Anabela Magalhães disse...

Sim, a questão colocada pela Renard é pertinente e para ficar a pensar.

Maria do Carmo Cruz disse...

Só para dizer que já hoje fiz três tentativas de postar um comentário sobre o optimismo e o pendor ou não pendor tecnocêntrico e eles vão ao ar. Acabou-se! Tudo tem um lomite! E não há acasos! Avó Pirueta

Raul Martins disse...

Olá Renard!
Penso que a frase que sublinhas e que trazes à reflexão, assim desgarrada ( e como eu a coloquei, claro!) pode levar a mal entendidos. Podemos ser mesmo levados a pensamentos totalitaristas que estão longe do pensamento de Karl Popper(pese embora eu ser um principiante na leitura dos seus escritos), assim como longe do seu pensamento não valorizar a contribuição de todos os quadrantes civilizacionais na busca de um mundo melhor. Mas para ele a civilização ocidental é aquela que maior abertura apresenta na comprrensão dos caminhos possiveis.
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Popper ao falar da sociedade/civilização ocidental, no meu entender (tenho pena da Carmo não ter conseguido deixar aqui o seu comentário, mas ficamos à espera, assim como também esperamos de uma achega do meu amigo Ccz) é antes de mais a encarnação de uma filosofia de vida; uma cultura civilizacional que assentou os seus fundamentos na cultura e filosofia clássica de Atenas (e quiçás, também no cristianismo). Julgo, como diz Carlos Espada na introdução da Autobiografia de Popper, que ele concordaria em dizer que a principal mensagem da sua filosofia seria que sabemos muito pouco e cometemos muitos erros, mas podemos aprender com os nossos erros. E essa é a principal mensagem da civilização ocidental e que funda a sociedade aberta que gradualmente foi emergindo. E este processo de aprendizagem, pelos erros, é um processo de aprendizagem inerente às sociedades abertas.
Assim, para Popper, “qualquer pessoa que esteja preparada para comparar seriamente a nossa vida nas democracias liberais ocidentais com a vida noutras sociedades será forçada a concordar que temos na Europa e na América do Norte, na Austrália e na Nova Zelândia, as melhores sociedades e as mais igualitárias que alguma vez existiram no decurso da história humana... onde há infinitamente mais oportunidades para os jovens escolherem o seu próprio futuro. Há uma pletora de possibilidades para os que desejam aprender, e para os que desejam divertir-se de várias maneiras. Mas talvez o mais importante é que estamos preparados para dar ouvidos a críticas e ficamos felizes se forem feitas sugestões razoáveis para o melhoramento da sociedade.”(pg. 274)
Pois Renard, esperemos por outras contribuições, e a tua também, que nos possam esclarecer melhor a interpelação que tu fizeste.