domingo, 22 de novembro de 2009

MISS EDUCAÇÃO!

Em poste um pouco mais abaixo, ficou aqui registado o "parto" de "Folhas Dispersas" do meu bom amigo Meireles. Li e reli alguns dos poemas do livro para que um deles tivesse a honra de ser o primeiro a saltar para este espaço. A escolha estava a ser difícil mas lá me decidi por MISS EDUCAÇÃO, pela sua actualidade apesar de escrito em 1952. Realço aqui um verso que bem podia ser uma mensagem a levar a todos quantos parecem ser doutos quando neste país se fala, se discute e se legisla sobre educação:

"Não vai a ferro e fogo; nem se concebe
Que a queiram infiltrar sem ser por bem"

Digam lá se não tenho razão. E aqui fica o poema completo:


MISS EDUCAÇÃO

Quem não a vê?... Singela como a flor;
- Tão moderna ela é, e tão antiga! -
Porte sereno e firme, olhar que obriga.
Conhece-a já, senhor educador?...

Tímida, só se prende ou se detém
Pelo amor do que a dá ao que a recebe.
Não vai a ferro e fogo; nem concebe
Que a queiram infiltrar sem ser por bem.


Mercenários?... Ai, Miss Educação:
Permite-me sofrer... chorar contigo,
P'los que te entregam por fugaz quinhão.

Aquele educador que já não peca
Na máxima: "ou cumpres ou castigo"
Prove-mo, e gritarei ao mundo: "Eureka!"


António de Levi Meireles,
in "Folhas Dispersas", pg. 40

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