quinta-feira, 7 de agosto de 2008

O CANTINHO DO PADRE MÁRIO!

Jesus é o Mestre.

Jesus «pediu-nos e ensinou-nos a pedir (...) todas as coisas que podemos desejar na terra». Ele, que ama o Pai, educa-nos a amá-Lo.

Jesus aparece como o Livro e como o Mestre interior de quem Teresa se torna uma boa discípula.

O Magistério de Jesus, mestre da sapiência, sapiência eterna, culmina, para Teresa, no ensino do Pai-nosso, que Tertuliano chama de «compêndio de todo o Evangelho». Do mesmo modo, para ela, é a «oração evangélica, que encerra em si todo o caminho espiritual, desde o princípio até nos engolfar em Deus e nos dar de beber na abundante fonte de água viva».

Para conhecer o mestre que ensina esta oração, Teresa evidencia alguns aspectos do magistério de Jesus. Ele ensinou os conteúdos a rezar, mas também a modalidade da oração, o segredo, a solidão, expressões de uma dedicação no qual o eu vem eclipasado da presença do Único a quem vai dirigida a atenção. Ensinou, sobretudo, com a totalidade da vida, o estilo cristão: a humildade, a paciência...

A pedagogia de Jesus serve-se de meios simples, feriais: ensina com a palavra, que dá «luz e segurança», atrai e enche de amor os discípulos. Ensina dentro de nós: «sem ruído de palavras opera na alma sem mestre»: «Es menester recoger estos sentidos esteriores a nosotros mesmos y que les demos en qué se ocupar, pues es ansí que tenemos el cielo dentro de nosotros, pues el Señor de él lo está. Y si una vez comenzamos a gustar de que no es menester dar voces para hablarle – porque Su Majestad se dará a sentir cómo está allí».

O magistério de Jesus, «nosso mestre e modelo», «doce mestre e Senhor», é feito de comunhão e de proximidade.

Teresa liga-se ao filão da interioridade agostiniana: «pues nunca el maestro está tan lejos del discípulo que sea menester dar voces, sino muy junto. Esto quiero yo veáis vosotras os conviene para rezar bien el Paternóster: no os apartar de cabe el Maestro que os le mostró». «Representad al Señor junto con vos y mirad con qué amor y humildad os está enseñando». Não se vê o mestre que instrui, mas compreende-se que é Ele.

Ensina através da «Palavra de Deus na Escritura», sendo o Deus da revelação cristã; mas, sobretudo, através do Evangelho.

Ainda no que diz respeito à Sagrada Escritura, na sua globalidade, relativamente ao uso no seu tempo, Teresa alimentou-se dela com grande abundância. O livro da liturgia das horas punha-lhe em mãos muitos textos Sagrados, se bem que o latim fosse uma grande dificuldade para ela, no entanto, tinha acesso a livros bíblicos como o Cântico dos cânticos, a liturgia e o ofício de Nossa Senhora.

Chega mesmo a enunciar um princípio hermenêutico bíblico: é necessário ver a Sagrada Escritura não numa só parte, mas no seu conjunto.

Mas o que mais a marca é o magistério de Jesus e a importância dos ensinamentos do Mestre. As palavras de Jesus têm uma grande valência e operatividade, é uma Palavra-acontecimento: «Heme acordado que esta salutación del Señor devía ser mucho más de lo que suena, y el decir a la gloriosa Magdalena que se fuese en paz; porque como las palabras de Señor son hechas como obras en nosotros». «Verdaderas son sus palabras; no pueden faltar; antes faltarán los cielos y la tierra». Expressão da vontade de Deus, a Sua Palavra é como a Sua vontade: «que de una vez que mandó el Señor u pensó en hacer el mundo, fue hecho el mundo. Su querer es obra».

2 comentários:

Maria do Carmo Cruz disse...

Padre Mário, só hoje pude vir visitá-lo, a si e a Santa Teresa de Ávila, no cantinho do Raúl. Mais uma vez a leitura me trouxe mais Esperança, ao relembrar as palavras de Jesus a Madalena.
Tenho muita pena de tanta coisa que se faz de mal porque já se desesperou do perdão. Lembro-me de que, na catequese, se considerava tal um dos pecados de bradar aos céus.
O que será preciso fazer para que cada mais pessoas ouçam Deus? Ele está sempre a falar-nos, e de tantas maneiras que quase parece impossível não O ouvir. Em qualquer língua e acreditando n'Ele mesmo com outro nome. Padre, como foi e é possível, matar em nome de Deus? Esta é uma realidade que nunca compreenderei. Obrigada pela sua palavra sempre serena e amiga e tenha um bom fim-de-semana. Que sei ser geralmente mais trabalhoso para os Padres, pois tenho um cunhado Padre, com 83 anos e ainda no activo. Bem lhe quis mostrar a sua página, pois me veio visitar à casa de Condeixa-a-Nova, onde ele nasceu, aliás, mas não consegui abrir a Net. Não tinha sinal suficiente.
Um abraço cordial da Carmo

pmj disse...

Querida Carmo,

De facto, ainda hoje continua a haver gente que mata em nome de Deus, temos o exemplo dos muçulmanos mais radicais ou fanáticos que se matam e matam em nome de Deus; neste caso, trata-se de uma questão de mentalidade e de uma interpretação errónea e distorcida da religião, que neste exemplo é o dos muçulmanos fanáticos.Mas poderíamos encontrar milhentos outros exemplos tirados da vida real. E tudo isto tratando-se da morte física; mas diga-me lá quantas outras formas ou atrocidades se podem cometer em nome de Deus?, tipo violência psicológica ou condicionalismos morais ou espirituais.

Segundo os especialista na matéria, as mentalidades levam muito tempo a mudar, e temos de interpretar os acontecimentos a partir das mentalidades de cada pessoa, de cada família, de cada contexto social, da humanidade na época, etc.

Uma coisa é certa, qualquer tipo de morte em nome de Deus é a pior ofensa que se pode fazer a Deus usando o Seu nome. É a pior das formas de invocar o Santo nome de Deus em vão.

Um abraço e até breve.

P.S. Encontrar Deus é uma descoberta muito pessoal; ou seja, conta com tudo aquilo que a pessoa é...