quinta-feira, 19 de junho de 2008

O CANTINHO DO PADRE MÁRIO!

AMOR
é comunhão da Trindade.

No amor a Jesus, Teresa descobre a comunhão da Trindade:

«Ah! Tu sabes que Te amo, Jesus divino!
O Espírito de Amor abrasa-me com o Seu fogo
Amando-Te eu atraio o Pai» (poema 17, 2).

Teresa raras vezes fala do Espírito Santo explicitamente, mas na realidade Ele está sempre presente quando fala do Amor, porque se trata desse Amor de caridade, de ágape:

«O amor de Deus foi derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado» (Rom 5, 5).

O Espírito é inseparável do Amor com que somos amados, com o Amor com que nós O podemos amar e dispensar ao próximo.

Terresa, muitas vezes, refere-se a Ele com os símbolos da água e do fogo, que são os principais símbolos da Escritura e do Espírito.

É precisamente ser divinizada pelo Espírito Santo que ela pede na sua oração:

«Peço a Jesus de me atirar nas chamas do Seu amor, de me unir tão estreitamente a Ele, que Ele viva e aja em mim».

Teresa remonta até à origem eterna deste Amor, à pessoa do Pai, dizendo-lhe:

«Já que me amaste até dar-me o Teu único Filho como meu Salvador e Esposo, (...) suplicando-Vos que não olheis para mim através da Face de Jesus e no seu Coração ardente de Amor».

Teresa oferece-se como «vítima de holocausto» ao fogo do Espírito de Amor, que sempre arde no coração de Jesus, assim recebe o mesmo Espírito no seu próprio coração, em forma de «onda de infinita ternura», de «oceanos de graças».

«“Abre-me, minha irmã, minha esposa, porque o meu rosto está perfumado pelo rocio e os meus cabelos pelo gozo da noite” (Cântico dos Cânticos): eis o que Jesus diz à nossa alma quando é abandonado e humilhado!... Celina, o esquecimento, parece-me que seja isto o que mais o faz sofrer!...». «Ela quer enxugar-lhe, estas lágrimas, para fazer o seu hábito no dia das núpcias, hábito que também será escondido, mas será apreciado pelo Predilecto».

O desejo de Jesus ser amado é uma sede para encontrar corações que recebam O seu Amor, como Ele o quer dar. Está tudo aqui, aceitar o Amor, abrir-se a Ele como Ele se quer dar: como um amor infinito que deseja prodigar-se gratuitamente àqueles que a Ele se oferecem.

S. Teresa descobriu a exigência acelerada do Amor. Ela recebeu a graça de compreender quanto Jesus quer ser amado. Porque acreditou na Caridade divina como esta é, e acreditou mais ainda, se assim se pode dizer, na sede insaciável que Deus tem em dar o Seu Amor.

Vive mais em Deus do que em si mesma, mesmo sem gozar, por causa disto, de êxtases místicos, habituada a cuidar mais das suas acções do que das reacções do Amado. «Não peço o amor sensível, mas só aquele sentido por Jesus».

Vive o único êxtase essencial, a felicidade do amor no amado.

Se o amado está feliz, ela também está necessariamente feliz, mesmo que seja no sofrimento ou na infelicidade humana:
«Se Ele estiver contente, eu estarei no cume da felicidade».

7 comentários:

Maria do Carmo Cruz disse...

Pois, Padre Mário, aqui é que me sinto longe, longe, longe. Com os pés presos a esta terra, como Amar assim Jesus? Só sei amá-Lo através dos outros, procuro-O incessantemente nos outros, conto que, como na lenda do sapateiro alemão que queria ver Jesus, uma só vez que fosse, uma noite Ele me pareça e me diga: "Vês, visitei-te hoje. Eu era aquela pessoa a quem deste o teu tempo e a ouviste quando já ninguèm a quer ouvir. Fui aquela Mãe com quem partilhaste o teu pão e trataste os seus filhos por meninos. Fui eu que recebi aquelas roupas, quando descobriste que, só com um corpo, não precisas de tanta roupa."
Mas chegará, Padre Mário? Este Amar perdidamente de Santa Teresa causa-me inveja, o que não é bom, por si só. Esperá-lo-ei todas as quintas -feiras. Como a Raposa espera o Princepezinho...
Um abraço, Carmo

Maria do Carmo Cruz disse...

Sinto-me muito só aqui, apesar de estar tão bem acompanhada ou precisamente por estar tão bem acompanhada: A Santíssima Trindade, Santa Teresinha, o Padre Mário e eu aqui, "!um bichinho da terra tão pequeno"!Santa Teresinha, ajuda-me a não me sentir só. Passa-me um pòzinho do teu Amor. Voltarei a procurar-te, Doutora da Igreja! Sou só a Avó Pirueta

pmj disse...

Boa noite querida vovó!

Gostei do seu comentário, nota-se que interioriza bastante a espiritualidade da santa. Mas gostava de lhe dizer mais, sabe que ela é uma santa dos tempos modernos? Experimentou o que a humanidade vive hoje, ou o homem de hoje sente, amar sem ser amada, no sentido de receber uma retribuição sensível, emocional do seu amor. Vive, quase só do seu lado, o amor a Cristo, a Deus Pai e ao Espírito, bem como a Maria; sente-se criança e humilde, traduzindo a incapacidade de encontrar Deus de forma concreta, palpável, como as crianças têm dificuldade em compreender o mundo dos adultos, como o mundo ateu (sem Deus)de hoje; ama só a partir da fé, acreditando na recompensa do céu, pois ela diz-nos: «Quero passar o meu céu a fazer bem sobre a terra».

Maria do Carmo Cruz disse...

Bom dia, Querido PMJ
Reconfortou-me. Que felicidade para Santa Teresa ter sido capaz de amar assim sem reservas nem dúvidas. As dúvidas que,indiscretamente, se publicaram, acerca de Madre Teresa de Calcutá. Mas amar assim, sem nos agarrarmos a nada, senão à Fé, só com um grande dom do Espírito Santo. Mas não tenho medo das minhas "dúvidas": muitas vezes são elas que me alimentam o Amor (Caridade), puxam pela minha Esperança e consolidam a minha Fé. Espero-o para a semana, se Deus quiser, como dizem muitos ateus...
Um abraço muito cordial da Carmo

Conceição Coelho disse...

Afinal, de uma forma ou outra, todos buscamos o AMOR! S. Teresa realizou-o no divino, eu encontrei-o cá na terra: nos dois filhos que criei e continuo a querer, embora já sejam adultos, na profissão que abracei e à qual me ddedico em corpo e alma, encontrei-o em cada criança que ensino e educo, sempre que deixo que «fiquem» com um pedacinho de mim, ou sempre que enriquecem o meu coração fazendo com que o meu sangue corra melhor e mais vermelhinho...
Descubro-o nas pessoas que comigo privam e/ou convivem, sobretudo naquela que desperta em mim os sentimentos femininos e o prazer de ser mulher!
Amo a família que me atura nos bons ou maus momentos, os objectos, as fotografias e todas as lembranças que referenciam a minha vida.
Amo o Sol, a Lua e as Estrelas, o vento e a chuva e, acima de tudo, a vontade de viver, as flores coloridas com que enfeito diariamente o meu coração, dando espaço a que também gostem de mim... A lista não teria fim...

Caro Pe. Mário Jorge, mais uma vez gostei de ler o seu cantinho, que me leva a pensar neste tema tão na boca de todos, mas quase sempre tão vazio de sentido.

Ps: Já agora aproveito para dar o meu abracinho à Avó Pirueta,

Como eu gostava de ter tido uma Avó assim!!! Como eu gostava que os meus filhos tivessem Avós assim!!!

Santiago Querido disse...

Vim não sei porque caminhos aqui parar. Encontrei este cadinho "espiritual" que me sensibilizou. É necessário que este mundo olhe para o espíritual como um caminho para encontrarmos mais humanidade neste mundo cada vez mais deserto (não o deserto que nos leva ao silêncio e à interiorização, mas o deserto da aridez de humanidade, respeito, ausência de Deus....
Pelo que vejo este espaço acontece às quinta-feiras. Voltarei.

Maria do Carmo Cruz disse...

Conceição Querida, teve uma Avó assim, de certeza! Diferente, porque todos somos diferentes uns dos outros, mas a Avó que podia ter naquele momento. E certamente os seus netos têm uma avó como eu: se, embora me pareça quase impossível, ela ou elas nãos lhes "parecerem" assim, eles que as ajudem a ser assim. Assim como, se eu não sei o que é ser uma Avó assim? Uma Avó que tenha um colo, uma festinha para fazer na cabeça do neto mesmo já grande, uma Avó que teima em chamar-lhe um nome de menino mesmo quando os Amigos estão com ele, uma Avó que fique feliz quando o neto telefona em vez de dizer "até que enfim que te lembraste de mim!", isto é ser Avó assim. Mais nada. Sabe quem me ensinou a ser Avó e sogra? A minha Sogra! Uma das pessoas que mais amei. E hoje tenho o enorme gosto de ter uma das noras que me chama "sogrinha"... Mais uma vez, repito, eu sou avó, pura e simplesmente: mãe duas vezes. Expliquei-me, Conceição? Obrigada pelo seu abracinho, que retribuo, obrigada pelo elogio imerecido. Avó Pirueta