terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

VIRAR DA PÁGINA?


Fidel renuncia à presidência de Cuba.

Quem sou eu para julgar um povo ou os seus governantes! Mas ficar largas dezenas de anos ao leme de uma nação pode criar vícios e constrangimentos. Não vou tecer comentários sobre Fidel Castro, apenas saúdo esta decisão que nos ajudará a começar a ver no horizonte a grande questão que nos temos colocado há muito: Como será o futuro de Cuba depois de Fidel?

É um virar da página que fará vir ao de cima muitas questões relacionadas com as políticas internas e externas de Cuba.

Há um dado impressionante: 70 por cento dos cubanos não conheceu outro líder - foram quase cinquenta anos como dirigente de Cuba. À sua farda verde como imagem de marca, podemos acrescentar os seus longos discursos de horas e horas.

Herói ou tirano? Uma pergunta que paira sobre nós.

Dum lado do prato da balança podemos colocar a campanha de alfabetização que reduziu a percentagem de analfabetos a cerca de 2%, o acesso gratuito ao ensino nos diferentes anos de escolaridade, o atendimento médico a toda a população cubana, a nacionalização de empresas estrangeiras que abalou o forte investimento norte-americano que então existia em Cuba e que apesar do bloqueio económico, como forma de pressão, que Washington impôs, Fidel nunca cedeu, conquistando a admiração de muitos ao "bater o pé" ao chamado “imperialismo americano”.

Do outro lado da balança: as acusações de violação dos direitos humanos, perseguição política dos opositores com detenções e execuções e a repressão contra a liberdade de expressão levando a que muitos procurassem outras paragens em busca de melhores condições de vida, de forma clandestina, a bordo de pequenas e frágeis embarcações - quantas imagens não temos na nossa retina dessas situações.

Virar da página? A ver vamos!
ADENDA:
21:15: Via JORNAL DE NOTICIAS: Chegar a Cuba e a Fidel num clique.
NOVA ADENDA:
As datas de Fidel: Ver aqui.

1 comentário:

emilia disse...

De Herói Fidel tem pouco... mas de ditador tem tudo. É verdade que começou por ser/parecer um herói da revolução cubana que em 1959 provocaria a queda de um outro ditador... revolução esta liderada pelo próprio Fidel e pelos seus ideais de liberdade, de justiça e igualdade entre ricos e pobres!! Mas que liberdade e justiça serão estas a que assistimos agora? Não será apenas o exercício do poder e opressão sobre aqueles por quem, Fidel disse, um dia, ter lutado e prometido um futuro melhor num país livre.

Mesmo quando tentamos não esquecer o excelente sistema de saúde e de educação em Cuba, supostamente desenvolvido por esta ditadura, pergunto-me se estará esse ensino disponível a todos... quando sabemos que um Cubano não pode sequer adquirir um mero PC, pois dessa forma poderia ter acesso a informação perigosa para o regime do seu país... se estarão estas excelentes clínicas e médicos, de que sempre ouvimos falar, ao serviço de todos os cubanos ou apenas de alguns e mais ainda dos estrangeiros que pagam bem e as procuram cada vez mais, quando os médicos dos seus próprios países consideram como casos perdidos os doentes que para Cuba rumam. Terão os cubanos pobres tantas benesses como a propaganda de Fidel tanto tenta fazer passar (ver um artigo sobre esta questão em: http://www.therealcuba.com/Page10.htm).

Nunca fui a Cuba, mas em relação a estas benesses tenho as minhas dúvidas...as imagens que muito raramente nos chegam são de um povo demasiado miserável pelas ruas de Havana. Basta pensarmos que o simples acesso a bens de consumo é racionado pela ditadura de Fidel (tal como no Portugal de Salazar!), que as pessoas são perseguidas pelos suas convicções, e muitos mais "atentados" aos direitos humanos daqueles cidadãos. Não acredito que façam apenas parte da propaganda americana... capitalista, as notícias terríveis que nos chegam de Cuba.

Nada de bom prevejo para Cuba nos próximos tempos, pois a dinastia dos Fidel continua tal como numa verdadeira monarquia! e o espectro de Fidel continua lá, na sombra do seu próprio irmão Raúl!

Gostaria de poder dizer com toda a convicção que em Cuba terminaram 49 anos sem eleições livres... sem direitos humanos... sem liberdade de expressão... sem igualdade... sem uma imprensa livre...de exploração dos trabalhadores cubanos... DE FIDEL!

Ficamos, no entanto, sem saber se teremos agora uma Cuba sem Fidel ou depois de Fidel?