sábado, 5 de julho de 2008

A CRIANÇA MAIS CARINHOSA



Via Clube de Contadores de Histórias

O amor é tudo.
É a chave da vida,
e são as suas influências
que movem o mundo.


Ralph Waldo Trine

Escritor e conferencista, Leo Buscaglia contou que uma vez lhe pediram que fosse júri de um concurso. O objectivo do concurso era encontrar a criança mais carinhosa. Quem ganhou foi um menino de quatro anos, cujo vizinho do lado era um homem idoso que perdera recentemente a mulher. Ao ver o homem a chorar, o rapazinho entrou no quintal dele, subiu-lhe para o colo e ficou ali sentado. Quando a mãe lhe perguntou o que dissera ao vizinho, o rapazinho respondeu:— Nada, só o ajudei a chorar.

Ellen Kreidman
Canja de galinha para a alma
Mem Martins,
Lyon Edições, 2002

quinta-feira, 3 de julho de 2008

PARA A MINHA "PIPOCA"

Na brincadeira, começamos a chamar "pipoca" ao rebento mais novo cá da casa. "Pipoca" para aqui, "Pipoca" para acolá... E ficou "Pipoca". Hoje, ao ver este texto no "Terrear" do JMA, não sabem a felicidade com que fiquei e abençoei a bendita hora em que lhe começamos a atirar com tal "piropo". Vão perceber porquê.

Com a devida vénia ao JMA

A PIPOCA


Por Rubem Alves


A culinária me fascina. De vez em quando eu até me atrevo a cozinhar. Mas o fato é que sou mais competente com as palavras do que com as panelas.

Por isso tenho mais escrito sobre comidas que cozinhado. Dedico-me a algo que poderia ter o nome de "culinária literária". Já escrevi sobre as mais variadas entidades do mundo da cozinha: cebolas, ora-pro-nobis, picadinho de carne com tomate feijão e arroz, bacalhoada, suflês, sopas, churrascos.

Cheguei mesmo a dedicar metade de um livro poético-filosófico a uma meditação sobre o filme A Festa de Babette que é uma celebração da comida como ritual de feitiçaria. Sabedor das minhas limitações e competências, nunca escrevi como chef. Escrevi como filósofo, poeta, psicanalista e teólogo — porque a culinária estimula todas essas funções do pensamento.

As comidas, para mim, são entidades oníricas.

Provocam a minha capacidade de sonhar. Nunca imaginei, entretanto, que chegaria um dia em que a pipoca iria me fazer sonhar. Pois foi precisamente isso que aconteceu.

A pipoca, milho mirrado, grãos redondos e duros, me pareceu uma simples molecagem, brincadeira deliciosa, sem dimensões metafísicas ou psicanalíticas. Entretanto, dias atrás, conversando com uma paciente, ela mencionou a pipoca. E algo inesperado na minha mente aconteceu. Minhas idéias começaram a estourar como pipoca. Percebi, então, a relação metafórica entre a pipoca e o ato de pensar. Um bom pensamento nasce como uma pipoca que estoura, de forma inesperada e imprevisível.

A pipoca se revelou a mim, então, como um extraordinário objeto poético. Poético porque, ao pensar nelas, as pipocas, meu pensamento se pôs a dar estouros e pulos como aqueles das pipocas dentro de uma panela. Lembrei-me do sentido religioso da pipoca. A pipoca tem sentido religioso? Pois tem.

Para os cristãos, religiosos são o pão e o vinho, que simbolizam o corpo e o sangue de Cristo, a mistura de vida e alegria (porque vida, só vida, sem alegria, não é vida...). Pão e vinho devem ser bebidos juntos. Vida e alegria devem existir juntas.

Lembrei-me, então, de lição que aprendi com a Mãe Stella, sábia poderosa do Candomblé baiano: que a pipoca é a comida sagrada do Candomblé...

A pipoca é um milho mirrado, subdesenvolvido.

Fosse eu agricultor ignorante, e se no meio dos meus milhos graúdos aparecessem aquelas espigas nanicas, eu ficaria bravo e trataria de me livrar delas. Pois o fato é que, sob o ponto de vista de tamanho, os milhos da pipoca não podem competir com os milhos normais. Não sei como isso aconteceu, mas o fato é que houve alguém que teve a idéia de debulhar as espigas e colocá-las numa panela sobre o fogo, esperando que assim os grãos amolecessem e pudessem ser comidos.

Havendo fracassado a experiência com água, tentou a gordura. O que aconteceu, ninguém jamais poderia ter imaginado.

Repentinamente os grãos começaram a estourar, saltavam da panela com uma enorme barulheira. Mas o extraordinário era o que acontecia com eles: os grãos duros quebra-dentes se transformavam em flores brancas e macias que até as crianças podiam comer. O estouro das pipocas se transformou, então, de uma simples operação culinária, em uma festa, brincadeira, molecagem, para os risos de todos, especialmente as crianças. É muito divertido ver o estouro das pipocas!

E o que é que isso tem a ver com o Candomblé? É que a transformação do milho duro em pipoca macia é símbolo da grande transformação porque devem passar os homens para que eles venham a ser o que devem ser. O milho da pipoca não é o que deve ser. Ele deve ser aquilo que acontece depois do estouro. O milho da pipoca somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios para comer, pelo poder do fogo podemos, repentinamente, nos transformar em outra coisa — voltar a ser crianças! Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo.

Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca, para sempre.

Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e dureza assombrosa. Só que elas não percebem. Acham que o seu jeito de ser é o melhor jeito de ser.

Mas, de repente, vem o fogo. O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos. Dor. Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, ficar doente, perder um emprego, ficar pobre. Pode ser fogo de dentro. Pânico, medo, ansiedade, depressão — sofrimentos cujas causas ignoramos.Há sempre o recurso aos remédios. Apagar o fogo. Sem fogo o sofrimento diminui. E com isso a possibilidade da grande transformação.

Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro ficando cada vez mais quente, pense que sua hora chegou: vai morrer. De dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar destino diferente. Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada. A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo, a grande transformação acontece: PUF!! — e ela aparece como outra coisa, completamente diferente, que ela mesma nunca havia sonhado. É a lagarta rastejante e feia que surge do casulo como borboleta voante.

Na simbologia cristã o milagre do milho de pipoca está representado pela morte e ressurreição de Cristo: a ressurreição é o estouro do milho de pipoca. É preciso deixar de ser de um jeito para ser de outro.

"Morre e transforma-te!" — dizia Goethe.

Em Minas, todo mundo sabe o que é piruá. Falando sobre os piruás com os paulistas, descobri que eles ignoram o que seja. Alguns, inclusive, acharam que era gozação minha, que piruá é palavra inexistente. Cheguei a ser forçado a me valer do Aurélio para confirmar o meu conhecimento da língua. Piruá é o milho de pipoca que se recusa a estourar.

Meu amigo William, extraordinário professor pesquisador da Unicamp, especializou-se em milhos, e desvendou cientificamente o assombro do estouro da pipoca. Com certeza ele tem uma explicação científica para os piruás. Mas, no mundo da poesia, as explicações científicas não valem.

Por exemplo: em Minas "piruá" é o nome que se dá às mulheres que não conseguiram casar. Minha prima, passada dos quarenta, lamentava: "Fiquei piruá!" Mas acho que o poder metafórico dos piruás é maior.

Piruás são aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem.

Ignoram o dito de Jesus: "Quem preservar a sua vida perdê-la-á". A sua presunção e o seu medo são a dura casca do milho que não estoura. O destino delas é triste. Vão ficar duras a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca macia. Não vão dar alegria para ninguém. Terminado o estouro alegre da pipoca, no fundo a panela ficam os piruás que não servem para nada. Seu destino é o lixo.

Quanto às pipocas que estouraram, são adultos que voltaram a ser crianças e que sabem que a vida é uma grande brincadeira..."Nunca imaginei que chegaria um dia em que a pipoca iria me fazer sonhar. Pois foi precisamente isso que aconteceu".


O texto acima foi extraído do jornal "Correio Popular", de Campinas (SP), onde o escritor mantém coluna bissemanal.

COMO VAI ESTE PAÍS?!...


Para quem não viu, via Anabela, Medina Carreira traça um quadro muito, mas mesmo muito negro dos políticos e das políticas. Pragmático, claro, objectivo, sem rodeios... Ver aqui .

NO COMMENT!

O CANTINHO DO PADRE MÁRIO!


O Amor,
único meio de perfeição

O ensinamento de S. Teresa de Lisieux centra-se no amor,
o único meio de atingir a perfeição:

«Não conheço outros meios para atingir a perfeição
a não ser “o Amor”...».

Seguindo S. Paulo, compreende que só o Amor dá valor a todas as realidades da nossa vida, começando pelas mais pequenas.

A ciência do amor

Teresa, permanecendo pequena, não renuncia aos seus grandes desejos de santidade. Mas, pelo contrário, nesta aceitação voluntária e alegre da sua pobreza, encontra o único meio de realizar os seus desejos infinitos: fazê-los acontecer para Aquele que pôs estes desejos no seu coração. Aceitando ser tão imperfeita e miserável, para que somente Deus possa ser nela a perfeição, a sua força e santidade.

Ela atingirá, como deseja, o cume da montanha do amor, e chegará lá mais rápido do que seguindo qualquer outro caminho.

Descobriu verdadeiramente a via mais pequena, muito curta, que nos conduz ao próprio coração de Deus, e isto, muito mais rapidamente do que todas as escadas que os homens são capazes de construir.

Esta é fortuna dos pequeninos: os grandes têm inumeráveis modos complicados para atingir a perfeição (ou de a tentar), os pequeninos apenas possuem um, mas infalível, que é Deus só.
«Mas quero procurar o modo de ir para o Céu por uma pequena via bela e direita, muito curta, uma pequena via toda ela nova».

Isto é, com a ajuda de um elevador que substitui vantajosamente os degraus de uma escada rude, a da perfeição. Ela sabe exactamente o necessário para ela. Armada deste saber, adentra-se pela Sagrada Escritura:
«Então procurei nos livros santos a indicação do elevador, objecto do meu desejo; e li estas palavras saídas da boca da Sapiência Eterna: Se alguém for muito pequeno, venha até mim. Assim cheguei a intuir que tinha encontrado o que procurava. E querendo saber, ó meu Deus, o que faríeis ao mais pequeno que respondesse ao vosso chamamento, continuei as minhas pesquisas e eis o que encontrei:
“Como uma mãe acaricia o filho, assim vos consolarei: levar-vos-ei ao colo e sentar-vos-ei sobre os meus joelhos!”».

«A ciência do Amor! Oh, sim! Esta palavra ressoa docemente aos ouvidos da minha alma. Eu desejo apenas aquela ciência (...)

Jesus se compraza de me mostrar o único caminho que conduz a esta fornalha Divina. Este caminho é o do abandono da criança que adormece tranquilamente, sem temor, nos braços de seu Pai...».

quarta-feira, 2 de julho de 2008

FORÇA MALTA JOVEM!


Conheci o Pedro na "Teia" da 3za. Fui visitá-lo, dias atrás, ao seu site e hoje recebi uma mensagem sua a falar-me do seu projecto. Fiquei comovido. Aproveito para vos dar a conhecer este jovem de uma garra e querer imensos. Poderão aceder ao site em : http://www.pedrocd.no.sapo.pt/ e, se quiserem, assinem o livro de visitas. Divulguemos o seu site e ajudemos o Pedro a tornar o seu mundo, um mundo melhor. Também estamos a contribuir para tornar o nosso um pouco melhor.

DO ELOGIO DAS MAMÃS

A madrinha do meu filho mandou-me este texto que aqui vos deixo, para eu sorrir um bocadinho e roer-me de inveja. Mas ela sabe que nós ficamos é felizes por vermos as nossas mamãs na mó de cima e babadinhas pelos elogios que possam receber dos filhos. Como a mamã dos meus filhos que fica derretidinha quando eles lhe dão desses "mimos" que adoçam a vida. Vá lá mamãs, fiquem felizes por estarem num patamar acima de nós, papás, e continuem sempre a passar nos testes que a vida vai colocando. Aqui fica:





Caminhava com o meu filho de 3 anos , quando ele apanhou qualquer coisa do chão e ia pôr na boca.
Ralhei com ele e disse-lhe para nunca fazer isso.
-Mas porquê ? - perguntou ele.
Respondi que se estava no chão estava sujo e cheio de micróbios. Nesse momento, o meu filho olhou-me com admiração e perguntou :
- Mamã, como sabes tudo isso? És tão inteligente ...
Rapidamente reflecti, e respondi-lhe:
- Todas as mamãs sabem estas coisas. Quando alguém quer ser mamã , tem que fazer um teste e tem que saber todas estas coisas, se não não pode ser mamã .
Caminhámos em silêncio cerca de 2, 3 minutos. Vi que ele pensava ainda sobre o assunto, e de repente disse :
- Ah, já percebi. Se não passasses o teste, tu eras o papá .
Exactamente , respondi com um grande sorriso na boca .