sábado, 5 de novembro de 2011

SER!


Quando nos comunicaram que o velho Mestre estava prestes a morrer, muitos dos que com ele tinhamos aprendido a sabedoria da vida, juntamo-nos para ouvir as suas últimas palavras.

Esboçou um sorriso com o seu olhar terno e límpido de sempre e, no seu jeito sereno e simples, disse:
- Era uma vez...
Depois de um breve silêncio, e como o Mestre nada mais dizia, um de nós falou:
- Nada mais dizes?
Respondeu:
- E não basta, SER, uma vez?
Então, o velho Mestre levantou-se, pegando no seu cajado, e subiu a montanha. Foi a última vez que o vimos.
Regressei para casa e no meu coração ecoavam as suas últimas palavras: "E não basta, SER, uma vez?"
Afinal não era tudo o que ele nos tinha ensinado? Sim. O nosso tesouro e a nossa felicidade está no SER!
E essa "vez" a que somos chamados a SER na oportunidade que a vida nos oferece - SER toda uma vida - deveria ser a nossa missão; e SER em plenitude esta "vez" - porque não há outra -, ... e isso bastaria!

R.M. in "Luar e o seu Tesouro"

sábado, 22 de outubro de 2011

MOMENTOS!

Hoje, o “roteiro” da caminhada foi quase o mesmo. Acrescido de uns quilómetros: até à Aguda.


A manhã não foi uma daquelas de verão como a da semana passada. Mas esteve agradável. Bastante agradável, até, quando o sol libertava os seus braços entre as nuvens e nos acariciava com o seu calor, ou quando as nuvens permitiam total liberdade ao sol e nos abraçava mais intensamente. Apenas a ligeira neblina que se fazia sentir tornava esse abraço menos caloroso.

A sinfonia amena do mar, do vai e vem das suas ondas, fez-se sentir durante todo o percurso.
E o cenário colorido teve quase os mesmos tons do sábado passado. Só lá faltaram aqueles corpos estendidos ao sol ao longo da praia, retocando o bronze que ainda restava do verão, e aqueles aventureiros que se banhavam no mar.

Hoje, na areia e à beira do mar, só mesmo alguns passeantes, poucos, e os pescadores que se estendiam ao longo do percurso. Contei onze. Todos sozinhos, exceção feita a um grupo de três. E só eles saberão explicar esta “aternuração” pela pesca e pelo mar, que os faz ficar horas a fio, ali, de pé, pacientemente à espera que algum peixe se encante com o isco. Uma coisa é certa: não sofrem de stress. Lá isso não!

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

"RETALHOS DE VIDA!"


Hoje encontrei uma aluna a chorar: tinha feito o teste de Língua Portiguesa a lápis, depois passou a tinta e isso fez com que não terminasse a composição. Levei-a à professora e tudo se resolveu. Este acontecimento trouxe-me à memória um pensamento de André Rossato:
"Não faças da tua vida um rascunho,
pois pode não haver tempo de passar a limpo."

domingo, 16 de outubro de 2011

NOTAS SOLTAS com RICHARD BACH!


Este "poste" é para o Diogo e a Vânia. Eles sabem porquê.

É também para mim e para Émy, minha esposa, que me atura e "aternura" há vinte anos.
Que seja uma forma de renovarmos a crença no amor que entre nós existe.
Este "poste" é composto por excertos que eu e a Émy retiramos dos livros “Ponte para a eternidade” e “Um”, de Richard Bach. Estes excertos foram incluídos na parte final do folheto com as canções que cantamos no nosso casamento. Aqui ficam:

“Eu existo
Tu existes
E o amor é tudo o que conta”
…
“Acho que duas pessoas podem mudar juntas,
Crescer juntas
E enriquecerem-se juntas…
A soma de “UM” e “UM”,
Se forem os “UNS” certos,
Pode ser infinito.”
…
“Uma ALMA GÉMEA é alguém em cujas fechaduras as nossas chaves servem e que possui chaves para as nossas fechaduras. Quando nos sentimos suficientemente seguros para abrir as nossas fechaduras, os nossos EUS mais verdadeiros saem e podemos ser completa e honestamente quem somos; podemos ser amados pelo que somos e não pelo que fingimos ser. Cada um revela a melhor parte do outro. Haja o que houver de mau à nossa volta, com essa pessoa estamos no nosso paraíso. A nossa ALMA GÉMEA é alguém que partilha os nossos mais profundos anseios, o nosso sentido de direção. Se formos dois balões e a nossa direção for para cima, tudo indica que encontramos a pessoa certa.
…
“Mas se concordamos ou não, não interessa; como não interessa saber quem tem razão. O que interessa é o que se passa entre nós… Mudamos continuamente, crescemos, amamo-nos cada vez mais? Isso é que interessa.”
…
“Claro que existe destino, mas o destino não vos empurra para onde não quereis ir. Sois vós que escolheis. Cabe-vos escolher o vosso destino… Orientem-se pelo amor.”
…
“Não há erros. Os acontecimentos que atraímos para nós, por muito desagradáveis que sejam, são necessários para aprendermos o que precisamos de aprender, demos os passos que dermos, são necessários para atingirmos os lugares onde queremos chegar.”

P.S.: A foto que acompanha esta nota era a capa do folheto, muito artesanal. Hoje as coisas são mais elaboradas.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Tranströmer Tomas

Confesso que não conhecia o novo galardoado Prémio da Literatura Tranströmer Tomas. Pelas dicas do meu amigo E.I. é um extraordinário poeta.  Aqui deixo um dos poemas que gostei, transportado do cantinho do E.I.:

Kyrie

A minha vida às vezes abria os olhos no escuro.
Uma sensação de multidões arrastando-se por ruas,
cegas e sem descanço, no caminho para um milagre,
enquanto eu fico aqui, invisível.
Como uma criança que adormece aterrorizada
à escuta dos passos pesados do coração,
até que a manhã ponha o seu raio de luz nos fechos
e as portas da escuridão se abram.

(Tradução de Vasco Graça Moura)

domingo, 17 de julho de 2011

DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DEVERES HUMANOS? PORQUE NÃO?

Da crónica semanal do Miguel Santos Guerra de ontem, no seu "El Adarve", sob o título "Elogio da responsabilidade", destaco o parágrafo que aqui vos deixo e convido-vos a ler o texto na íntegra.

"El filósofo y escritor Jostein Gardner se plantea la siguiente cuestión: así como el siglo XX fue el de los Derechos Humanos, ¿no debería ser el siglo XXI aquel en el cual se proclame la Declaración de los Deberes Humanos? Ojalá. Porque tengo la impresión de que la balanza está descompensada. Las manifestaciones, las demandas, las exigencias me parecen magníficas. Hay que exigir los derechos. Pero hace falta también hacer hincapié en la necesidad de que cada cual cumpla sus obligaciones. La democracia se apoya sobre esos dos pilares: la garantía de los derechos y el cumplimiento de los deberes."

Texto na íntegra, aqui

quarta-feira, 13 de julho de 2011

UBUNTU: "SOU QUEM SOU, PORQUE SOMOS TODOS NÓS!"

O texto que a seguir vos deixo, chegou-me por mail. Para a vida em família, para os grupos de jovens, para as equipas de trabalho, para uma ideia de Europa... Enfim... Um momento de reflexão. Aqui fica o texto:

A jornalista e filósofa Lia Diskin, no Festival Mundial da Paz, em Floripa (2006), presenteou-nos com um caso de uma tribo da África chamada Ubuntu.

Contou que um antropólogo estudava os usos e costumes da tribo e, quando terminou o seu trabalho, teve de esperar pelo transporte que o levaria até o aeroporto, de volta para casa. Sobrava ainda muito tempo, mas ele não queria catequizar os membros da tribo. Então, propôs uma brincadeira para as crianças, que achou ser inofensiva.

Comprou uma porção de doces e guloseimas, na cidade. Colocou tudo num cesto bem bonito, com um belo laço de fita, e colocou debaixo de uma árvore. Então, chamou as crianças e combinou que quando ele dissesse "já!", elas deveriam correr até o cesto. A que chegasse primeiro ganharia todos os doces que estavam lá dentro.

As crianças posicionaram-se na linha demarcatória que ele desenhou no chão e esperaram pelo sinal combinado. Quando ele disse "já!", instantaneamente, todas as crianças se deram as mãos e saíram a correr em direcção à árvore com o cesto. Chegando lá, começaram a distribuir os doces entre si e os comerem felizes.

O antropólogo foi ao encontro delas e perguntou porque tinham ido todas juntas, se uma só poderia ficar com tudo que havia no cesto e, assim, ganhar muito mais doces.

Elas simplesmente responderam: "Ubuntu, tio. Como é que uma de nós poderia ficar feliz, se todas as outras estivessem tristes?"

Ele ficou desconsertado! Meses e meses trabalhando, estudando a tribo, e ainda não havia compreendido, de verdade, a essência daquele povo. Ou jamais teria proposto uma competição, certo?

Ubuntu significa: "Sou quem sou, porque somos todos nós!"