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quinta-feira, 4 de setembro de 2008

O CANTINHO DO PADRE MÁRIO!

Jesus chama à sequela

«Muitos são os chamados e poucos os escolhidos»: são estas, entre as palavras do Evangelho, as que Teresa privilegia e que contribuíram para a tornar consciente do projecto de Deus sobre si.

Dentro desta perspectiva mais pessoal, surge o radicalismo evangélico com o seguimento dos conselhos evangélicos no binómio: seguir Cristo e vida de perfeição.

A vida cristã é serviço e o serviço leva a uma ruptura, a uma laceração, mesmo na grande alegria de «poder seguir os conselhos de Nosso Senhor Jesus Cristo», na experiência do seu «jugo suave» e na consciência que n’Ele tudo se pode.

O serviço-sequela é separação, desaparecimento de todas as seguranças; é risco: «Parece-me que quem começa a servir a Deus com verdade, o mínimo que pode oferecer – depois da entrega da vontade – é a vida nómada».

Por isso, o serviço configura-se como cruz: «é um grande fundamento para se livrar das armadilhas e gostos que o demónio dá a quem começa a empreender com determinação o caminho da cruz. O próprio Senhor mostrou este caminho de perfeição, dizendo: “Toma a tua cruz e segue-me”». Jesus é o primeiro servo.

Sequela (seguimento) e serviço têm apenas uma única meta para ela: o partilhar a vida de Cristo. Animada pelo único desejo de «só servir ao seu Cristo crucificado», Teresa compreende que esta condição é necessária para um serviço adequado.

O caminho com Jesus é uma nova criação da existência: «o amor a Deus consiste no servir a Deus com justiça, com firmeza de ânimo e humildade», com «simplicidade de coração». Exige coragem, esquecimento de si, espírito de comunhão, distanciamento das coisas e das pessoas, sofrimento como garantia de um autêntico serviço. Via árdua, mas amada, porque o serviço é sequela de Jesus. Um seguimento não gravoso; não a escuridão duma dor incompreensível, mas a partilha da paixão de Jesus: «Juntos andamos, Senhor; por onde foste, tenho de ir; por onde passaste, hei-de passar».

Jesus é crucificado por amor aos irmãos.
O serviço em Seu favor torna-se, por isso, serviço aos irmãos.

O serviço ao homem é apenas uma resposta, na humildade, ao serviço que o próprio Deus nos fez em Jesus. Jesus serviu, sobretudo, morrendo. Por isso, a consciência de Lhe restituir, numa mínima parte, o serviço recebido, mesmo que traga consigo a experiência última da morte, e também por isto, torna alegre o seguimento, a via real da cruz, que é o próprio crucificado.

O serviço tem ainda um outro qualificativo, o mais alto: é a glória e concerne directamente ao bem da Igreja. Aparece aqui toda a eclesialidade de Teresa, que anima a sua coragem apostólica.

À luz de Jesus que chama, compreende-se a oração de Teresa, o seu desejo de serviço/libertação de Cristo:

«Muera ya este yo,
y viva en otro que es más que yo,
y para mejor que yo,
para que yo le pueda servir:
El viva y me vida;
El reine y sea yo cautiva,
que no quiere mi alma otra libertad».

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

O CANTINHO DO PADRE MÁRIO!

Jesus é o Mestre.

Jesus «pediu-nos e ensinou-nos a pedir (...) todas as coisas que podemos desejar na terra». Ele, que ama o Pai, educa-nos a amá-Lo.

Jesus aparece como o Livro e como o Mestre interior de quem Teresa se torna uma boa discípula.

O Magistério de Jesus, mestre da sapiência, sapiência eterna, culmina, para Teresa, no ensino do Pai-nosso, que Tertuliano chama de «compêndio de todo o Evangelho». Do mesmo modo, para ela, é a «oração evangélica, que encerra em si todo o caminho espiritual, desde o princípio até nos engolfar em Deus e nos dar de beber na abundante fonte de água viva».

Para conhecer o mestre que ensina esta oração, Teresa evidencia alguns aspectos do magistério de Jesus. Ele ensinou os conteúdos a rezar, mas também a modalidade da oração, o segredo, a solidão, expressões de uma dedicação no qual o eu vem eclipasado da presença do Único a quem vai dirigida a atenção. Ensinou, sobretudo, com a totalidade da vida, o estilo cristão: a humildade, a paciência...

A pedagogia de Jesus serve-se de meios simples, feriais: ensina com a palavra, que dá «luz e segurança», atrai e enche de amor os discípulos. Ensina dentro de nós: «sem ruído de palavras opera na alma sem mestre»: «Es menester recoger estos sentidos esteriores a nosotros mesmos y que les demos en qué se ocupar, pues es ansí que tenemos el cielo dentro de nosotros, pues el Señor de él lo está. Y si una vez comenzamos a gustar de que no es menester dar voces para hablarle – porque Su Majestad se dará a sentir cómo está allí».

O magistério de Jesus, «nosso mestre e modelo», «doce mestre e Senhor», é feito de comunhão e de proximidade.

Teresa liga-se ao filão da interioridade agostiniana: «pues nunca el maestro está tan lejos del discípulo que sea menester dar voces, sino muy junto. Esto quiero yo veáis vosotras os conviene para rezar bien el Paternóster: no os apartar de cabe el Maestro que os le mostró». «Representad al Señor junto con vos y mirad con qué amor y humildad os está enseñando». Não se vê o mestre que instrui, mas compreende-se que é Ele.

Ensina através da «Palavra de Deus na Escritura», sendo o Deus da revelação cristã; mas, sobretudo, através do Evangelho.

Ainda no que diz respeito à Sagrada Escritura, na sua globalidade, relativamente ao uso no seu tempo, Teresa alimentou-se dela com grande abundância. O livro da liturgia das horas punha-lhe em mãos muitos textos Sagrados, se bem que o latim fosse uma grande dificuldade para ela, no entanto, tinha acesso a livros bíblicos como o Cântico dos cânticos, a liturgia e o ofício de Nossa Senhora.

Chega mesmo a enunciar um princípio hermenêutico bíblico: é necessário ver a Sagrada Escritura não numa só parte, mas no seu conjunto.

Mas o que mais a marca é o magistério de Jesus e a importância dos ensinamentos do Mestre. As palavras de Jesus têm uma grande valência e operatividade, é uma Palavra-acontecimento: «Heme acordado que esta salutación del Señor devía ser mucho más de lo que suena, y el decir a la gloriosa Magdalena que se fuese en paz; porque como las palabras de Señor son hechas como obras en nosotros». «Verdaderas son sus palabras; no pueden faltar; antes faltarán los cielos y la tierra». Expressão da vontade de Deus, a Sua Palavra é como a Sua vontade: «que de una vez que mandó el Señor u pensó en hacer el mundo, fue hecho el mundo. Su querer es obra».

quinta-feira, 31 de julho de 2008

O CANTINHO DO PADRE MÁRIO!

Jesus pobre, manso e crucificado


O Jesus homem do qual se enamora Teresa qualifica-se prioritariamente como o pobre, o crucificado, o que tomou sobre si toda a debilidade da existência humana, o Seu deserto, a Sua fome/sede de esperança.

S. Teresa é atraída pela crua realidade da incarnação. Em primeiro lugar é impressionada por representações da paixão de Jesus, depois é o crucificado do Evangelho a prendê-la, na concretização brutal do Seu sofrimento, quer na Sua oração no horto, quer nos vários momentos da paixão.

Jesus crucificado é, para ela, o sinal mais radical de pobreza, aquele que não teve nem casa nem lugar para poder reclinar a cabeça; depois o pobre que sempre viveu entre as tribulações duma vida cheia de angústias, injúrias e desprezos, assinada com uma paixão dolorosa, até estar, «en la cruz tan pobre y desnudo». Por último, o crucificado que experimentou o abandono da parte de Deus, que foi triturado pela dor. Teresa é subjugada pela figura de Jesus destruído pelo medo aterrador da impotência do Getsémani.

A divina não razoabilidade do sofrimento de Cristo, o seu paradoxo salvífico, ou seja, a via da cruz, seguida por Jesus, não como um acto heróico, mas no sofrimento e na impotência, torna-se a via real para cada cristão: «que por este camino fue Cristo han de ir los que le siguen, si no se quieren perder». «Si lo es, Dio mío, muramos con Vos, como dijo santo Tomás, que no es otra cosa sino morir muchas vezes vivir sin Vos, y con estos temores de que puede ser posible perderos para siempre».

Um gesto aparentemente não muito difícil: «Ya sabe que si ha de gozar del Crucificado ha de pasar cruz; y esto no es mester que lo pidan, que a los que Su Majestad ama llévalos como a su Hijo».

Mas o acolhê-la ou não, depende da liberdade, é fruto de uma escolha. Depende do homem que entrar na lógica da pobreza de espírito, encontrar a sua dignidade de homem e a sua glória no estar ao pé da cruz com S. João.

É a única via da redenção, que passa pela desolação. A via do servo fiel, que a todo o custo, sendo firme, segue o Senhor onde quer que vá.

Teresa lê, na cruz, toda a manifestação do mistério de Cristo, a realização do Seu projecto salvífico. É deslumbrada pela tensão com que Jesus, no pleno cumprimento da vontade do Pai, deseja a hora da kenosi, que é a hora da salvação e da glorificação.

A kenose de Jesus, a sua cruz, torna-se glória: pela absoluta gratuidade, pela potência de libertação. Torna-se conforto no sofrimento, modo de comunhão gozosa com Jesus, fonte de exultação.

Por conhecer o sofrimento, o Crucificado sabe recriar toda a vida humana. Transporta em si uma benevolência, uma graça que marca toda a sua existência. É o «manso e humilde de coração» capaz de confortar os que perderam a fé, consolar os que sofrem. É aquele que tem compaixão pelos homens, dos pecadores, dos débeis, como na ressurreição de Lázaro, que considera feito a si o que se fizer ao mais pequeno. É a mansidão de Jesus, o «mansíssimo cordeiro».

quinta-feira, 10 de julho de 2008

O CANTINHO DO PADRE MÁRIO

Deus é o Artista
A Sua obra é de amor…



S. Teresa, desde muito cedo, compreendeu que o nosso bom Deus não tem necessidade de ninguém, e agrada-lhe repetir isso inúmeras vezes.

Não tem necessidade dos nossos belos pensamentos, das nossas boas obras, não precisa de bons livros nem de sábios doutores. Muitas vezes basta-lhe a nossa boa vontade.
Ele olha mais à intenção do que à grandeza da acção. Para Deus, o desejo pode superar a obra, podendo, ainda, superá-la em valor.

S. Teresa encontra em S. Paulo um apoio sólido: «“Usarei de misericórdia com quem entendo usar de misericórdia e sentirei compaixão de quem entendo sentir compaixão”.
Portanto,
não depende de quem quer,
nem daquele que corre,
mas somente de Deus que usa de misericórdia».

«Celina, parece-me que Deus não precisa de anos para completar a sua obra de amor numa alma: um raio do seu coração, num instante, pode fazer desabrochar as suas flores para a eternidade!...».

«Parece-me que o amor pode suprir uma longa vida...
Jesus não olha ao tempo, de facto, no Céu ele já não existe.
Ele só olha ao Amor».

É por isto que ela quer, no final da sua vida, aparecer diante de Deus com as mãos vazias. E ela não condena nem o trabalho nem as obras, apenas não suporta uma coisa, que os homens se gloriem das suas obras diante de Deus. Para ela seria como que uma ofensa feita à graça, porque:
«Jesus quer realizar essas graças, quer dar-nos gratuitamente o seu Céu».
«Ele mesmo é o Músico Divino que se encarrega do concerto!...».
É o caminho da confiança total.


Nestes pensamentos de S. Teresa joga-se a valorização do tempo e das virtudes, não em termos de quantidades, mas de qualidade e tocando a essência daquilo que são.

O tempo, e a nossa sujeição a ele, torna-nos humanos, impondo-nos uma subserviência e um desgaste, por ser quantificado; podendo no entanto, ser também qualificado.

O mais importante, é que o amor está chamado a ser de qualidade e tem o dom de tudo transformar instantaneamente, ou seja, sem precisar da fluidez do tempo, que nos humanos, parece ter mais o mau agouro de empobrecer do que o condão de nobilitar…

quinta-feira, 3 de julho de 2008

O CANTINHO DO PADRE MÁRIO!


O Amor,
único meio de perfeição

O ensinamento de S. Teresa de Lisieux centra-se no amor,
o único meio de atingir a perfeição:

«Não conheço outros meios para atingir a perfeição
a não ser “o Amor”...».

Seguindo S. Paulo, compreende que só o Amor dá valor a todas as realidades da nossa vida, começando pelas mais pequenas.

A ciência do amor

Teresa, permanecendo pequena, não renuncia aos seus grandes desejos de santidade. Mas, pelo contrário, nesta aceitação voluntária e alegre da sua pobreza, encontra o único meio de realizar os seus desejos infinitos: fazê-los acontecer para Aquele que pôs estes desejos no seu coração. Aceitando ser tão imperfeita e miserável, para que somente Deus possa ser nela a perfeição, a sua força e santidade.

Ela atingirá, como deseja, o cume da montanha do amor, e chegará lá mais rápido do que seguindo qualquer outro caminho.

Descobriu verdadeiramente a via mais pequena, muito curta, que nos conduz ao próprio coração de Deus, e isto, muito mais rapidamente do que todas as escadas que os homens são capazes de construir.

Esta é fortuna dos pequeninos: os grandes têm inumeráveis modos complicados para atingir a perfeição (ou de a tentar), os pequeninos apenas possuem um, mas infalível, que é Deus só.
«Mas quero procurar o modo de ir para o Céu por uma pequena via bela e direita, muito curta, uma pequena via toda ela nova».

Isto é, com a ajuda de um elevador que substitui vantajosamente os degraus de uma escada rude, a da perfeição. Ela sabe exactamente o necessário para ela. Armada deste saber, adentra-se pela Sagrada Escritura:
«Então procurei nos livros santos a indicação do elevador, objecto do meu desejo; e li estas palavras saídas da boca da Sapiência Eterna: Se alguém for muito pequeno, venha até mim. Assim cheguei a intuir que tinha encontrado o que procurava. E querendo saber, ó meu Deus, o que faríeis ao mais pequeno que respondesse ao vosso chamamento, continuei as minhas pesquisas e eis o que encontrei:
“Como uma mãe acaricia o filho, assim vos consolarei: levar-vos-ei ao colo e sentar-vos-ei sobre os meus joelhos!”».

«A ciência do Amor! Oh, sim! Esta palavra ressoa docemente aos ouvidos da minha alma. Eu desejo apenas aquela ciência (...)

Jesus se compraza de me mostrar o único caminho que conduz a esta fornalha Divina. Este caminho é o do abandono da criança que adormece tranquilamente, sem temor, nos braços de seu Pai...».

quinta-feira, 26 de junho de 2008

O CANTINHO DO PADRE MÁRIO!

A Igreja como Coração aceso de Amor

No Manuscrito B, Teresa narra a sua descoberta do Coração da Igreja como «Coração aceso de amor», partindo da leitura do capítulo trigésimo da primeira carta de S. Paulo aos Coríntios.

Descobre no amor a realidade essencial da Igreja,
unindo as diferentes vocações,
unindo de modo muito mais profundo a Igreja da terra à Igreja do Céu,
já que apenas «a caridade nunca acabará» (1Cor 13, 8).

O amor, sendo essencial na terra e no Céu, dá a possibilidade de amar o Senhor em plenitude e de forma desmesurada já aqui, na imediatez desta vida. Tais são as grandes afirmações de S. Tomás de Aquino, esplendidamente verificadas por Teresa.

Quando também ela experimenta a maior obscuridade na sua fé, vive já «o amor absoluto». Dizia o Apóstolo Pedro, falando aos cristãos de Jesus: «Sem o terdes visto, vós O amais; sem O ver ainda, crestes Nele e isto é para vós fonte de uma alegria inefável e gloriosa» (1Pe 1, 8).

Esta é a mesma alegria que ela partilha no meio da mais espessa escuridão, a alegria indescritível de amar a Jesus sem nunca O ter visto e sem O ver no presente. Por isso escreveu: «Jesus, amar-Te é a minha felicidade!».


Um Amor com todo o coração.

S. Teresa «ama com todo o coração» a Deus e aos homens, no mesmo amor de Jesus.

Trata-se da mais alta expressão simbólica da caridade como amor único a Deus e ao homem em Jesus.

Este simbolismo, neste sentido, reúne tudo,
isto é, toda a realidade divina e humana,
visível e invisível,
carnal e espiritual,
todas as dimensões do coração humano,
todas as relações com Deus e o próximo.

Com frequência compara o seu coração a uma lira, em que o Espírito Santo faz vibrar as cordas com as simples palavras: «Jesus, eu amo-te». De facto, amando a Jesus o coração alarga-se.

No seu coração de mulher as cordas musicais do amor são quatro:
- o esponsal
- o materno
- o filial
- o fraterno.

O mesmo amor realiza-a humanamente de forma plena como esposa, mãe, filha e irmã.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

O CANTINHO DO PADRE MÁRIO!

AMOR
é comunhão da Trindade.

No amor a Jesus, Teresa descobre a comunhão da Trindade:

«Ah! Tu sabes que Te amo, Jesus divino!
O Espírito de Amor abrasa-me com o Seu fogo
Amando-Te eu atraio o Pai» (poema 17, 2).

Teresa raras vezes fala do Espírito Santo explicitamente, mas na realidade Ele está sempre presente quando fala do Amor, porque se trata desse Amor de caridade, de ágape:

«O amor de Deus foi derramado nos nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado» (Rom 5, 5).

O Espírito é inseparável do Amor com que somos amados, com o Amor com que nós O podemos amar e dispensar ao próximo.

Terresa, muitas vezes, refere-se a Ele com os símbolos da água e do fogo, que são os principais símbolos da Escritura e do Espírito.

É precisamente ser divinizada pelo Espírito Santo que ela pede na sua oração:

«Peço a Jesus de me atirar nas chamas do Seu amor, de me unir tão estreitamente a Ele, que Ele viva e aja em mim».

Teresa remonta até à origem eterna deste Amor, à pessoa do Pai, dizendo-lhe:

«Já que me amaste até dar-me o Teu único Filho como meu Salvador e Esposo, (...) suplicando-Vos que não olheis para mim através da Face de Jesus e no seu Coração ardente de Amor».

Teresa oferece-se como «vítima de holocausto» ao fogo do Espírito de Amor, que sempre arde no coração de Jesus, assim recebe o mesmo Espírito no seu próprio coração, em forma de «onda de infinita ternura», de «oceanos de graças».

«“Abre-me, minha irmã, minha esposa, porque o meu rosto está perfumado pelo rocio e os meus cabelos pelo gozo da noite” (Cântico dos Cânticos): eis o que Jesus diz à nossa alma quando é abandonado e humilhado!... Celina, o esquecimento, parece-me que seja isto o que mais o faz sofrer!...». «Ela quer enxugar-lhe, estas lágrimas, para fazer o seu hábito no dia das núpcias, hábito que também será escondido, mas será apreciado pelo Predilecto».

O desejo de Jesus ser amado é uma sede para encontrar corações que recebam O seu Amor, como Ele o quer dar. Está tudo aqui, aceitar o Amor, abrir-se a Ele como Ele se quer dar: como um amor infinito que deseja prodigar-se gratuitamente àqueles que a Ele se oferecem.

S. Teresa descobriu a exigência acelerada do Amor. Ela recebeu a graça de compreender quanto Jesus quer ser amado. Porque acreditou na Caridade divina como esta é, e acreditou mais ainda, se assim se pode dizer, na sede insaciável que Deus tem em dar o Seu Amor.

Vive mais em Deus do que em si mesma, mesmo sem gozar, por causa disto, de êxtases místicos, habituada a cuidar mais das suas acções do que das reacções do Amado. «Não peço o amor sensível, mas só aquele sentido por Jesus».

Vive o único êxtase essencial, a felicidade do amor no amado.

Se o amado está feliz, ela também está necessariamente feliz, mesmo que seja no sofrimento ou na infelicidade humana:
«Se Ele estiver contente, eu estarei no cume da felicidade».

quinta-feira, 22 de maio de 2008

O CANTINHO DO PADRE MÁRIO!




É mesmo o amor


o que mais impressiona em
S. Teresa de Lisieux.

A sua doutrina é uma expressão de toda a sua experiência vital.
Teresa de Lisieux ensina contando a sua vida. A sua doutrina é uma teologia narrativa, autobiográfica, ascética, «mística» e simbólica.
Esta vida é caracterizada por uma comunhão dinâmica de amor que tem um nome e um rosto: Jesus.
Um amor cada vez mais profundo, aos três maiores Mistérios cristológicos: o da Incarnação, o Pascal da Redenção e o da Eucaristia.


O Orvalho Divino

1. Meu doce Jesus, no regaço da tua Mãe
Apareces-me, envolto em luz de Amor.
O Amor, eis o inefável mistério
Que te exilou da Celeste Morada…
Ah! Deixa-me ocultar sob o véu
Que aos olhos humanos Te esconde
E junto de Ti, ó Estrela Matutina!
Encontrarei um antegozo do Céu.

2. Desde o nascer de cada nova aurora
Quando aparecem os primeiros raios de sol
A delicada flor que começa a abrir
Espera do alto um bálsamo precioso
É o orvalho benéfico da manhã
Totalmente cheio de uma doce frescura
Que produzindo uma seiva abundante
Do fresco botão faz entreabrir a flor.

3.Tu és, Jesus, a Flor que acaba de abrir-se,
Contemplo-Te no teu primeiro despertar,
És Tu, Jesus, a deslumbrante Rosa,
O fresco botão, gracioso e cor de ouro.
Os puríssimos braços da tua Mãe querida
Formam para Ti um berço, trono real
O Teu doce sol, é o seio de Maria
E o Teu Orvalho, o Leite Virginal!...

4. Meu Bem-amado, meu Divino Irmãozinho
No Teu olhar vejo todo o futuro
Cedo por mim deixarás a tua Mãe
O Amor já Te impele a sofrer.
Eu, frágil criança, só vejo no cibório
A cor, a figura do Leite
Mas é o Leite que convém à infância
E o Amor de Jesus é sem igual!

Neste pequeno espaço do blog, gostaria de dizer aos leitores que não devem confundir S. Teresa de Ávila, que iremos tratar mais à frente, com S. Teresa do Menino Jesus; as duas Doutoras da Igreja.
A primeira, é espanhola, de Ávila, nasceu a 28/03/1515; morreu a 15/10/1582. A segunda, é francesa, de Lisieux, nasceu a 02/01/1873, às 23:30; morreu a 30/09/1897.
Ambas foram religiosas de clausura, ou seja, monjas carmelitas.