Mostrar mensagens com a etiqueta futuro. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta futuro. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 1 de julho de 2008

PRECIOSIDADE!

Hoje dei comigo a ler as Conclusões de um workshop realizado em Braga, em 2006, sobre a Criança Institucionalizada, quando encontrei esta preciosidade na pena da Alves Pinto (Ex-director Regional do Norte do IRS) que aqui vos deixo:


“As crianças merecem tudo. Porque merecem tudo, curiosamente, não lhes podemos dar tudo. É que as manhãs repetem-se e nunca são iguais. Temos que guardar um resto de tudo, para darmos às crianças quando elas necessitem. Amanhã, depois de amanhã, nas manhãs que se sucedem e que nunca são iguais.


O mesmo acontece com os jovens. Eles merecem tudo. E porque merecem tudo, cumpre-nos dar-lhes um bocadinho menos do que tudo.


Os direitos da criança, os deveres dos adultos, não se esgotam num dia.
Tudo se quer no seu lugar: com conta, peso e medida. Cuidados em excesso, podem infantilizar; cuidados por defeito, podem provocar rupturas e desvios comportamentais.
Relação de amor. Ordem. Responsabilidade. Família. Estudo. Trabalho. Respeito. Verdade. Participação. Disciplina. Tolerância. Fraternidade. Honestidade. Temos que ir por aqui. É este o caminho. Cumpramos, meus amigos. Naturalmente. Sem constrangimentos. As crianças e os jovens tomarão o nosso exemplo. Também eles verão que é o trilho certo. Descobri-lo-ão por si. Cumprirão o desígnio e o desafio da descoberta."

segunda-feira, 28 de abril de 2008

OLHAR O FUTURO! (2)



1: Onde queres estar daqui a 10 anos? O que queres estar a fazer?
2. Quais são os objectivos, as finalidades, que terás de estabelecer para definir os passos a dar?
3. O que tens de fazer e sobre que valores te sustentas? (auto-estima, solidariedade, respeito pelos outros, etc)
4. Que estratégias vais usar para fazer o que tens a fazer?
5. Que metas marcas para avaliar o teu caminho percorrido e te certificares de que este é aquele a seguir?
6. Que resultados defines para encontrares ao fim de cada meta?

"A maior parte das pessoas
não faz ideia da capacidade gigantesca
que pode ser imediatamente libertada
quando focamos,
concentramos, alinhamos
todos os nossos recursos, no domínio, na excelência
de um aspecto específico das nosas vidas." (Tony Robbins)
Carmo Cruz

sexta-feira, 25 de abril de 2008

O MEU 25 DE ABRIL


Lembro-me, era um rapazinho, que a minha avó, quando viu o padre António a passar, no seu passo curto mas ligeiro, no outro lado da rua, disse que ali ia um homem com as medidas perfeitas. Ela, receando que eu interpretasse aquelas palavras de maneira menos apropriada, falou-me da Cidade Santa do Livro do Apocalipse, dizendo-me que a Cidade era perfeita porque no seu comprimento, na sua largura e na sua altura, as medidas eram todas iguais. A cidade perfeita. Medidas iguais. E assim era o padre António: um homem com as medidas perfeitas; um homem de uma grandeza interior (largura), de uma dedicação, sem reservas, a todos os que dele se abeiravam e precisavam da sua ajuda (comprimento), e era um homem de Deus (altura).
Hoje, é a este retalho de vida que eu me agarro para falar do 25 de Abril que comemora o seu 34º aniversário. Para falar do meu 25 de Abril: Um 25 de Abril com as medidas perfeitas.
O meu 25 de Abril não é o regresso caloroso, a casa, depois de anos de medo, stress, angústia, a fugir das armas e dos canhões da guerra colonial; o meu 25 de Abril não é o respirar de alívio porque se romperam os grilhões das cadeias para aqueles que lutavam contra a ditadura e ansiavam pela liberdade; o meu 25 de Abril não é o término das filas infindáveis de quem esperava um naco de pão para poder sobreviver; o meu 25 de Abril não é o poder escrever sem censura; o meu 25 de Abril não são as conquistas que o Poder Local conseguiu para melhor servir as populações; o meu 25 de Abril não são os militares de Abril e o Movimento das Forças Armadas e a sua coragem, generosidade e seriedade.
Essas são realidades do passado, conquistas que não esquecemos e agradecemos aos que por isso lutaram e deram a própria vida e aqui prestamos a nossa homenagem. É tempo de saber retirar do 25 de Abril outras frentes de batalha para eu possa cantar aos meus filhos um 25 de Abril com as medidas perfeitas. Um 25 de Abril em ordem a despertar e promover o desenvolvimento integral da nossa sociedade. Uma sociedade em que todas "as medidas" lhe sejam dadas de forma equilibrada ou seja, iguais, para que os meus filhos, os meus netos e os filhos dos meus netos, cresçam e exerçam o seu papel na sociedade de forma equilibrada e empreendedora.
O meu 25 de Abril é a esperança numa sociedade com a "largura" ideal, a tal dimensão individual. É o aperfeiçoamento pessoal, interior; a descoberta e o desenvolvimento das capacidades físicas, intelectuais e afectivas de todos; a liberdade responsável, a maturidade em ordem a tomar decisões pessoais, a persistência perante os problemas, a abertura ao futuro, o explorar ao máximo as qualidades das pessoas: "Que não se deixe por explorar nenhum dos talentos que constituem como que tesouros escondidos no interior de cada ser humano", nas palavras de Delors.
O meu 25 de Abril é a esperança numa sociedade com o "comprimento" ideal: A dimensão comunitária. A abertura ao que nos rodeia. "Trata-se do aprender a viver juntos, desenvolvendo o conhecimento acerca dos outros, da sua história, tradições e espiritualidade." Uma sociedade que invista numa educação que incuta nos jovens o ideal democrático, promovendo neles a tolerância e o respeito pela cultura, a religião e os valores de cada povo.
O meu 25 de Abril é a esperança numa sociedade com a "altura" ideal: A dimensão transcendental. Como cristão, o meu 25 de Abril não pode abdicar desta dimensão. Ignorar esta dimensão, seria amputar o homem da sua dimensão especificamente humana: a transcendência. O trabalho, do merceeiro ou do poeta, do pedreiro ou do político, do cantor ou do professor, é participação na criação divina, que não está terminada e pela qual sou responsável. Ou seja, os valores mais urgentes da nossa sociedade, a liberdade, a justiça, a solidariedade e a paz, a democracia, também vistos à luz do Evangelho.
O meu 25 de Abril é procurar cultivar aquelas três dimensões de forma equilibrada, porque acredito que um projecto que não as englobe harmoniosamente não serve a democracia e não prepara os cidadãos para um compromisso sério na sociedade. É não apostar no futuro que, como há tempos ouvi do nosso cientista maior, Carvalho Rodrigues, "é muito novo, porque é muito antigo, e vem em todos os livros sagrados: É que, um dia, nós, em vez de comunicar, vamos comungar. E nesse dia, o bem de um é o bem de todos, o mal de um será o mal de todos".
E, afinal, o meu 25 de Abril, também, é muito novo porque é muito antigo; o meu 25 de Abril, afinal, não é tão diferente daquele de 74; afinal, o meu 25 de Abril, não é tão diferente daquele que muitos viveram, porque, afinal, o 25 de Abril diz-nos que o bem de um é o bem de todos, o mal de um será o mal de todos. Que se faça o 25, em Abril, em Maio ou em Dezembro. O 25, o tal de Abril, será sempre quando e o que nós quisermos. O meu e o vosso que, afinal, não são tão diferentes!

OLHAR O FUTURO!



O texto que se segue está aqui por empréstimo de um amigo que, do meu ponto de vista, nos deixa uma sugestão pertinente: Ajudar os alunos a fazer uma coisa que fazemos pouco: Olhar para depois de amanhã.

Aqui fica o texto:


Há dias numa escola, ao olhar para um painel feito pelos alunos, sobre os descobrimentos e possessões portuguesas dos séculos XV e XVI, fiz um comentário-reflexão com duas professoras que me acompanhavam.

Ontem de manhã, a minha filha contou-me que a sua turma está a desenvolver um trabalho sobre Portugal, para depois, via internet trocarem a informação, em inglês, com uma escola polaca. À minha filha calhou-lhe trabalhar sobre figuras portuguesas: Amália; Eça; Vasco da Gama e Fernando Pessoa.

A história é muito importante! Não há dúvidas!Mas num país como Portugal, tão rico em história, com gente tão hollywoodesca (no melhor sentido da palavra)... não corremos o risco de sobrecarregar os alunos com tanto peso histórico que fiquem com receio de não estar à altura da herança?

Afinal, na parábola dos talentos que Jesus contou na Galileia há dois comportamentos possíveis:

arriscar, investir ou o medo de perder...


O comentário que me surgiu ao olhar para o painel foi algo do género: e se em vez de olharmos sempre para o passado, para o que os nossos antepassados fizeram, olhássemos para o futuro?Por que não fazer um painel sobre Portugal em 2108? Obrigava os alunos a fazer uma coisa que fazemos pouco. Olhar para depois de amanhã!

Ao olhar e ao retratar o Portugal hipotético do início do século XXII, talvez fosse possível incutir a noção de causa-efeito. Não há acasos! Seremos como país futuro real, o somatório das acções que todos nós vamos fazer durante a nossa vida.

Se queremos um país futuro real com as características xis, o que é que cada um pode fazer? Qual o desafio que tem pela frente?

Os alunos seriam projectados para o futuro, aprenderiam qual a sua contribuição possível, aprenderiam que não há nada que nos garanta que o futuro será melhor que o passado se não fizermos por isso.

Gente com esta experiência, com 2/3 anos de treino, quando chegasse à vida activa... estaria muito mais apta a gerir a sua vida, estaria muito mais vacinada contra a demagogia dos políticos e autarcas, seria muito mais exigente consigo e com os outros.