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quinta-feira, 19 de setembro de 2013

DO TEMPO DA ESCOLA!


"O TEMPO DA ESCOLA é o tempo para CAMINHAR, de palavra em palavra, de frase em frase, de problema em problema, num mundo de relação e de lições dadas frente a frente. Tempo para APRENDER A ESCUTAR e a SER ESCUTADO, tempo para APRENDER A AJUDAR e a SER AJUDADO. A escola é VIDA com tempo para PENSAR A VIDA, lugar de muitos ENCONTROS e de muitos começos… É com este lugar de aprendizagem, de HUMANISMO e de cultura, que os professores se identificam e a partir do qual faz sentido estabelecer PLATAFORMAS de CONFIANÇA e de COMPROMISSOS (…), é preciso valorizar o “TOQUE PARA DENTRO”, a chamada para a aventura de uma aprendizagem tateante, feita de esforço, de obstáculos e de desafios de uma descoberta contínua e exigente.”
(Isabel Baptista: Dar rosto ao futuro, a educação como compromisso ético: 63)

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

DA EDUCAÇÃO!

"Na educação não podemos ter certezas. Não. Não podemos saber do bem ou do mal que oferecemos ao futuro do mundo. Mas se formos honestos e dermos às nossas crianças o que gostaríamos que dessem aos nossos filhos, não nos podemos enganar." 
Teresa Marques in Correio da Educação)

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Da "ARTE" de EDUCAR!


 "Não desanimeis diante das dificuldades apresentadas pelo desafio educativo! Educar não é uma profissão, mas uma atitude, um modo de ser; para educar é preciso sair de si mesmo e permanecer no meio dos jovens, acompanhá-los nas etapas do seu crescimento, pondo-se ao seu lado.
Dai-lhes esperança, otimismo para o seu caminho no mundo.
Ensinai-lhes a ver a beleza e a bondade da criação e do homem, que conserva sempre os vestígios do Criador.
Mas, sobretudo com a vossa vida, sede testemunhas daquilo que comunicais. Um educador — professor, responsável, pai e mãe — transmite conhecimentos e valores com as suas palavras, mas só será incisivo sobre os jovens se acompanhar as palavras com o testemunho, com a sua coerência de vida. Sem coerência não é possível educar!
Sois todos educadores, não há delegações neste campo. Então, a colaboração em espírito de unidade e de comunidade entre os vários componentes educativos é essencial e deve ser favorecida e alimentada. O colégio pode e deve ser catalisador, ser lugar de encontro e de convergência de toda a comunidade educadora, com a única finalidade de formar, ajudar a crescer como pessoas maduras, simples, competentes e honestas, que saibam amar com fidelidade, que saibam levar a vida como uma resposta à vocação de Deus, e a profissão futura como um serviço à sociedade."

(Papa Francisco no encontro com alunos e educadores a 7 de junho 2013)

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

"QUO VADIS", PROFISSÃO DE PROFESSOR?

Da minha colega e amiga de há muitos anos, Rosário Meireles, um "desabafo" que partilho:

"E falam-me de revisão curricular? Um dia cinzento…professor. Hoje o dia amanheceu cinzento e chuvoso…Para muitos mais um dia de inverno! Para mim um dia triste, coberto de indignação, revolta, medo, impotência e desolação. Ontem..., em frente à Escola EB 2/3 Padre António Luís Moreira, nos Carvalhos - Vila Nova de Gaia, um Professor de Matemática, de 63 anos, foi violentamente agredido por três indivíduos de etnia cigana. Não. Não agrediu nenhum aluno. Não foi incorreto com ninguém, nem tão pouco falou mais alto. O exemplo de civismo, educação, correcção e profissionalismo é a descrição deste nosso colega. Apenas mandou que uma aluna de etnia cigana se retirasse da sala onde entrou sem autorização e sem educação. Motivo este bastante para que a aluna comunicasse com os familiares que de forma selvagem se encarregaram do “ajuste de contas”. Sou professora e tenho também alunos de etnia cigana. Terei provavelmente princípios de educação e civismo semelhantes aos da maior parte dos professores, como este colega. Corrijo todos os dias os comportamentos e atitudes que considero despropositados. Trato todos os alunos de igual forma tendo como principio a igualdade de que todos falam com a “boca cheia”. Igualdade essa de direitos, mas também de deveres. Sim, porque não pensem que a igualdade só serve para ter direitos! O cumprimento das regras de civismo e respeito também fazem parte. E se um dos meus alunos achar que “cuspir em cima das secretárias” é um direito que ele tem? Isso vai contra o meu entendimento de respeito e educação e, como tal terei de informá-lo da necessidade de limpar a secretária que é de todos. Se a moda pega, terei com toda a certeza de pedir proteção policial para sair da escola. Cada vez que tento visualizar a situação de agressão a que foi sujeito este professor, fico completamente de rastos, desmoralizada e sem motivação alguma para continuar a fazer aquilo que escolhi há muitos anos.

E falam-me em revisão curricular?? Podem fazê-las todas e todos os anos! Não é aí que se encontra o “cancro” da Escola/Educação. Podem aumentar as cargas horárias todas que quiserem! Os alunos não vão saber mais por isso. É o mesmo que tentar tratar o doente com a medicação errada. A indisciplina grassa em grande escala e em percurso crescente na maior parte dos estabelecimentos de ensino do nosso país. É mais ou menos camuflada, numas ou noutras escolas, por interesses vários, desde directores a ministros. Mas está instaurada e cada vez com maior número de aderentes. A nós pouco nos resta fazer. Tentamos de todas as formas, nunca infringindo a lei ou ferindo os tão apregoados direitos do aluno, proteger os poucos que sabem para que serve a Escola, o Professor e a Educação. Mesmo correndo algum risco de, segundo os entendidos, traumatizar as crianças, ainda elevamos o tom de voz ou castigamos um ou outro aluno, na tentativa, quase inglória, de “salvar” mais um. Sabendo que a missão primeira de educar compete aos pais e sabendo que poderemos ser verbalmente e fisicamente agredidos, arriscamos e transmitimos sempre que achamos premente, os valores e princípios que os nossos alunos não trazem de casa, corrigimos atitudes, somos pai e mãe sempre que necessário. Recebemos mensagens escritas dos encarregados de educação, revelando uma falta de respeito, educação e desconhecimento atroz, porque cansamos o seu educando com os trabalhos de casa. Somos ameaçados pelos pais e familiares dos alunos a quem dizemos que é necessário um caderno e uma caneta para escrever e que esse material é muito mais importante numa sala de aula, do que um telemóvel…
E falam-me em revisão curricular??... Não aguento mais medidas sem sentido e de nenhum efeito. Um médico não receita sem saber qual é o mal de um doente, ou não deveria fazê-lo. Então como se quer tratar a Escola/Educação sem antes perceber, analisar, verificar onde está realmente o grande, imenso problema? É urgente e inadiável impor a disciplina nas escolas portuguesas. É urgente e inadiável que se percebam as diferenças de direitos e deveres entre um adulto e uma criança. É urgente e inadiável que um professor possa ensinar quem quer realmente aprender. É urgente e inadiável que o medo deixe de ser uma sombra permanente sobre as cabeças dos docentes do nosso país. É urgente e inadiável que possamos intervir assertivamente e no imediato em situações que estão no limiar do humanamente suportável. É urgente e inadiável que o respeito e educação que exijo aos meus filhos, possa exigir da mesma forma aos meus alunos. E falam-me de revisão curricular?? É inadmissível que o professor seja obrigado a engolir os insultos de um aluno que tem mais ou menos a idade dos seus filhos quando em sua casa isso não é minimamente tolerável. Não pensem que quero “a menina dos cinco olhinhos”. Não. Apenas penso que fomos exactamente para o outro extremo. Quase que me apetece dizer que se vive uma anarquia nas escolas. Gritar fere a sensibilidade das crianças, mas falar baixo não resulta pois estas não sabem estar caladas. Uma bofetada ou puxão de orelhas? Completamente desadequado. Isso só com os nossos filhos surte efeito. Aos nossos alunos traumatiza e marca para toda a vida. Talvez seja por isso, por tantos traumas destes, que a nossa geração cresceu, formou-se, trabalha e não espera que nenhum subsídio seja criado e nenhuma casa lhe seja oferecida. Os meus vinte e cinco anos de serviço não me ensinaram a viver uma escola em que importa apenas que as crianças sejam muito felizes e acreditem que a vida é super fácil; que o trabalhar é apenas para os “totós”, pois a preguiça compensa e de uma forma ou de outra todos conseguirão fazer a escola; que independentemente de cumprirmos as regras teremos sempre direitos; que pudemos ofender de todas as formas possíveis e agredir sempre, pois o pior que poderá acontecer são uns dias de “férias” em casa; que de uma forma ou de outra, a culpa é sempre do professor. O nosso colega está em casa, depois de uma tarde nas urgências do hospital, com cortes no rosto e muitos hematomas. Tenho o estômago embrulhado e um nó na garganta. Uma vida inteira dedicada a ensinar e a formar um futuro melhor para o nosso país é desta forma agraciada quase no fim da sua carreira. E quem está a ler e a sentir-se da mesma forma que eu perguntará: “ E a escola não age?” E eu digo-vos qual é a resposta: “Foi fora do recinto escolar.” Gostaram? Conseguem imaginar como será o estado de espírito deste professor de matemática? Já não falo das marcas físicas e das dores que deve ter, pois foram muitos pontapés e murros covardemente dados por três homens na casa dos vinte anos. Covardemente por serem três a agredirem um senhor de sessenta e três anos. Falo na dor psicológica, uma dor que não passa com analgésicos, que vai lá ficar muito tempo. Será a recordação mais viva que terá da sua longa carreira que está quase no final. Aqui fica a medalha de “cortiça” que recebe pela sua dedicação e entrega à escola e aos alunos. No final apenas fica o amargo de boca de quem tem consciência de que fez o melhor trabalho que pode, que entregou a melhor parte da sua vida e juventude aos seus alunos, que exerceu com toda a dignidade a sua profissão, respeitando sempre todos, engrandecendo o conhecimento de muitos. Resta-me dizer que este dia cinzento tem toda a razão de ser e todos os professores se sentirão exactamente neste cinzento que porventura será a cor que melhor define os sentimentos de quem neste momento consegue imaginar-se no lugar deste professor."

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

DO ELOGIO DO EDUCADOR!

"No passado do poeta que escreveu versos sublimes, há quase de certeza um professor que o obrigou a exercitar-se na sintaxe, que o forçou a corrigir vezes sem conta frases mal escritas, que ralhou com ele quando se desleixava. Na juventude... daquele que escreveu uma bela sinfonia houve muito possivelmente uma professora, talvez já velhota, que lhe explicou cem vezes, pacientemente, qual era a forma correcta de colocar as mãos quando se sentava ao piano.

O poeta e o músico tiveram os seus nomes escritos na História, mas ninguém recorda quem foram os seus mestres. No entanto, há uma beleza imensa nesse passar despercebido, nesse ter rasgado as mãos ao trabalhar nos escuros alicerces de um mundo melhor. Uma beleza que só é apreciada pelas grandes sensibilidades, como são as daquelas pessoas que se dedicaram de corpo e alma à educação. Uma boa parte da humanidade prefere aquilo que dá nas vistas ou produz frutos imediatos…"
 
(Paulo Geraldo)

sábado, 22 de janeiro de 2011

CREDO PEDAGÓGICO


Um texto que aqui já fiz referência, e que o JMA já denominou como um "Belo Credo Pedagógico", e que volto a trazê-lo como a "outra face" do vídeo que ontem coloquei no "facebook".


Não é à pancada,
Estou convencido que não é à pancada.
E embora haja quem pense
Que dar confiança é arriscado
Eu creio que o único caminho é o amor.

Não me preocupam nada temores do género:
“- e lhes damos uma mão querem logo o braço”.
“- Comem-nos as papas na cabeça”.
“- Pela caridade entrou a peste no mundo…”


Não me preocupam, primeiro
Porque não é a dignidade do professor
O supremo valor da escala educativa.
Não me preocupam, depois,
Porque o que interessa,
Mais do que as manifestações exteriores de respeito,
É o verdadeiro respeito interior.
Não me preocupam, finalmente,
Porque creio que é mais efectivo,
Muito mais educativo e mais belo,
Ver como as pessoas
Aprendem a amar e a confiar nas pessoas,
Ver como aprendem a ser mais felizes.

Não temo que me comam as papas na cabeça,
Que abusem da minha confiança.
Porque é preferível rirem-se
(se for esse o caso)
Do que serem vítimas da nossa insensibilidade,
Do nosso rigor
Da nossa amizade.
Porque a fortaleza está no amor
E não na imposição da disciplina.

Não nos tornamos mais fortes por mantermos a ordem,
Por as crianças “se não mexerem”,
Por se saber perfeitamente quem detém a autoridade.

Seremos fortes se não nos preocupamos em sê-lo,
Se verdadeiramente amamos os outros,
Se fizermos nascer no seu íntimo
O desejo de serem melhores,
De serem solidários e respeitadores,
De serem amantes da justiça
E da ordem que nasce da justiça e não da força,
E não do temor,
E não da violência.
Só neste clima
É que as pessoas aprendem a ser livres
A ser melhores.

Santos Guerra
in Uma pedagogia da libertação
CRIAPASA

terça-feira, 5 de outubro de 2010

PORQUE HOJE É, TAMBÉM, O DIA MUNDIAL DO PROFESSOR!

O Diogo Oliveira enviou-me um mail dando-me os parabéns porque hoje é o Dia Mundial do Professor. Já nem me lembrava. Mas ainda bem que somos lembrados pelos alunos. Anexou-me o texto que agora vos deixo. É um elogio, sem dúvida, pelo nosso trabalho mas não pode, também, deixar de ser uma reflexão sobre o como tem sido a nossa praxis. Obrigado Diogo por te lembrares de nós e pelo texto bonito que enviaste. Aqui fica (não vem referenciado o autor):

Ser professor é...


Ser professor é professar a FÉ
e a certeza de que tudo terá valido a pena se o aluno se sente feliz
pelo que aprendeu
e pelo que ensinou...

Ser professor é consumir horas e horas
pensando em cada detalhe
daquela aula que, mesmo ocorrendo todos os dias, a cada dia é única e original...


Ser professor é entrar cansado numa sala de aula
e, diante da reação da turma,
transformar o cansaço numa aventura maravilhosa de ensinar e aprender...

Ser professor é importar-se com o outro
numa dimensão de quem cultiva uma planta muito rara
que necessita de atenção, amor e cuidado.

Ser professor
é ter a capacidade de "sair de cena, sem sair do espetáculo".
Ser professor é apontar caminhos,
mas deixar que o aluno caminhe com seus próprios pés...

domingo, 12 de setembro de 2010

CARTA A UM PROFESSOR



Via JMF, uma carta que, algures, foi atribuída a Lincoln mas que não colhe unanimidade, por parte dos especialistas, sobre a veracidade da sua autoria. No entanto, é uma belíssima carta e que merece ser partilhada no início de um novo ano lectivo. Aqui fica:

"Caro professor, ele terá de aprender que nem todos os homens são justos, nem todos são verdadeiros, mas por favor diga-lhe que, por cada vilão há um herói, que por cada egoísta, há também um líder dedicado, ensine-lhe por favor que por cada inimigo haverá também um amigo, ensine-lhe que mais vale uma moeda ganha que uma moeda encontrada, ensine-o a perder mas também a saber gozar da vitória, afaste-o da inveja e dê-lhe a conhecer a alegria profunda do sorriso silencioso, faça-o maravilhar-se com os livros, mas deixe-o também perder-se com os pássaros do céu, as flores do campo, os montes e os vales.

Nas brincadeiras com os amigos, explique-lhe que a derrota honrosa vale mais que a vitória vergonhosa, ensine-o a acreditar em si, mesmo se sozinho contra todos. Ensine-o a ser gentil com os gentis e duro com os duros, ensine-o a nunca entrar no comboio simplesmente porque os outros também entraram.

Ensine-o a ouvir a todos, mas, na hora da verdade, a decidir sozinho, ensine-o a rir quando esta triste e explique-lhe que por vezes os homens também choram. Ensine-o a ignorar as multidões que reclamam sangue e a lutar só contra todos, se ele achar que tem razão.

Trate-o bem, mas não o mime, pois só o teste do fogo faz o verdadeiro aço, deixe-o ter a coragem de ser impaciente e a paciência de ser corajoso.

Transmita-lhe uma fé sublime no Criador e fé também em si, pois só assim poderá ter fé nos homens.

Eu sei que estou a pedir muito, mas veja que pode fazer, caro professor."

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

QUANTO VALES?


Uma frase do padre João Roberto Marques, antigo director do Colégio dos Carvalhos, à entrada da porta da sala do 6ºC que, no meu tempo de aluno, era a porta da entrada da Biblioteca. Uma quadra simples, bem ao estilo do poeta Aleixo, mas com uma profunda mensagem.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

IN ILLO TEMPORE!


Em 1932, uma Comissão de Pais portugueses, numa reunião em Paris, escreveu sobre os seus filhos: “são capazes de esforços mentais intensos, mas curtos, são rebeldes ao esforço lento, à tenacidade, à persistência e à continuidade, são espíritos de grande vivacidade, propensos às sínteses rápidas, fulgurantes, mas são incapazes das análises pacientes, meticulosas e profundas; são cérebros de grande elasticidade mas sem firmeza, são inteligências abertas a todas as curiosidades, mas só atraídas com entusiasmo pela novidade e pelo inédito, são vontades facilmente vencidas e tornadas inertes pela monotonia das ocupações mentais”.

Mais vírgula, menos vírgula, digam lá se o retrato não é actual?

domingo, 27 de dezembro de 2009

BELO CREDO PEDAGÓGICO!

Um texto que aqui já fiz referência, e que o JMA já denominou como um "Belo Credo Pedagógico", e que volto a trazê-lo a pedido do Carlos Soares.



Não é à pancada,
Estou convencido que não é à pancada.
E embora haja quem pense
Que dar confiança é arriscado
Eu creio que o único caminho é o amor.

Não me preocupam nada temores do género:
“- e lhes damos uma mão querem logo o braço”.
“- Comem-nos as papas na cabeça”.
“- Pela caridade entrou a peste no mundo…”


Não me preocupam, primeiro,
Porque não é a dignidade do professor
O supremo valor da escala educativa.
Não me preocupam, depois,
Porque o que interessa,
Mais do que as manifestações exteriores de respeito,
É o verdadeiro respeito interior.
Não me preocupam, finalmente,
Porque creio que é mais efectivo,
Muito mais educativo e mais belo,
Ver como as pessoas
Aprendem a amar e a confiar nas pessoas,
Ver como aprendem a ser mais felizes.


Não temo que me comam as papas na cabeça,
Que abusem da minha confiança.
Porque é preferível rirem-se
(se for esse o caso)
Do que serem vítimas da nossa insensibilidade,
Do nosso rigor
Da nossa amizade.
Porque a fortaleza está no amor
E não na imposição da disciplina.


Não nos tornamos mais fortes por mantermos a ordem,
Por as crianças “se não mexerem”,
Por se saber perfeitamente quem detém a autoridade.


Seremos fortes se não nos preocupamos em sê-lo,
Se verdadeiramente amamos os outros,
Se fizermos nascer no seu íntimo
O desejo de serem melhores,
De serem solidários e respeitadores,
De serem amantes da justiça
E da ordem que nasce da justiça e não da força,
E não do temor,
E não da violência.
Só neste clima
É que as pessoas aprendem a ser livres
A ser melhores.


Santos Guerra
in Uma pedagogia da libertação
CRIAPASA

segunda-feira, 21 de julho de 2008

A SEREM LIVRES E MELHORES!

Não é à pancada,
Estou convencido que não é à pancada.
E embora haja quem pense
Que dar confiança é arriscado
Eu creio que o único caminho é o amor.


Não me preocupam nada temores do género:
“- e lhes damos uma mão querem logo o braço”.
“- Comem-nos as papas na cabeça”.
“- Pela caridade entrou a peste no mundo…”


Não me preocupam, primeiro,
Porque não é a dignidade do professor
O supremo valor da escala educativa.
Não me preocupam, depois,
Porque o que interessa,
Mais do que as manifestações exteriores de respeito,
É o verdadeiro respeito interior.
Não me preocupam, finalmente,
Porque creio que é mais efectivo,
Muito mais educativo e mais belo,
Ver como as pessoas
Aprendem a amar e a confiar nas pessoas,
Ver como aprendem a ser mais felizes.


Não temo que me comam as papas na cabeça,
Que abusem da minha confiança.
Porque é preferível rirem-se
(se for esse o caso)
Do que serem vítimas da nossa insensibilidade,
Do nosso rigor
Da nossa amizade.
Porque a fortaleza está no amor
E não na imposição da disciplina.


Não nos tornamos mais fortes por mantermos a ordem,
Por as crianças “se não mexerem”,
Por se saber perfeitamente quem detém a autoridade.


Seremos fortes se não nos preocupamos em sê-lo,
Se verdadeiramente amamos os outros,
Se fizermos nascer no seu íntimo
O desejo de serem melhores,
De serem solidários e respeitadores,
De serem amantes da justiça
E da ordem que nasce da justiça e não da força,
E não do temor,
E não da violência.
Só neste clima
É que as pessoas aprendem a ser livres
A ser melhores.

Santos Guerra
in Uma pedagogia da libertação
CRIAPASA

quarta-feira, 16 de julho de 2008

NA ROTA DOS BLOGUES AMIGOS!

A Carmo Cruz partilhou no seu blogue: "Muitos de entre aqueles que enchem a minha Caixinha de Afectos têm lido, sorrido, comentado, Rubem Alves. Um senhor por quem fiquei de amores desde que o conheci... Ora ontem à noite, ao correr de uma pequena pesquisa na net, aparece-me um texto a comentar "Gaiolas e asas". Lembram-se? As Escolas devem dar asas e não aprisionar. Ora, apesar do meu Amor sem remédio, não contesto que Rubem Alves se permite hoje dizer muitas coisas com que só sonhou. E faz ele muito bem! Mas também não nos faz mal nenhum ler e confrontar opiniões." Fica, assim, lançado o convite para a leitura do comentário/crítica (ainda que longo, mas vale a pena) a um texto de Ruben Alves. Via "Piruetas de Avó"

domingo, 13 de julho de 2008

PORQUE HOJE É DOMINGO!

A PARÁBOLA DOS TALENTOS

Havia um homem muito rico, possuidor de vastas propriedades, que era apaixonado por jardins. Os jardins ocupavam o seu pensamento o tempo todo e ele repetia sem cessar: O mundo inteiro ainda deverá transformar-se num jardim. O mundo inteiro deverá ser belo, perfumado e pacífico. O mundo inteiro ainda se transformará num lugar de felicidade.


As suas terras eram uma sucessão sem fim de jardins, jardins japoneses, ingleses, italianos, jardins de ervas, franceses. Dava muito trabalho cuidar de todos os jardins. Mas valia a pena pela alegria. O verde das folhas, o colorido das flores, as variadas simetrias das plantas, os pássaros, as borboletas, os insectos, as fontes, as frutas, o perfume… Sozinho ele não daria conta Por isso anunciou que precisava de jardineiros. Muitos se apresentaram e foram empregados.


Aconteceu que ele precisou de fazer uma longa viagem. Iria a uma terra longínqua comprar mais terras para plantar mais jardins. Assim, chamou três dos jardineiros que contratara, e disse-lhes: Vou viajar. Ficarei muito tempo longe. E quero que vocês cuidem de três dos meus jardins. Os outros, já providenciei quem cuide deles. A você, Paulo, eu entrego o cuidado do jardim japonês. Cuide bem das cerejeiras, veja que as carpas estejam sempre bem alimentadas… A você, Hermógenes, entrego o cuidado do jardim inglês, com toda a sua exuberância de flores espalhadas pelas rochas… E a você, Boanerges, entrego o cuidado do jardim mineiro, com romãs, hortelãs e jasmins.


Ditas essas palavras, partiu. Paulo ficou muito feliz e pôs-se a cuidar do jardim japonês. Hermógenes ficou muito feliz e pôs-se a cuidar do jardim inglês. Mas Boanerges não era jardineiro. Mentira ao oferecer-se para o emprego. Quando ele viu o jardim mineiro disse: Cuidar de jardins não é comigo. É demasiado trabalho…Trancou então o jardim com um cadeado e abandonou-o.

Passados muitos dias voltou o Senhor, ansioso por ver os seus jardins. Paulo, feliz, mostrou-lhe o jardim japonês, que estava muito mais bonito do que quando o recebera. O Senhor dos Jardins ficou muito feliz e sorriu. Hermógenes mostrou-lhe o jardim inglês, exuberante de flores e cores. O Senhor dos Jardins ficou muito feliz e sorriu.
E foi a vez de Boanerges… E não havia forma de enganar: Ah! Senhor! Preciso de confessar: não sou jardineiro. Os jardins dão-me medo. Tenho medo das plantas, dos espinhos, das lagartas, das aranhas. As minhas mãos são delicadas. Não são próprias para mexer na terra, essa coisa suja…Mas o que me assusta mesmo é o facto das plantas estarem sempre a transformar-se: crescem, florescem, perdem as folhas. Cuidar delas é uma trabalheira sem fim. Se estivesse em meu poder, todas as plantas e flores seriam de plástico. E a terra estaria coberta com cimento, pedras e cerâmica, para evitar a sujeira. As pedras dão-me tranquilidade. Elas não se mexem. Ficam onde são colocadas. Como é fácil lavá-las com esguichos e vassoura! Assim, eu não cuidei do jardim. Mas tranquei-o com um cadeado, para que os traficantes e os vagabundos não o invadissem.
E com estas palavras entregou ao Senhor dos Jardins a chave do cadeado. O Senhor dos Jardins ficou muito triste e disse: Este jardim está perdido. Deverá ser todo refeito. Paulo, Hermógenes: vocês vão ficar encarregados de cuidar deste jardim. Quem já tinha jardins ficará com mais jardins. E, quanto a você, Boanerges, respeito o seu desejo. Não gosta de jardins. Vai ficar sem jardins. Gosta de pedras. Pois, de hoje em diante, irá partir pedras na minha pedreira…
Rubem Alves
Gaiolas ou Asas
A arte do voo ou a busca da alegria de aprender
Porto, Edições Asa, 2004

terça-feira, 17 de junho de 2008

À DESCOBERTA DE KARL POPPER

Há umas semanas atrás, numa conversa de café, como pausa de uma reunião de trabalho, eu e o meu bom amigo Ccz colocamos a conversa em dia sobre questões outras que não aquelas da reunião em causa. Questionou-me o porquê do nome escolhido para o meu blogue "Por Um Mundo Melhor". Lá lhe expliquei que era o slogan, tipo logótipo, que coloco nos materiais de apoio que dou aos meus alunos. Uma forma indirecta de fazer passar a mensagem de que devemos trabalhar e lutar, na medida das nossas forças, por um mundo melhor. Depois do que eu lhe disse, confidenciou-me que pensava que eu escolhera o título por causa de um livro de Karl Popper: "Em busca de um mundo melhor." E lá me deu algumas referências sobre o livro e fiquei com vontade de o ler. Confesso que ainda não o li porque não o consegui encontrar nas livrarias onde o procurei. Mas já o encomendei. Mais uns dias e cá o terei nas minhas mãos para me envolver nele. Enquanto isso, adquiri um outro do mesmo autor: Busca Inacabada. Autobiografia Intelectual. É a minha primeira incursão nos escritos de Popper. Denso nalgumas partes, mais acessível noutras, confesso que tenho alguma dificuldade em entender alguns paradigmas do seu pensamento. Mas lá iremos devagarinho. Retirei uma passagem que deixo aqui para reflexão, sem nenhum comentário, para que cada um tire as conclusões que quiser:


Foi durante os últimos anos terríveis da guerra, provavelmente em 1917, numa altura em que sofri de uma longa doença, que percebi muito claramente aquilo que há um tempo considerável havia pressentido: que nas nossas famosas escolas secundárias austríacas... estávamos a perder o nosso tempo de maneira chocante, embora os nossos professores fossem muito cultos e se esforçassem muito por fazer das escolas, as melhores escolas do mundo. Que muito do seu ensino era extremamente entediante – horas e horas de desesperada tortura – era novidade para mim. (Vacinou-me: depois disso nunca mais sofri de tédio. Na escola, um aluno estava sujeito a ser apanhado em falta se pensasse em alguma coisa não relacionada com a lição: o aluno podia entreter-se com os seus próprios pensamentos.) Havia apenas uma disciplina em que tínhamos um professor interessante e verdadeiramente inspirador. A disciplina era matemática... Porém, quando regressei à escola depois de uma doença de mais de dois meses, descobri que a minha classe não tinha feito quase nenhum progresso, nem mesmo a matemática. Isto abriu-me os olhos e pôs-me ansioso por deixar a escola. (pp. 51-52).
...
Quando pensava no futuro, sonhava em fundar, um dia, uma escola em que os jovens pudessem aprender sem tédio e fossem estimulados a pôr problemas e discuti-los; uma escola em que não tivessem de ser ouvidas respostas indesejadas a perguntas não formuladas; em que uma pessoa não estudasse só para passar nos exames. (pp.62-63).

ADENDA: Sugestão da Isabel (Sletras) depois de ver este poste:

sexta-feira, 13 de junho de 2008

NA ROTA DOS BLOGUES AMIGOS!

Educação e Vida!

"A partilha do saber,
do conhecimento,
a partilha das práticas e da experiência,
a partilha das emoções." (Via Anabela Magalhães)

quarta-feira, 21 de maio de 2008

NOTA BREVE!

Professor Joaquim Azevedo em entrevista ao EDUCARE

"As famílias são os ninhos onde se desenvolve a educação, os pais são e serão sempre os primeiros e principais educadores. A escola coopera com os pais e não o contrário, se falamos da educação global da pessoa humana. A escola só ganha em envolver os pais, em termos de cooperação educativa, e os pais só ganham em acompanhar em casa (e na escola, uma vez ou outra) a educação escolar dos filhos. Os pais não devem ser chamados a invadir as escolas para cooperarem na educação escolar dos filhos, podem e devem fazê-lo sobretudo em casa, acompanhando com a maior atenção e dedicação os esforços escolares dos filhos."

Toda a entrevista aqui.

domingo, 27 de abril de 2008

PARA LER, RELER, MEDITAR E...

Os textos de hoje no "TERREAR" do JMA.
Para ler, reler, meditar...
Qual evangelho oportuno para os nossos dias!
E construir um projecto de vida,
de sociedade,
de escola
e até familiar.


Os títulos:


Princípios para optimizar a sua vida.
As pessoas no último lugar!
Porque decidimos mal?
Compaginar vida pessoal e vida profissional.


sábado, 26 de abril de 2008

PRIMEIRO QUE TUDO SOMOS PESSOAS! (II)


"... um ombro

para quem quer ser ouvido;

um lenço

para quando aparecem umas lágrimas

com que ninguém contava;

e uma esferográfica a mais

para "quem se esqueceu"


Puxei para "poste" um pedaço do comentário que a Carmo Cruz deixou um andar mais abaixo. Obrigado pela partilha. Aqui fica:


Pois é, nós somos, antes de mais, pessoas. Também eu já fiz pecados desses de que depois me procurei penitenciar. Mas os jovens são muito sensíveis, de facto, e todo o cuidado é pouco. Lembro-me de um Aluno que um dia me fez desesperar e a quem, puxei uma orelha, "logo que te estás a portar como uma criança". A forma como ele sentiu o puxão de orelhas e as palavras que lhe dissera, contou-me ele no fim da aula, tinham-no magoado profundamente. Reconheceu que tinha estado a incomodar, a perturbar, mas disse-me: "Sabe, Professora, por que é que eu sou assim? Porque os meus pais estão sempre a puxar-me as orelhas e a chamar-me criança. Porque agora tenho um irmão com um ano e eles esquecem-se de que tenho 15".


Pois é, um Professor precisa de ter sempre três coisas disponíveis: um ombro, para quem quer ser ouvido; um lenço, para quando aparecem umas lágrimas com que ninguém contava; e uma esferográfica a mais para "quem se esqueceu". Sempre me dei bem por ir sempre equipada para estas eventualidades.

PRIMEIRO QUE TUDO SOMOS PESSOAS!


Este texto que aqui coloco já o escrevi há cerca de três anos. Estava no meu baú de "notas". Trago-o aqui porque Émy, num comentário em TEARES, uns degraus mais abaixo, elogiou-me dizendo que "em tudo o que fazes colocas o que de melhor há em ti: a tua atenção, o teu carinho, a tua bondade..." e fiquei lisonjeado. Mas, muitas vezes, nessa procura de fazermos o melhor, erramos ou, se quisermos, temos algumas falhas. Entre as muitas coisas que fazemos bem, por vezes há coisas menos acertadas que fazemos. É o que eu partilho convosco:


Eu, como educador, antes de mais sou uma pessoa; também o aluno é uma pessoa.

C. é uma aluna do 9º Ano. Reparei, ultimamente, que tem sido uma “saltimbanco” de namoros. Chegou, na mesma semana, a estar com dois namorados diferentes e eu cheguei a ouvir comentários dos rapazes no sentido de saber quem é que naquela semana iria conseguir conquistar a C. Ao passar pelo recreio, ao vê-la em poses pouco próprias, a beijar um dos novos namorados, eu chamei-a à parte e disse-lhe:

- Pareces um “supermercado”.

Não lhe disse mais nada. Disse aquelas palavras para a chocar mas reconheci que tinha exagerado. “Mexer” com sentimentos de pessoas é complicado e muito mais com sentimentos femininos, muito mais sensíveis e que guardam bem fundo o que lhes dizemos e as feridas custam mais a sarar.

Penso que ela deve ter comentado com o "namorado" e mais algumas colegas porque senti alguma distância e frieza quando passava por eles embora nada dissessem.

Dois ou três dias depois, encontrei-a no refeitório, sentada com o namorado. Como estavam apenas os dois a comer na mesa, sentei-me com eles. Perguntei-lhe o que pensavam do que eu tinha dito. A C. disse que foi algo que a magoou muito e que não esperava, da minha parte, aquelas palavras: “alguém que nos ajudou em pequenos, critica-nos agora?”.

Expliquei-lhe o que quis dizer com aquelas palavras. Foi mais ou menos isso: C., é a tua imagem de mulher que está em jogo. Os rapazes gostam destes "joguinhos". Se calhar serão tidos como “experientes” na matéria. Isso em nada lhes vai afectar a imagem pessoal. Penso que o mesmo não se passa com as raparigas. Quando chegar a altura de começares a levar o namoro a sério – porque quem troca de namoro todas as semanas ou mais que uma vez por semana, não leva as coisas a sério – os rapazes não vão querer nada contigo e certamente dirão: “com esta, que andou com todos e mais algum!” Penso que ela foi percebendo o que eu lhe quis transmitir. Não deixou de me dizer que, apesar de ter alguma razão e perceber o meu ponto de vista, eu não tinha o direito de ter falado daquela maneira porque ela era uma pessoa e tinha sentimentos. E eu estou de acordo com ela.