sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Tranströmer Tomas

Confesso que não conhecia o novo galardoado Prémio da Literatura Tranströmer Tomas. Pelas dicas do meu amigo E.I. é um extraordinário poeta.  Aqui deixo um dos poemas que gostei, transportado do cantinho do E.I.:

Kyrie

A minha vida às vezes abria os olhos no escuro.
Uma sensação de multidões arrastando-se por ruas,
cegas e sem descanço, no caminho para um milagre,
enquanto eu fico aqui, invisível.
Como uma criança que adormece aterrorizada
à escuta dos passos pesados do coração,
até que a manhã ponha o seu raio de luz nos fechos
e as portas da escuridão se abram.

(Tradução de Vasco Graça Moura)

domingo, 17 de julho de 2011

DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DEVERES HUMANOS? PORQUE NÃO?

Da crónica semanal do Miguel Santos Guerra de ontem, no seu "El Adarve", sob o título "Elogio da responsabilidade", destaco o parágrafo que aqui vos deixo e convido-vos a ler o texto na íntegra.

"El filósofo y escritor Jostein Gardner se plantea la siguiente cuestión: así como el siglo XX fue el de los Derechos Humanos, ¿no debería ser el siglo XXI aquel en el cual se proclame la Declaración de los Deberes Humanos? Ojalá. Porque tengo la impresión de que la balanza está descompensada. Las manifestaciones, las demandas, las exigencias me parecen magníficas. Hay que exigir los derechos. Pero hace falta también hacer hincapié en la necesidad de que cada cual cumpla sus obligaciones. La democracia se apoya sobre esos dos pilares: la garantía de los derechos y el cumplimiento de los deberes."

Texto na íntegra, aqui

quarta-feira, 13 de julho de 2011

UBUNTU: "SOU QUEM SOU, PORQUE SOMOS TODOS NÓS!"

O texto que a seguir vos deixo, chegou-me por mail. Para a vida em família, para os grupos de jovens, para as equipas de trabalho, para uma ideia de Europa... Enfim... Um momento de reflexão. Aqui fica o texto:

A jornalista e filósofa Lia Diskin, no Festival Mundial da Paz, em Floripa (2006), presenteou-nos com um caso de uma tribo da África chamada Ubuntu.

Contou que um antropólogo estudava os usos e costumes da tribo e, quando terminou o seu trabalho, teve de esperar pelo transporte que o levaria até o aeroporto, de volta para casa. Sobrava ainda muito tempo, mas ele não queria catequizar os membros da tribo. Então, propôs uma brincadeira para as crianças, que achou ser inofensiva.

Comprou uma porção de doces e guloseimas, na cidade. Colocou tudo num cesto bem bonito, com um belo laço de fita, e colocou debaixo de uma árvore. Então, chamou as crianças e combinou que quando ele dissesse "já!", elas deveriam correr até o cesto. A que chegasse primeiro ganharia todos os doces que estavam lá dentro.

As crianças posicionaram-se na linha demarcatória que ele desenhou no chão e esperaram pelo sinal combinado. Quando ele disse "já!", instantaneamente, todas as crianças se deram as mãos e saíram a correr em direcção à árvore com o cesto. Chegando lá, começaram a distribuir os doces entre si e os comerem felizes.

O antropólogo foi ao encontro delas e perguntou porque tinham ido todas juntas, se uma só poderia ficar com tudo que havia no cesto e, assim, ganhar muito mais doces.

Elas simplesmente responderam: "Ubuntu, tio. Como é que uma de nós poderia ficar feliz, se todas as outras estivessem tristes?"

Ele ficou desconsertado! Meses e meses trabalhando, estudando a tribo, e ainda não havia compreendido, de verdade, a essência daquele povo. Ou jamais teria proposto uma competição, certo?

Ubuntu significa: "Sou quem sou, porque somos todos nós!"

domingo, 10 de julho de 2011

"NADA ME FALTARÁ!" - MARIA JOSÉ NOGUEIRA PINTO

Acho que descobri a política - como amor da cidade e do seu bem - em casa. Nasci numa família com convicções políticas, com sentido do amor e do serviço de Deus e da Pátria. O meu Avô, Eduardo Pinto da Cunha, adolescente, foi combatente monárquico e depois emigrado, com a família, por causa disso. O meu Pai, Luís, era um patriota que adorava a África portuguesa e aí passava as férias a visitar os filiados do LAG. A minha Mãe, Maria José, lia-nos a mim e às minhas irmãs a Mensagem de Pessoa, quando eu tinha sete anos. A minha Tia e madrinha, a Tia Mimi, quando a guerra de África começou, ofereceu-se para acompanhar pelos sítios mais recônditos de Angola, em teco-tecos, os jornalistas estrangeiros. Aprendi, desde cedo, o dever de não ignorar o que via, ouvia e lia.


Aos dezassete anos, no primeiro ano da Faculdade, furei uma greve associativa. Fi-lo mais por rebeldia contra uma ordem imposta arbitrariamente (mesmo que alternativa) que por qualquer outra coisa. Foi por isso que conheci o Jaime e mudámos as nossas vidas, ficando sempre juntos. Fizemos desde então uma família, com os nossos filhos - o Eduardo, a Catarina, a Teresinha - e com os filhos deles. Há quase quarenta anos.

Procurei, procurámos, sempre viver de acordo com os princípios que tinham a ver com valores ditos tradicionais - Deus e a Pátria -, mas também com a justiça e com a solidariedade em que sempre acreditei e acredito. Tenho tentado deles dar testemunho na vida política e no serviço público. Sem transigências, sem abdicações, sem meter no bolso ideias e convicções.

Convicções que partem de uma fé profunda no amor de Cristo, que sempre nos diz - como repetiu João Paulo II - "não tenhais medo". Graças a Deus nunca tive medo. Nem das fugas, nem dos exílios, nem da perseguição, nem da incerteza. Nem da vida, nem na morte. Suportei as rodas baixas da fortuna, partilhei a humilhação da diáspora dos portugueses de África, conheci o exílio no Brasil e em Espanha. Aprendi a levar a pátria na sola dos sapatos.

Como no salmo, o Senhor foi sempre o meu pastor e por isso nada me faltou -mesmo quando faltava tudo.

Regressada a Portugal, concluí o meu curso e iniciei uma actividade profissional em que procurei sempre servir o Estado e a comunidade com lealdade e com coerência.

Gostei de trabalhar no serviço público, quer em funções de aconselhamento ou assessoria quer como responsável de grandes organizações. Procurei fazer o melhor pelas instituições e pelos que nelas trabalhavam, cuidando dos que por elas eram assistidos. Nunca critérios do sectarismo político moveram ou influenciaram os meus juízos na escolha de colaboradores ou na sua avaliação.
Combatendo ideias e políticas que considerei erradas ou nocivas para o bem comum, sempre respeitei, como pessoas, os seus defensores por convicção, os meus adversários.

A política activa, partidária, também foi importante para mim. Vivi--a com racionalidade, mas também com emoção e até com paixão. Tentei subordiná-la a valores e crenças superiores. E seguir regras éticas também nos meios. Fui deputada, líder parlamentar e vereadora por Lisboa pelo CDS-PP, e depois eleita por duas vezes deputada independente nas listas do PSD.
Também aqui servi o melhor que soube e pude. Bati- -me por causas cívicas, umas vitoriosas, outras derrotadas, desde a defesa da unidade do país contra regionalismos centrífugos, até à defesa da vida e dos mais fracos entre os fracos. Foi em nome deles e das causas em que acredito que, além do combate político directo na representação popular, intervim com regularidade na televisão, rádio, jornais, como aqui no DN.

Nas fraquezas e limites da condição humana, tentei travar esse bom combate de que fala o apóstolo Paulo. E guardei a Fé.

Tem sido bom viver estes tempos felizes e difíceis, porque uma vida boa não é uma boa vida. Estou agora num combate mais pessoal, contra um inimigo subtil, silencioso, traiçoeiro. Neste combate conto com a ciência dos homens e com a graça de Deus, Pai de nós todos, para não ter medo. E também com a família e com os amigos. Esperando o pior, mas confiando no melhor.

Seja qual for o desfecho, como o Senhor é meu pastor, nada me faltará.

Texto de Maria José Nogueira pinto, retirado de aqui

sexta-feira, 1 de julho de 2011

LAR JUVENIL DOS CARVALHOS -25º ANIVERSÁRIO.

A entrevista que aqui vos deixo, já foi feita há quase 10 anos e publicada na nossa "GERAÇÃO CIC" e que eu aqui reedito, não só para recordar mas também, para os que ainda não conhecem o Lar Juvenil dos Carvalhos, que hoje celebra os seus 25 anos, o fiquem a conhecer. A entrevista foi feita pelos alunos do 5º e 6º anos de escolaridade, inscritos nos Clubes de Audiovisual e Jornalismo, Academia de Talentos e Leitura, no dia 22 de Outubro de 2003. Retomamos, pois, o trabalho dos alunos:

Quando chegámos ao Lar fomos recebidos por um dos seus monitores, a seguir dirigimo-nos para uma sala de reuniões, na qual o Pe. Marçal, responsável máximo do Lar, nos dirigiu umas breves palavras acerca dos objectivos do Lar e do seu funcionamento. Houve ainda um momento significativo, a oferta de alguns livros ao Lar Juvenil pelos alunos do Clube de Leitura.
A seguir o momento mais esperado: fomos visitar as instalações novas do Lar acompanhados pelo Sr. Pe. Marçal e por alguns monitores. Visitámos a sala de Jantar, a sala de convívio e os quartos dos jovens que frequentam o Lar.

No final da visita regressámos à sala de reuniões, onde o Pe. Marçal nos dirigiu mais algumas palavras no sentido de nos despertar a consciência em ordem à ajuda que a sociedade pode dar a esta Instituição, pois dessa ajuda depende muito a educação e formação dos jovens que por necessidade a ela recorrem.


C. J. – Que avaliação faz desta grandiosa obra?

P.M. – Que valeu a pena lutar por muito tempo para concretizar um sonho, para que as crianças que têm menos possibilidades em termos, digamos, sociais, tenho aqui no Lar Juvenil uma dimensão igual à das outras crianças, pois eu não sabia fazer uma casa para crianças com menos possibilidades, ou seja, a vida para mim é igual em todos.

C. J. – Foi difícil construir esta obra?

P. M. – Basta dizer que foram precisos 17 anos, não é só esta construção que começou no ano 2000, mas toda a preparação daquilo que seria melhor: construir uma parte nova ou reconstruir a parte já existente. É preciso conhecer muitas pessoas, o Ministério, o Governo Civil, para que cada processo tivesse o melhor andamento, foi o tempo que nos trouxe até aqui.

C. J. – De uma forma geral, qual o objectivo principal do Lar Juvenil dos Carvalhos?

P. M. – É acolher crianças em risco, crianças, adolescentes e jovens, vocês conhecem alguns mas nós neste trabalho conhecemos muitos jovens que precisam realmente de ser ajudados, porque é um tempo fundamental da vida, ou agora ou nunca.

C. J. – Fale-nos um pouco do papel da Igreja na concretização de projectos como este.

P. M. – Eu acho que vocês sabem, que a Igreja, como é um Corpo muito Unido, tem um objectivo e uma Missão que é estar junto dos mais pobres e dos mais necessitados, por isso a Igreja através das Instituições aproxima-se sempre destas situações para determinar um caminho e uma resposta. A Igreja é um Corpo pela amizade e pela palavra enviada aos pobres, aos “encaminhados e desencaminhados da vida” e por isso também é a nossa missão. Eu não estou aqui com uma missão pessoal, sou Padre Missionário, que é aquele que dá a sua vida aos outros.

Vocês vão celebrar este mês no Colégio o dia de S. António Maria Claret, um homem que “arde em caridade, abrasa por onde passa, nada o detém, goza das privações, procura os trabalhos, compraz-se nas calúnias e o seu único pensamento é seguir e imitar Jesus Cristo”, como Missionário é isso que faço.

C. J. – E em relação à educação, a Igreja tem desempenhado um papel indispensável na formação dos jovens de hoje?

P. M. – Eu penso que sim, até porque eu estive como Pároco de Pedroso durante 13 anos e as pessoas que dinamizavam a Paróquia eram os jovens, eu consegui unir a mim uma multidão de jovens, eles estão vocacionados para o serviço, para ajudar os outros, por conseguinte para nos ajudar na nossa missão que é a mesma da Igreja.

C. J. – Os jovens reconhecem o esforço desenvolvido pela Igreja na sua formação?

P. M. – Sim, penso que sim, porque com eles podemos construir muitas coisas. Existe ainda um bocado de obra por acabar, aquela casa que está lá em baixo à entrada que se vai chamar “Casa do Pão”, estive a conversar com o empreiteiro, não vamos buscar dinheiro a lado nenhum, vamos nós juntamente com os jovens tentar fazer mais construções. Quando cá cheguei, reparei que existem muitos jovens que estão como voluntários, isto é um sinal de reconhecimento por aquilo que foi feito por eles. É uma forma de estarem ligados a este projecto. O poder da vida é muito forte, por isso também eles se disponibilizam para ajudarem os mais necessitados, proporcionam eles agora o que lhes foi proporcionado no momento mais importante das suas vidas. São também eles uma ajuda às famílias.

terça-feira, 21 de junho de 2011

POR UM MUNDO MELHOR (II)

A nova Presidente da Assembleia da República Portuguesa: «Ou decidimos melhorar o mundo ou teremos de perguntar como se dorme o nosso sono» Gostei!

Assunção Esteves eleita presidente da AR com mais de 80% dos votos - Política - Sol

POR UM MUNDO MELHOR!

Na nossa "luta" POR UM MUNDO MELHOR, fazem sentido as palavras de Madre Teresa de Calcutá:

"Sei que o meu trabalho é uma gota no oceano mas, sem ele, o oceano seria menor."