Vamos fazer um desenho num papel com lápis de cor e tirá-lo para colorir o "NOSSO MUNDO", com essas cores para que a nossa VIDA se torne mais bonita!!!
Hoje o cantinho da Avó Pirueta encheu-me a alma; encheu-me da cabeça aos pés. Colocou lá um poema lindíssimo de Ernesto Lara que eu não conhecia. Encheu-me as medidas porque o poema fala da cidade onde nasci e vivi até aos meus 10 anos e onde também nasceu Ernesto Lara Filho 1932. O poema está datado de 1964, ano meu nascimento. É longo, mas quem ama África, e sobretudo quem nasceu em Benguela, vai achar uma delícia. Aqui fica:
Infância perdida
(para o Miau)
Nesse tempo, Edelfride,
Com quatro macutas
A gente comprava
Dois pacotes de ginguba
Na loja do Guimarães.
Nesse tempo, Edelfride,
com meio angolar
a gente comprava
cinco mangas madurinhas
no Mercado de Benguela.
Nesse tempo, Edelfride,
montados em bicicletas
a gente fugia da cidade
e ia prás pescarias
ver as traineiras chegar
ou então
à horta do Lima Gordo
no Cavaco
comer amoras fresquinhas.
Nesse tempo, Miau,
(alcunha que mantiveste no futebol)
nós fazíamos gazeta
da escola coribeca
e íamos os quatro
jogar sueca
debaixo da mandioqueira.
Era no tempo
em que o Saraiva Cambuta batia na mulher
e a gente gostava de ver a negra levar porrada.
Era no tempo
dos dongos da ponte
dos barcos de bimba
dos carrinhos de papelão
Como tudo era bonito nesse tempo, Miau!
Era no tempo do visgo
que a gente punha na figueira brava
para apanhar bicos-de-lacre e seripipis
os passarinhos que bicavam as papaias do Ferreira Pires
que tinha aquele quintalão grande e gostava dos meninos.
Era no tempo dos doces de ginguba com açúcar.
Mais tarde
vieram os passeios noturnos
à Massangarala
e ao Bairro Benfica.
E o Bairro Benfica ao luar
O poeta Aires a cantar
(meu amor da rua onze e seu colar de missangas...)
Tudo era bonito nesse tempo
até o Salão Azul dos Cubanos
e o Lanterna Vermelha - o dancing do Quioche.
Foi então que a vida me levou para longe de ti:
parti para estudar na Europa
mas nunca mais lhe esqueci, Edelfride,
meu companheiro mulato dos bancos de escola
porque tu me ensinaste a fazer bola de meia
cheia de chipipa da mafumeira.
Tu me ensinaste a compreender e a amar
os negros velhos do bairro Benfica
e as negras prostitutas da Massangarala
(lembras-te da Esperança? Oh, como era bonita
[essa mulata...)
Tu me ensinaste onde havia a melhor quissângua
de Benguela:
era no Bairro por detrás do Caminho de Ferro
quando a gente vai na Escola da Liga.
Tu me ensinaste tudo quanto relembro agora
Infância Perdida
sonhos dos tempos de menino.
Tudo isso te devo
companheiro dos bancos de escola
isso
e o aprender a subir
aos tamarineiros
a caçar bituítes com fisga
aprender a cantar num kombaritòkué
o varre das cinzas
do velho Camalundo.
Tudo isso perpassa
me enche de sofrimento.
Diz a tua Mãe
que o menino branco
um dia há-de voltar
cheio de pobreza e de saudade
cheio de sofrimento
quase destruído pela Europa.
Ele há-de voltar
para se sentar à tua mesa
e voltar a comer contigo e com teus irmãos
e meus irmãos
aquela moambada de domingo
com quiabos e gengibre
aquela moambada que nunca mais esqueci
nos longos domingos tristes e invernais da Europa
ou então
aquele calulu
de dona Ema.
Diz a tua Mãe, Edelfride,
que ela ainda me há-de beijar como fazia
quando eu era menino
branco
bem tratado
quando fugia da casa de meus Pais
para ir repartir a minha riqueza
com a vossa pobreza.
Diz tudo isso a toda a gente
que ainda se lembra de mim.
Diz-lhes. Diz-lhes
grita-lhes
aos ouvidos
ao vento que passa
e sopra nas casuarinas da Praia Morena.
Diz aos mulatos e brancos e negros
que foram nossos companheiros de escola
que te escrevo este poema
chorando de saudade
as veias latejando
o coração batendo
de Esperança, de Esperança
porque ela
a Esperança
(como dizia aquele nosso poeta
que anda perdido nos longes da Europa)
está na Esperança, Amigo.
Edelfride, você não chore
saudades do Castimbala
nem lhe escreva
cartas como essa
que são de partir
meu pobre coração.
Nesse tempo, Edelfride,
Infância Perdida
era no tempo dos tamarineiros em flor...
(Ernesto Lara Filho inO Canto de Martrindinde e Outros Poemas Feitos no Puto )to)
A Anabela Magalhães colocou ontem no seu blogue um interessante poste reflexão que não resisti a pedir "emprestado" partes do seu texto para colocar aqui e abrir o apetite para lá irem ver o resto do texto e entrarem no debate. Fica aqui, também, o vídeo que acompanha a reflexão.
Bob Geldof - Make Poverty History
"Continuo a olhar para Bob Geldof como um dos meus heróis vivos e uma das minhas referências a nível mundial...
É bom que haja gente corajosa e sem medo para enfrentar os poderes instituídos e que não se reja pelo politicamente correcto. Estamos fartos do politicamente correcto.
Qual o papel desempenhado pelos nossos políticos, pelos nossos governantes dos países ditos desenvolvidos em fazerem da Poverty History?
Pois, as guerritas aqui e ali são mais importantes. África fica bem lá longe. A falta de alimento será um problema com tendência a agravar-se nos próximos anos, não porque escasseiem de facto os alimentos, mas porque há investidores sem escrúpulos que lucram com a fome no mundo.
Cabe-nos a nós, cidadãos comuns, aumentar a pressão sobre os políticos... de meia tigela por forma a que esta pressão se torne insustentável e os obrigue a redireccionar as suas actuações para o que é realmente importante..."
1. Do "Jota":"...Todas as crianças, absolutamente sem qualquer excepção, serão credoras destes direitos, sem distinção ou discriminação por motivo de raça, cor, sexo, língua, religião..."
( do 1º direito). Escolheu a "TOGETHER" de Bob Sinclair:
2. Da Émy: " ... a criança crescerá num ambiente de compreensão, de tolerância, de amizade entre os povos, de paz e de fraternidade universal..." (Do 10º direito). Escolheu " We are the world":
3. A minha: "...A criança terá ampla oportunidade para brincar e divertir-se..." ( Do 7º direito). A criança tem pois direito a viver na ALEGRIA. Escolhi a Ode à Alegria da Nona de Beethoven:
4. Da "pipoca": "...aos cuidados e sob a responsabilidade dos pais..." ( do 6º direito). Do Cd "Criancices" escolheu "vamos passear no parque". Só temos a música em Cd e como o pai ainda não sabe colocar aqui músicas noutros formatos que não o youtub, fica apenas um pedaço do texto da canção:
“Cada sorriso de uma criança, vale um bocado de vida pois faz alguém ficar feliz”
Zé Carlos 5ºE
É, sem dúvida, a melhor forma de começar a minha intervenção de hoje!!!
Como é do domínio público neste blog, sou professora de H.G.P. e Língua Portuguesa.
Sempre quis sê-lo, porque acho que as crianças são o que de melhor temos, como as flores, dão cor e perfume ao mundo e queria contribuir, de alguma forma, na formação dos petizes, sobretudo dos que me vão passando pelas turmas que lecciono.
Ao longo destes vinte e cinco anos no C.I.C., tenho tido momentos deliciosos no que toca à promoção da leitura e da escrita dos meus alunos…
São “pérolas” de um colar valioso que vou enfiando e guardo, cuidadosamente, na caixinha das jóias das minhas memórias…
Partilharei algumas delas, aqui, neste espaço, a propósito do dia que hoje comemoramos:
DIAMUNDIALDACRIANÇA
Parafraseando a Francisca do 5ºA, “…vou pintar com mais bonitas e variadas cores…” frases e/ou pensamentos de alguns alunos:
O que é ser criança? – o repto estava lançado:
“Ser criança é a melhor coisa do Mundo: é ter a alegria de viver, é ter a vontade de crescer e de aprender.”
Alexandra 5ºE
Quem melhor do que as crianças para falarem delas mesmas e dos seus sentimentos?!
“Adoro ser criança!
sou uma criança feliz!”
exclamou a Joana B. 5ºE
e a Inês acrescentou:
“…é acreditar nos sonhos… é ser verdadeiro, ter coração de manteiga…”
“As crianças são como as andorinhas:
livres de voar,
mas com perigos a enfrentar!”
Gabriela 5ºA
“Ser criança é amar e ser amada, Ser criança é ser a luz do dia, Ser criança é ser a flor do deserto…”
Solange 5ºE
Recebi dezenas de pequenos textos, algumas frases muito bonitas e muitos, muitos poemas… falando sobre o bom que é ser criança, da inocência dos anos em que as preocupações ainda são só dos outros, da alegria, dos mimos, das carícias dos pais, como registou o Zé Carlos do 5ºE.
“Uma criança é alguém que faz dois adultos felizes!!! É alguém que pode fazer o Mundo mais feliz!”
O Pedro Martins do 5ºA destacou a importância dos amigos com quem partilhar confidências:
“É bom ser criança, pelo menos eu gosto! Ganho mais amigos e amigas também!”
Ah! Estas são as nossas crianças felizes! E as outras?!
A Sónia do 5ºA lembrou-se delas:
“Um dia parei para pensar: Como é bom ser criança! Brincar e rir?! E chorar?!! Crianças a chorar: com fome, solidão, abandono, Crianças doentes, vazias e tristes… A chorar!!!”
“Há crianças que não têm o direito de nascer!”
Samuel 5ºE
“Sem amor, não somos ninguém! Não sendo ninguém, Temos de recuperar o nosso coração Que deu um grande trambolhão!”
Pedro Martins 5ºA
Muito já foi escrito, muito mais haveria para escrever…
Deixo-vos com dois poemas de duas alunas do 5ºA…
“Ser criança é inventar histórias Vividas num só dia, Publicar sonhos e desejos… Ser criança é rir às gargalhadas, Chorar cada lágrima num sonho profundo, Seguir em frente sem cair das estrelas cadentes Como caem os adultos imprudentes.”
Vanina
“Ser criança
Ser criança é ser uma rosa Que nasce no jardim Que brinca com o Mundo Num encanto que não tem fim.
Ser criança é maravilhoso Ter a vida pela frente Amigos que não faltam Numa amizade permanente.
Adoro ser criança Poder correr e saltar Pelos caminhos da vida Com a família para me apoiar.”