segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

POBREZA E ABANDONO ESCOLAR


É duro, dói, mas ai está mais uma radiografia do nosso país: Relatório da Comissão Europeia diz que Portugal é o segundo país da UE onde o risco de pobreza infantil é maior. A subida do desemprego, o baixo nível de vida e a elevada taxa de abandono escolar são factores que explicam aquele retrato negro. Uma em cada cinco crianças portuguesas está exposta ao risco de pobreza, o que faz de Portugal o País da União Europeia, a seguir à Polónia, onde as crianças são mais pobres ou correm maior risco de cair nessa situação. "Muitas crianças apenas se alimentam com o que lhes é servido nas instituições de solidariedade social, nem sequer tomam pequeno-almoço em casa", disse Isabel Jonet.

O abandono escolar é outro factor incontornável para medir o risco de exposição infantil à pobreza, sabendo-se que os desníveis nas qualificações são a causa fulcral das desigualdades sociais. A este respeito, Portugal também está numa posição preocupante: a percentagem de jovens até os 24 anos com baixa educação secundária era de 39% em 2006 (ano lectivo de 2004-2005), a segunda pior de toda a União Europeia, a seguir a Malta. A taxa de abandono escolar baixou entretanto para valores da ordem dos 35%, mas, ainda assim, Portugal continua, neste campo, na cauda da União Europeia.

TEMA DESENVOLVIDO EM DNOnline e CORREIO DA MANHÃ

SEMANA DA LEITURA

VIA CONFAP: O Plano Nacional de Leitura (PNL) promove a Semana de Leitura, de 3 a 7 de Março, com o objectivo de criar na escola um ambiente particularmente festivo à volta dos livros que reforce a adesão dos alunos e o desejo de ler mais.

As actividades poderão ser leituras de prosa ou poesia, dramatizações, concursos, jogos e outras actividades lúdicas, decoração da sala de aula e/ou de outros espaços da escola, etc.
Para valorizar o esforço de promoção da leitura aos olhos de crianças e adultos e para criar um elemento de agradável novidade na vida da escola, é oportuno convidar pais, familiares, ou personalidades de prestígio na comunidade, como por exemplo autarcas, artistas, empresários, jornalistas, autores, etc.Conforme a adesão e a disponibilidade dos professores e dos convidados, as escolas, incluindo as AP’s, podem participar na Semana da Leitura realizando:

• actividades nas salas de aulas (abrangendo todas ou só com algumas turmas e eventualmente convidados) e nos ATL’s;
• uma ou várias actividades colectivas (envolvendo várias turmas, professores, funcionários e convidados).

domingo, 24 de fevereiro de 2008

QUANDO SE ANDA SEM RUMO!

Via “Tempo de Teia”, acabei de ler uma reflexão de Fernando Cortes Real da qual "roubei" o último parágrafo:


"Talvez um dia, livremente, se ensine nas escolas não só o que foram os anos negros desta longa legislatura, mas, também e sobretudo, se aprenda como ela foi democraticamente desalojada do poder, para que em política se não volte a cometer estes mesmos grosseiros erros e não se repitam estas ofensivas derivas autocráticas que à democracia fazem figas e à cidadania dizem não."


Desalojada ou comida pelo tubarão como naquela história do Cavalo Marinho? Não sabem? Eu deixo-a aqui:
Era uma vez um Cavalo Marinho que juntou sete libras de ouro e foi à aventura pelo mundo fora. Pouco depois de partir encontrou uma enguia que lhe perguntou:
- Eh! Pá! Onde vais?
- Vou em busca de aventuras – respondeu orgulhosamente o Cavalo Marinho.
Em breve encontrou uma Esponja que lhe disse:
Eh! Pá! Onde vais?
- Vou em busca de aventuras – replicou o Cavalo Marinho.
- Tens sorte – disse a Esponja – por pouco dinheiro dou-te esta mota a jacto e tu viajarás mais depressa.
O Cavalo Marinho comprou a mota com o restante dinheiro e atravessou sete mares cinco vezes mais depressa. Em breve encontrou um Tubarão que lhe disse:
- Eh! Pá! Onde vais?
- Vou em busca de aventuras – respondeu o Cavalo Marinho.
- Tens sorte, se tomares este atalho – disse o Tubarão, apontando a sua boca aberta – pouparás imenso tempo.
- Obrigadinho! – disse o Cavalo Marinho e enfiou-se rapidamente na boca do Tubarão.

Robert Mager (adaptação)

Acabou mal o Cavalinho... por sua culpa. Erros grosseiros porque se andou sem rumo. Nas palavras de Séneca: “Não há ventos favoráveis para os que não sabem para onde vão.”

sábado, 23 de fevereiro de 2008

REDESCOBRIR A ESCOLA

"Os alunos ganham um projecto de vida, tudo passa a fazer sentido e as perspectivas mudam."

O Educare, pela mão de Joana Silva Santos, traz-nos um exemplo interessante e louvável de como se pode ajudar jovens a redescobrirem o valor da escola.

"Com percursos escolares e histórias familiares complicadas, os jovens permaneciam na escola mas há muito que a tinham abandonado. A escola já não lhes dizia nada. Não pegavam num livro ou num caderno. As avaliações negativas eram uma constante, reflectindo-se em repetidos insucessos de ano para ano. Este era um cenário comum para alguns adolescentes da escola EB 2,3 Josefa de Óbidos, em Óbidos, mas um curso de bombeiro veio alterar esta situação e trouxe de novo para o caminho da aprendizagem 14 jovens."

POR UM TROVADOR!


Diz o trovador: Sem forças... (...) E de há vários dias...

Descansa amigo trovador
Mas só por instantes:
Que ao romper da alva
Queremos ouvir outra balada.

Descansa amigo trovador
Mas só
Só por instantes:
Ainda que rouca a tua voz
Já aprendemos a escutar-te no teu silêncio
Que encanta mesmo sem palavras
E contigo cantaremos nós.

Descansa amigo trovador
Mas só
Só por instantes,
E breves,
Porque vem ai nova alvorada.

Descansa amigo trovador
Mas só
Só por uma jornada:
Há muitas lutas pela frente
-numa batalha desigual-
E parece ser longa a caminhada!

Continua,
Depois do descanso, a tua balada...
E contigo, vou eu, vamos nós, esses TEUS TODOS,
Com entusiasmo
Afora, sem medo, pela estrada.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

AS REGRAS DO NUNCA


As regras do Nunca de Lawson.

Na liderança e na vida lembrem-se sempre destas regras:

  1. Nunca diga que algo não pode ser feito (Missões Impossíveis são muito raras);
  2. Nunca subestime o poder do trabalho de equipa (pessoas vulgares conseguem alcançar coisas extraordinárias);
  3. Nunca aceite nada menos do que a excelência, especialmente de si próprio;
  4. Nunca fique satisfeito por mais do que um instante;
  5. Nunca fique satisfeito consigo mesmo (nunca se sabe tudo!);
  6. Nunca se afaste das decisões difíceis (as coisas apenas pioram);
  7. Nunca subestime a concorrência (eles também são pessoas inteligentes!);
  8. Nunca deixe de ouvir, questionar e inovar (há sempre uma maneira melhor);
  9. Nunca tenha medo de correr riscos (com excepção da saúde e questões de segurança);
  10. Nunca desperdice uma oportunidade para dar uma contribuição (´não achei que este fosse o meu trabalho`);
  11. Nunca subestime os clientes (o seu salário depende deles);
  12. Nunca surpreenda o seu chefe (positivamente está bem, mas negativamente, nunca!);
  13. Nunca deixe de aprender com os seus erros (todas as pessoas inteligentes cometem erros, estúpido é cometer o mesmo erro duas vezes);
  14. Nunca deixe de dar crédito àqueles que o merecem (deixe outra pessoa receber os louros também);
  15. Nunca se esqueça de dizer ´muito obrigado`por um trabalho feito (estas duas palavras são as menos utilizadas em qualquer língua).

E SEMPRE:

  • Diga a verdade, independentemente de quão difícil possa ser;
  • Cumpra sempre as suas promessas!

Retirado de Hooper, A. & Potter, J. (2007). Liderança inteligente. Criar a paixão pela mudança (p.117-118). Lisboa: Editora Actual.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

GRATIDÃO

Escreveu, ontem, Matias Alves, no seu Terrear: "E agora que o Terrear ultrapassou as 102 000 visitas, e mais de 269 000 páginas lidas talvez se justifique esta referência. E um agradecimento aos leitores."

Nós é que lhe agradecemos!

Obrigado por deixar um pouco de si no que escreve - lembro por exemplo o texto " O que me move", que nem me atrevi a comentar.

Obrigado, e obrigado sobretudo nesta hora por nos ajudar a encontrar o rumo e o fio condutor neste emaranhado de inquietações em que nos encontramos os que enveredamos pelos caminhos da educação e trabalhamos no terreno.

E aqui fica o texto que referi acima:

O QUE ME MOVE

Move-me o amor pelos outros. Pelas pessoas concretas. Pelas pessoas que não são meros números que agravam o défice público. Pelas pessoas que pensam e sentem. Pelas pessoas que sofrem até ao limiar da noite. Pelas pessoas que cantam por entre o imenso ruído de um falatar interminável e vazio. Pelos professores doridos, exauridos, extenuados, vergados pelo peso insuportável de uma desumanidade inqualificável. Pelos alunos inquietos, perdidos, desnorteados, parados. E também pela sua avidez, o seu brilho no olhar, o desejo de aprender, e a gratificação que mostram por alguém os escutar, lhe dar vez e voz. Para além do que diz o decretodespachoportariatelefonemade umadirecçãogeralregionalqualquer. Pelos pais ausentes, perdidos num tempo que não compreendem (os não compreende), sempre em trânsito, em perda, em dissolução.


Move-me ainda o amor pelo conhecimento, pela educação, pela escola. O conhecimento, porque nos permite sair das ciladas, das aparências do senso-comum, da cepa torta de um atraso político insustentável, da miséria dos quotidianos acéfalos, das mentiras berradas como verdades únicas e oficiais. Porque nos permite afirmar a mais-valia da razão contra a força da imposição do dogma. Porque nos permite crescer em sabedoria e sapiência se lhe juntarmos a compaixão. A educação, porque, apesar dos seus inevitáveis limites, ela é ainda o ‘fogo dos deuses’ dado aos humanos para que eles consigam ver, e caminhar e agir e libertarem-se do vício da tirania. A escola, enfim, porque é a única casa civil de humanidade que possuímos no espaço social. O último reduto de esperança para milhões de portugueses.


Move-me a sede da justiça e a busca da verdade. E por isso a denúncia das arbitrariedades, das práticas que afirmam ‘eu sou a lei’ ou ‘eu estou acima da lei’, das prepotências e das arrogâncias mais próprias das ditaduras de todas as cores e feitios. A denúncia das mentiras descaradas, das meias verdades, das encenações mediáticas, das manipulações, do favoritismo e do proselitismo, graves doenças de um tempo agónico que perdeu quase toda a ética de serviço público. Embora com ele encha a boca.


Move-me a humildade de admitir o erro, o engano. A procura insistente de não confundir os actos com o sujeito que os praticou. E é por isso que nunca critiquei pessoalmente ninguém. Nem chamei nomes feios. Nem insultei. Porque o que me interessa são as ideias, as acções e os seus efeitos na realidade. Mais uma vez, as pessoas, primeiro.


Desde sempre, sem qualquer filiação partidária, sem dono próximo ou distante, sempre procurando pensar pela própria cabeça, sempre. E por isso, difícil fazer parte de qualquer grémio, corporação, igreja, rebanho. Marginal, portanto. Onde (quase) sempre estive e onde vou sendo. Na lenta, persistente, e às vezes, difícil construção de uma vertical identidade sempre inacabada.

José Matias Alves, in "Terrear".